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As empresas são nossas amigas

15.04.2005


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Cátia Mateus e Paula Santos

UMA EMPRESA ou uma organização amiga da sociedade é aquela que satisfaz as necessidades dos clientes, gerindo simultaneamente as expectativas dos trabalhadores, dos fornecedores e da comunidade em geral. Mas o espírito da responsabilidade social nas empresas (RSE) vai além do «fazer por obrigação» e exige, acima de tudo, convicção.

Foi com esse espírito que esta semana, em Paris, o Presidente da República, Jorge Sampaio, apelou a uma comitiva de empresários portugueses e franceses para que a responsabilidade social fosse assumida como um pilar da estratégia e organização das empresas. «Numa sociedade em que a empresa desempenha um papel fundamental como criadora de riqueza, geradora de iniciativa e fonte de emprego, esta não pode alhear-se da realidade social que, na prática, condiciona», lembrou o PR.

Jorge Sampaio defendeu ainda a necessidade de um sistema tridimensional que conjuga os resultados financeiros e as preocupações ambientais e sociais. Uma estratégia que muitas empresas sedeadas em território nacional já adoptaram.
Pioneira nas boas práticas sociais, a Portugal Telecom (PT) desdobra-se, há 16 anos, em múltiplas acções para crianças, idosos e deficientes. Só no ano passado, «a empresa esteve envolvida em 709 iniciativas com mais de 600 instituições», sublinha Teresa Salema, do gabinete de comunicação corporativa.

O programa de voluntariado empresarial foi baptizado «Aurora» e está aberto a cada um dos 16 mil colaboradores do universo PT. Quem gosta de se dedicar ao próximo pode escolher entre as várias acções que decorrem ao longo do ano, cingindo-se a um banco de horas com um crédito anual que varia entre um e cinco dias úteis por funcionário, sempre sem perda de retribuição ou de assiduidade.

Alegrar um dia da vida dos meninos seropositivos da associação «Sol» com um passeio ao Oceanário ou preparar uma megaceia de Natal para os sem-abrigo de Lisboa são algumas das iniciativas desenvolvidas pelos voluntários da empresa. Mas as acções sociais da PT não se esgotam no voluntariado. «A PT tem um portefólio de soluções para pessoas com deficiências de diferentes graus, como telefones para surdos ou Internet para cegos e paraplégicos, e concede bolsas de estudo aos filhos dos nossos colaboradores», explica Teresa Salema.

A Vodafone Portugal também leva a sério o espírito solidário, tendo apostado forte na protecção ambiental. Só no ano passado, a multinacional canalizou meio milhão de euros para combater os incêndios em Leiria, doando duas aeronaves ultraligeiras de detecção de fogos e nove viaturas de vigilância florestal para os bombeiros da região.

Na multinacional BP, os trabalhadores mais altruístas empenham-se de tal forma que chegam a pintar a cara para conquistar os sorrisos das crianças mais desfavorecidas. Advogados, técnicos de informática e funcionários administrativos vestem-se de palhaços, treinam afincadamente na garagem do edifício-sede, em Lisboa, e preparam-se para os espectáculos da Poptróleo Entertainment SI (Sociedade Irresponsável), criada há cinco anos.

Tal como a PT, a empresa aposta em várias áreas, desde a protecção do lobo ibérico às campanhas de prevenção de alcoolismo, passando pelo financiamento a centros de acolhimento a vítimas de violência doméstica. «Isto não é uma dádiva. É um investimento feito com base em valores que vão rareando e que reforçam também o valor da nossa marca», admite Fernando Cardoso, assessor do gabinete de comunicação da BP.

Uma opinião também corroborada por Armindo Monteiro, presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários. O líder dos jovens empresários acredita que as empresas portuguesas estão hoje mais sensibilizadas para a necessidade de adoptarem modelos de gestão socialmente responsáveis, mas adianta que a responsabilidade social não deve ser exercida como um favor.

A ANJE tem em curso vários programas neste domínio (ver www.anje.pt), mas a sua «batalha» quotidiana é sensibilizar os associados para uma gestão socialmente responsável. Armindo Monteiro adianta que «se a empresa se preocupar com a comunidade onde está inserida, a própria comunidade reconhece esse esforço e retribui o investimento».

Gonçalo Pernas, responsável pela RSE Portugal, uma das associações de RSE e Desenvolvimento Sustentável em Portugal, diz que «a responsabilidade social começa a ser vista como uma área transversal e estratégica para a organização e gestão empresarial». Apesar de não existir uma obrigatoriedade ou incentivo real para as empresas se tornarem socialmente responsáveis, o responsável refere que a maioria das organizações já entendeu que a comunidade valoriza estas iniciativas.


Radiografia da Responsabilidade

O GRUPO Inforpress acaba de divulgar os resultados de um estudo que efectuou junto de 64 empresas cotadas em Bolsa. Os dados revelam uma sensibilização crescente das organizações para as causas da RSE. Eis algumas conclusões:

- Em 55% das empresas inquiridas já existe uma pessoa responsável pela missão da RSE que reporta directamente à direcção da empresa

- 22% das empresas conferem alguma importância ao tema da RSE

- Apenas 12% consideram a responsabilidade social muito importante

- A protecção do meio ambiente (22%), a integração de pessoas com deficiência (20%), o fomento de planos internos de RSE (19%) e o financiamento de projectos sociais (16%) figuram entre as acções prioritárias das empresas neste campo

- Em 27% dos casos o Plano de RSE tem como objectivo reforçar a própria responsabilidade social, em 21% dos casos a meta é informar sobre acções sociais da empresa e em 19% dar a conhecer compromissos éticos e sociais

- Em termos de influência: 24% das empresas adiantam que o projecto de RSE aumentou a motivação dos colaboradores; 22% apontam o reforço do compromisso com accionistas de referência e 15% vêem como resultado mais directo a fidelização do pequeno accionista.





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