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Cisco Portugal contraria onda internacional de despedimentos

Cisco Portugal contraria onda internacional de despedimentos

Em julho o mercado foi surpreendido com a notícia de que tecnológica Cisco iria dispensar, a partir de agosto, 16% dos seus 73.408 colaboradores e vender a sua fábrica no México, para conseguir uma redução de custos na ordem dos mil milhões de dólares. Portugal parece estar a escapar a esta tendência e poderá mesmo vir a acolher os novos centros de suporte e vendas da multinacional.
22.09.2011 | Por Cátia Mateus


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A operação da Cisco em Portugal será pouco afetada com o corte de postos de trabalho da casa-mãe. Quem o defende é o próprio Carlos Brazão, diretor-geral da Cisco Portugal. O responsável, que esta semana conseguiu reunir em território luso mais de dois mil convidados e especialistas nacionais e internacionais na conferência Cisco Expo, sob o tema “Innovate Together”, garante que Portugal tem vindo a subir na hierarquia da multinacional e está sempre no mapa. Os principais especialistas do sector tecnológico parecem não ter dúvidas de que há margem para valorização neste setor, apesar da clara necessidade de recuperação de alguns dos pesos pesados desta indústria a nível mundial. Segundo a Bloomberg, “nos Estados Unidos, a estimativa de crescimento para as tecnológicas em 2011 é de cerca de 16% e no próximo ano, 11%”. A agência toma como referência o universo das empresas do S&P 500 Information Technology, onde se integra a Cisco, e revela que o mercado de transferências de dados a nível mundial deverá continuar a crescer. Uma previsão que agrada a Cisco que é um dos principais players neste segmento e que lança o otimismo da recuperação sobre a empresa que nos últimos meses se ressentiu com a conjuntura adversa, levando a casa-mãe a avançar com despedimentos. Em Portugal o cenário parece ser distinto e Carlos Brazão não tem dúvidas de que “a haver cortes nos postos de trabalho da operação portuguesa serão mínimos”. O diretor-geral explicou inclusive que a maioria das reduções de efetivos da empresa a nível internacional estão a ser realizadas devido à saída de um conjunto de fábricas e também inseridas num programa de pré-reforma voluntária, em países onde a multinacional tem mais efetivos, como os Estados Unidos. “As unidades de vendas e de contacto com o cliente são muito pouco afetadas e é muito mais uma questão de realocação de recursos”, explica adiantando que “em Portugal mais de dois terços trabalham para os centros internacionais de suporte. É por isso fácil de perceber que a operação será – se vier a ser – muito pouco afetada com qualquer redução de efetivos”. Em declarações à agência LUSA no âmbito da conferência “Innovating Together”, Carlos Brazão reforçou a sua confiança de que a operação comercial da empresa e os seus centros, sairão da crise ainda mais fortes e acrescentou: “nos sete anos antes da crise e até 2009/2010, a Cisco sempre teve um crescimento ponderado de dois dígitos fortes e é óbvio que quando esta crise passar voltaremos a esse ritmo”. Para não perder o comboio e posicionar-se competitivamente para a retoma, o diretor-geral da empresa especialista em redes de comunicação, avançou a possibilidade de Portugal vir a acolher novos centros de suporte e vendas da multinacional. Sem revelar em que é que isto se traduz em matéria de postos de trabalho e criação de emprego, Carlos Brazão adianta que “Portugal está sempre no mapa e estamos progressivamente a subir na hierarquia da casa-mãe”. Mobilidade, vídeos, centros de suporte e cloud computing são para o diretor-geral da Cisco Portugal, áreas de grande oportunidade de desenvolvimento no país, sobretudo na administração pública e na indústria. A Cisco está neste momento a começar a trabalhar em formas de auxiliar os seus parceiros rumo à internacionalização, sobretudo para paises como o Brasil e os Países de Língua Oficial Portuguesa. A Cisco terminou em julho o seu ano fiscal “com resultados acima do que esperavam os analistas”, afirma o responsável confirmando também que o novo ano está a arrancar acima das expectativas. A multinacional prevê um crescimento de 9% nas vendas nos próximos cinco anos e tem atualmente um volume de vendas anual de 45 mil milhões de dólares.


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