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Aprenda a lidar com o stresse

O stresse profissional pode matar e começa a moer logo no inicio das carreiras mais exigentes. Em Portugal, são ainda poucas as empresas que fazem uma gestão organizacional do stresse
10.03.2006


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Marisa Antunes
Ansiedade, irritabilidade, coração acelerado, dores no estômago, na cabeça ou nas costas, cansaço, tonturas, insónia, falhas de memória e problemas de concentração. Estes são apenas os sintomas mais óbvios provocados pelo stresse, maleita responsável por cerca de 60% do absentismo na União Europeia, segundo a Agência Europeia para a Segurança no Trabalho.


O stresse mata e, se dúvidas houvesse, os relatórios científicas estão aí para confirmar. O mais recente vem publicado no jornal «Psychosomatic Medicine», onde se conclui que as pessoas cujos empregos são muito exigentes podem vir a sofrer de doença arterial logo a partir dos 30 anos. A pesquisa contou com a participação de mil homens, com uma idade média de 32 anos, sujeitos a uma maior ou menor pressão profissional. A conclusão revelou que no grupo de trabalhadores que enfrentavam uma carga mais elevada de stresse eram também mais frequentes doenças como a aterosclerose e a formação de placas nas artérias coronárias.

«A personalidade das pessoas determina a reacção ao stresse. Mas este revela-se frequentemente em trabalhos de grande sobrecarga qualitativa — onde se atribui muito significado às tarefas — ou quando se faz um trabalho que não se gosta, o que leva mesmo as pessoas a sentirem-se violentadas ao serem obrigadas a desempenhá-lo», explica Marco Ramos, psicólogo clínico e antigo director técnico do Instituto para a Prevenção de Stresse e Saúde Ocupacional, entidade sem fins lucrativos e que acabou por fechar em 2004 por falta de verbas.

«Em Portugal descura-se muito o stresse profissional e os passos dados são ainda muito imberbes», sublinha o especialista, autor de vários livros sobre o assunto, tendo desenvolvido uma pesquisa alargada através das associações nacionais de entidades patronais e de trabalhadores em Portugal para o seu livro Desafiar o Desafio.

«Em países como a Suécia, Holanda ou Noruega, as empresas fazem auditorias do stresse, onde se define quais as causas e os custos desse stresse e de que forma se pode reduzi-lo através de uma reestruturação organizacional», adianta Marco Ramos, que também lecciona na Universidade de Aveiro. Nos Estados Unidos, os programas são menos estruturais e mais direccionados para os indivíduos, ensinando-os a levar uma vida mais saudável que suavize o impacto do stresse.

Para lidar com a pressão é, pois, necessário fazer uma «reavaliação» dos factores perturbadores para depois os tentar alterar, explica o especialista. «Como, por exemplo, delegar tarefas em outras pessoas quando se está sobrecarregado de trabalho», sublinha Marco Ramos.

A psicóloga clínica Verena Santos, docente na Universidade Católica onde ensina os executivos a gerir o stresse no Programa de Desenvolvimento em Liderança, reforça: «É fundamental que exista um equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal. Quanto mais exigente for o emprego, mais as pessoas se devem cuidar ao nível do lazer».

«Aderir a técnicas de relaxamento e à modificação cognitiva dos seus pensamentos» ajuda a ludibriar o stresse, lembra a especialista, «uma vez que a forma de pensar afecta o modo como encaramos as circunstâncias». Na disciplina «Organizar-se e gerir o stresse» do programa para executivos, Verena Santos realça ainda a importância de os profissionais não se deixarem sucumbir a maus hábitos. «As pessoas que dormem pouco, que se alimentam mal, a horas desregradas ou que nem sequer comem, que bebem ou fumam demais, não aguentam com tanta facilidade a pressão no trabalho», sublinha a psicóloga.

O stresse profissional pode surgir das mais variadas circunstâncias. Verena Santos lembra que tanto pode afectar as pessoas com profissões muito exigentes como aquelas que não tendo grandes responsabilidades passam toda a vida a desempenhar uma tarefa que detestam ou, ainda, profissionais cuja carreira chega ao topo muito cedo e que se vêem subitamente sem grandes desafios para alcançar. Os salários baixos, a falta de perspectivas na progressão na carreira, o excesso de horas no local de trabalho com prejuízo para a vida familiar, a gestão de equipas de trabalho com níveis conflituais elevados são apenas alguns dos exemplos que explicam porque tanta gente perde a cabeça devido ao trabalho.

Bancários no limite

O excesso de horas de trabalho imposto aos bancários está a levá-los a recorrer cada vez mais aos psicólogos do sistema de saúde do sector. E não só. Como refere o presidente do Sindicato dos Bancários do Norte, Mário Mourão, «estas horas extraordinárias, que foram simplesmente impostas e nem sequer foram negociadas, estão a ter reflexos nas suas vidas privadas, pois nos últimos anos disparou a taxa de divórcio entre os funcionários».

Um inquérito realizado em todo o país junto de seis sindicatos da banca constatou que, em média, cada empregado fazia mais 14 horas de trabalho semanais, sem qualquer remuneração. Ou seja, cerca de mais três horas por dia.

Mas o excesso de horas não é a única queixa que chega aos psicólogos do sistema de saúde gerido pelos sindicatos. «Os bancários trabalham sob grande pressão, têm de cumprir objectivos semanais para a venda de produtos como cartões de crédito, por exemplo, e caso não os cumpram são penalizados», realça ainda Mário Mourão.





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