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As competências do futuro

As competências do futuro

Na Europa, o desequilíbrio entre o talento disponível no mercado e as necessidades das empresas é cada vez maior. Em cinco anos, o gap de competênciaas agravou-se 14% e é já uma das principais preocupações de empresários, gestores, instituições de ensino e recrutadores.

14.10.2016 | Por Cátia Mateus


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Ao longo dos últimos anos anos, Portugal soube posicionar-se como um polo de atratividade para inúmeras multinacionais tecnológicas que, atraídas pela crescente notoriedade do ensino tecnológico nacional e pela qualidade dos profissionais lusos, encontraram no país uma sede sustentável para a implantação dos seus centros globais de competências e de desenvolvimento. Centenas de empregos tecnológicos, altamente qualificados, foram criados em território nacional, reforçando a posição das CTEM (Ciências, Tecnologias, Engenharia e Matemática) como as áreas que mais emprego deverão criar a nível global nos próximos anos. Mas esta atratividade nacional tem associado um problema que começa, segundo os especialistas, a assumir contornos preocupantes em Portugal: o gap (desequilíbrio) de competências entre as necessidades das empresas e os candidatos disponíveis no mercado.

Na semana que antecede o arranque da primeira edição da iniciativa de recrutamento Expresso Emprego Universidades Job Fair — que une a marca de emprego do Expresso a um grupo universidades (Católica-Lisbon, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, ISCTE Business School, Instituto Superior de Economia e Gestão, Católica Porto Business School, Universidade de Aveiro, Nova SBE, UMinho Exec e o ISAG Instituto Superior de Administração e Gestão) na realização de um ciclo de três feiras virtuais de emprego com o objetivo de promover a empregabilidade jovem nacional — chamámos os líderes de algumas das instituições de ensino, empresas e recrutadores a debater os desafios do gap nacional de competências e do desemprego jovem.

Manter a atratividade nacional
Célia Reis, diretora-geral da Altran e vogal da direção da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC), é a primeira a colocar o dedo na ferida ao argumentar que “o facto de Portugal ser cada vez mais reconhecido como um bom destino para a instalação de centros de competências globais pode agravar este gap”, se não se conseguir reforçar a formação de perfis nestas áreas. Um estudo recente do Conselho da Diáspora Portuguesa aponta para que até 2019, o país tenha de formar entre 9 a 15 mil novos profissionais na área tecnológica, se não quiser perder a notoriedade que conquistou nos últimos anos junto das empresas internacionais e o seu potencial de atratividade enquanto cluster tecnológico e anfitrião de plataformas de nearshoring e centros de competências e desenvolvimento.

Paula Baptista, diretora da consultora de recrutamento Hays, reconhece o problema que, garante, não é só nacional. O último Hays Global Skills Index 2016, realizado pela empresa em parceria com a Oxford Economics, estudou as competências identificadas como prioritárias por empregadores de 33 países, entre os quais Portugal, para concluir que o fosso entre as necessidades das empresas e as competências dos candidatos é cada vez maior na Europa. Nos últimos cinco anos, este desequilíbrio agravou-se 14%. Portugal está entre os quatro países, entre os 33 analisados no relatório, onde ele é mais grave. Porém, realça Paula Baptista, “o mercado laboral recuperou algum dinamismo e, apesar de não ser suficiente para resolver alguns problemas estruturais, como o desemprego de longa duração ou o desajuste de talento, existe um esforço visível para os discutir e para uma comunicação mais produtiva entre o sistema de ensino e os empregadores”.

O papel das universidades
Os responsáveis das universidades contactados pelo Expresso confirmam-no. Entre eles, a ideia dominante é de que as instituições de ensino têm um papel decisivo na diminuição deste fosso entre as necessidades das empresas e o talento disponível. Seja pela “adequação da procura à oferta, através da formação em competências com maior procura”, como refere José Paulo Esperança, dean (reitor) da ISCTE Business School, seja pelo facto de a evolução dos contextos económicos, sociais e culturais globais solicitarem hoje competências de trabalho diferenciadas que as instituições de ensino devem saber formar, como explica Sofia Salgado Pinto, diretora da Católica Porto Business School.

Helena Faria, consultora de carreira do ISEG, reconhece que existem falta de profissionais “em quantidade e em qualidade” face às necessidades das empresas. Mas tal como João Falcão e Cunha, diretor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e Francisco Veloso, diretor da Católica-Lisbon, reconhecem, além das competências técnicas, as comportamentais são cada vez mais determinantes, nomeadamente a abertura ao mundo. A disponibilidade para aceitar novos desafios de formação e carreira fora da sua área de formação e a inteligência emocional são, hoje, fatores críticos para qualquer empresa.

Onde está o emprego?
A partir da próxima segunda-feira e até 6 ?de novembro o Expresso Emprego vai realizar, em parceria com várias universidades nacionais, um ciclo de feiras virtuais de emprego pensadas ?para unir os recrutadores aos jovens talentos. ?Há três feiras de emprego agendadas e centenas ?de oportunidades ?em várias áreas.

Recrutamento multissectorial
A primeira de ?três feiras virtuais ?de emprego dinamizadas no âmbito da iniciativa Expresso Emprego Universidades Job Fair acontece já a partir ?de segunda-feira. Através da plataforma universidades.expressoemprego.pt, e durante uma semana (até 23 de outubro), os candidatos poderão aceder a um vasto leque de oportunidades de trabalho multissectoriais lançadas por alguns dos principais recrutadores nacionais que estarão a contratar no Expresso Emprego. Durante esta semana poderá encontrar vagas em áreas tão diversas como o marketing, ?a gestão, consultoria, ?sector financeiro, banca, ?área comercial ou até saúde, turismo ou até ensino.

Imobiliário à procura de talento
É aos profissionais do sector imobiliário — que nos últimos meses tem registado uma dinâmica crescente nas contratações em Portugal — que se direciona a segunda feira virtual desta parceria entre o Expresso e as universidades. De 24 a 30 de outubro, os principais recrutadores do sector — quer se trate de empresas de construção, mediadoras imobiliárias, gabinetes de arquitetura e engenharia civil, empresas de gestão de património imobiliário ou outras organizações — utilizarão a plataforma da iniciativa para divulgar oportunidades de trabalho e identificar jovens talentos com ambição de consolidar uma carreira nesta área.

Tecnologias ?a contratar
É um dos sectores que gera maior número de oportunidades de trabalho diariamente, mas também um daqueles em que as empresas enfrentam maiores dificuldades de contratação pelo gap entre as competências dos candidatos disponíveis no mercado e as exigências das empresas. De 31 de outubro a 6 de novembro, a Expresso Emprego Universidades Job Fair é pensada para as empresas que querem contratar talento nesta área, e para os candidatos que procuram uma carreira promissora no universo tecnológico nacional e internacional. Há centenas de vagas para perfis tecnicamente muito sólidos, mas com as competências humanas certas.

Os novos perfis ?da engenharia
Em paralelo com o recrutamento de profissionais na área das TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação), a semana de 31 de outubro a 6 de novembro, servirá também para os recrutadores identificarem talento na área das engenharias. Um sector onde as prioridades de contratação das empresas têm vindo a sofrer alterações profundas a nível nacional, com uma crescente dinâmica da procura de engenheiros especialistas nas áreas de mecânica, eletrotécnica, industrial, informática e aeronáutica. Durante uma semana, este e outros perfis mais tradicionais da engenharia estarão na mira dos recrutadores nacionais que participarão neste evento de contratação.



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