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Carreiras em mudança

Nos parâmetros actuais, um profissional muda, em média, quatro a cinco vezes de empresa ao longo da sua vida profissional. Mas quantos arriscam mesmo mudar de área de actividade? Apesar do risco, existem empregadores que interpretam essa atitude como sinónimo de dinamismo e polivalência
08.02.2008


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Marisa Antunes
Já lá vai o tempo em que os empregos duravam toda a vida. Agora, não só isso não acontece como também se vão tornando frequentes os casos de quem não receou cortar amarras com uma carreira construída em determinada área para se lançar numa outra totalmente diferente. E, apesar da habitual postura cautelosa que caracteriza os nossos empresários, são cada vez mais aqueles que apostam nestes profissionais, reconhecendo-lhes o arrojo e o dinamismo e procurando uma lufada de ar fresco, inovação e criatividade para as suas organizações.

“Há cada vez mais a consciência de que as pessoas podem ter que mudar de actividade cerca de cinco vezes ao longo da sua vida profissional, duas das quais podem ser já depois dos 50 anos. É um dado nos Estados Unidos, mas que começa também a verificar-se na Europa e em Portugal”, realça Jorge Marques, presidente da Associação Portuguesa dos Gestores e Técnicos dos Recursos Humanos (APG).

João Cunha, recém-administrador da Square Imobiliária (em funções há cerca de dois meses), está mais do que habituado a mudanças. A trabalhar há pouco mais de década e meia, o gestor já mudou por diversas vezes de área de actividade, ganhando em cada desafio mais-valias e novas competências. Do mercado da distribuição, mais especificamente dos supermercados Expresso, onde começou em 1990 como adjunto do director comercial, João Cunha passou para a área da cosmética, na L'Oréal, e mais tarde assumiu funções como gestor de produto da Nívea. Em 1999 abraçou um desafio totalmente diferente como director de «marketing» na Nobre, indústrias de Carne, onde se manteve durante oito anos e meio até aceitar a proposta da Square Imobiliária para o actual cargo de administrador.

“No fundo, o consumidor final é sempre o mesmo. Apenas temos de compreender e adaptar os nossos negócios e as nossas propostas às reais necessidades dos consumidores”, responde, justificando a sua facilidade de adaptação a mercados tão diferentes.

Para o gestor, a grande motivação da mudança reside essencialmente na capacidade para expandir a sua carreira e os horizontes profissionais. “É muito aliciante abraçar negócios em franco crescimento, onde o potencial de oportunidades é imenso e a possibilidade de crescer, em conjunto com a empresa, é também grande. Se sentisse que este era um mercado em fase de maturidade avançada, não seria, para mim, aliciante mudar”, sublinha João Cunha, acrescentando que “no imobiliário ainda há muito por fazer a nível de «marketing» e na interpretação das reais necessidades de quem está a querer trocar de casa”.

Jorge Marques lembra que “aquilo que hoje é importante nas organizações empresariais para os seus quadros é o desenvolvimento das competências horizontais, em concreto, competências de gestão e de liderança, comerciais, financeiras, «marketing», recursos humanos….”. Para o especialista, “este tipo de competências está sempre presente, seja qual for a empresa. O investimento que tem que se fazer mal se entra noutra empresa é a aprendizagem da sua cultura de gestão e dos seus produtos e serviços, estes sim, que variam de empresa para empresa”.

Uma opinião corroborada por Anabela Ventura, directora da empresa DBM Portugal, salientando que, apesar da crescente e generalizada apetência dos recrutadores por profissionais com experiência diversificada, destacam-se aqueles que desenvolvem a sua actividade em áreas como a banca ou a indústria farmacêutica. “Vão buscar essencialmente pessoas que estão a desenvolver a sua carreira na área do consumo”, aponta a responsável da empresa de «outplacement», destinada exclusivamente a organizações que, por diversos motivos (fusões, aquisições, deslocalizações, encerramentos ou desajustes), acabam por rescindir com os seus colaboradores, oferecendo-lhes apoio profissional na sua reinserção no mercado de trabalho.

“Quem contrata estes profissionais que vêm da área do grande consumo pretende essencialmente pessoas com muita experiência comercial, com um «know-how» muito específico e com competências muito estruturadas”, relembra ainda Anabela Ventura.

Mas não existem só vantagens. Se os empregadores “ganham em receber na empresa alguém com outra forma de ver, de olhar, e que vai encontrar pequenas ou grandes coisas que é preciso mudar”, também é necessário ter em atenção alguns perigos potenciais — poderá estar a receber “alguém que quer trazer para a empresa tudo o que fazia e a forma como fazia na outra organização, ou seja, alguém que não consegue mudar, mesmo quando muda de empresa”, realça Jorge Marques.

Pensar antes de agir

Mudar de carreira é uma das decisões mais significativas e difíceis de tomar por quem, a dada altura e seja qual for a razão, resolve iniciar um novo capítulo na sua vida profissional. Para não cair em opções erradas, é fundamental considerar alguns pontos relevantes:

1)Ter um plano. Atirar-se de cabeça para a primeira oferta que aparece só porque se pretende fugir a um trabalho ou a um chefe que causa stresse ou que consome todas as energias, ou quando, ainda por cima, se é mal pago, pode acabar por ser a pior opção. É necessário ter uma estratégia de mudança, pensar muito bem onde vão desenvolver-se as novas competências ou que tipo de formação será fundamental reforçar.

2) Um erro muito comum ocorre quando se quer mudar de carreira porque se detesta o trabalho que se tem, naquele momento. Será que não gostamos apenas daquelas funções ou de facto, não existe aptidão para aquela área de actividade, o que obriga a uma mudança radical de carreira? Analise maduramente se o seu desprazer advém do tipo de tarefa que está a fazer, do chefe, do ambiente de trabalho, do ordenado pouco compensatório ou se é mesmo uma falha de vocação que mina a carreira que está a seguir. Se esta última é a opção que escolheu, aposte num plano estratégico de mudança.

3) Não caia no erro de mudar de carreira para ceder a pressões do marido, da mulher, dos pais ou de quem quer que seja. Ceder a vontades externas quase sempre é sinónimo de ressentimentos e desmotivação.

4) O dinheiro traz felicidade? Sem dúvida que ajuda, mas compensa tudo? Horas preciosas da nossa existência despendidas numa profissão sem grandes ganhos motivacionais em troca de um ordenado chorudo até pode compensar a curto prazo, mas é um preço demasiado elevado a pagar num cenário temporal longo. Pondere bem se vai aceitar um cargo apenas pela compensação monetária. É fundamental manter a saúde, a sanidade mental e os níveis de stresse controlados.

5) Se já interiorizou a ideia de que vai mudar de área de actividade, examine todas as probabilidades que estão à sua disposição. Faça pesquisa, troque impressões com quem faz parte da sua rede de contactos ou procure ajuda especializada em empresas de recrutamento e selecção.





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