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Antes que seja tarde

24.03.2005


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Cátia Mateus

ENTRE 1992 e 2000, 1,4 milhões de trabalhadores mudaram de emprego em Portugal. Esta é uma das principais conclusões do estudo «Mobilidade dos Trabalhadores na Economia Portuguesa», elaborado por uma equipa de investigadores do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). O documento permite ainda constatar que, em média, 156 mil trabalhadores mudam de emprego todos os anos. São vários os factores que podem conduzir a uma decisão de mudança, mas a definição do melhor momento para trocar de emprego e o tempo ideal para permanecer numa empresa ou função é algo que está longe de se poder resumir numa «fórmula infalível».


Sónia Fernandes é licenciada em engenharia química e responsável pelo laboratório de controlo de qualidade e desenvolvimento de novos produtos, numa empresa de transformação de plásticos. Aos 28 anos, a jovem engenheira nunca mudou de emprego. Ingressou na empresa logo após o fim do curso, há cerca de quatro anos. Não nega que é comum, nesta área, os profissionais serem aliciados por empresas concorrentes, mas explica a sua fidelidade à empresa com «a riqueza de formação e conhecimento que me proporciona».

Se para alguns profissionais o salário dita as regras da mudança, para Sónia Fernandes «o mais importante é analisar as perspectivas de carreira e saber geri-la». Por isso esclarece que «na área da engenharia, e quando se trabalha em fábrica, tudo o que seja menos de cinco anos ligada ao mesmo projecto é uma experiência que não é valorizada em termos de mercado de trabalho, pois nem sequer permitiria conhecer os processos».

Mas se, para a engenheira, não há dúvidas de que «um currículo com poucas empresas é uma mais-valia e indicia estabilidade em termos de perfil profissional», para Marco Costa, comercial, a realidade é bem distinta. Aos 30 anos, apresenta já um currículo vasto de experiências.

Hoje trabalha na área da publicidade, mas já operou nos domínios da construção, seguros, telecomunicações e outros. As áreas são tantas quantas as empresas por onde já passou e Marco Costa acredita que «na área comercial, conhecer vários mercados e operar neles com sucesso é tão valorizado como a permanência na mesma empresa por longos períodos de tempo».

Por outro lado, este profissional não nega que «para um comercial se manter muito tempo na mesma empresa, será necessário que esta tenha um sistema muito forte de fidelização de recursos humanos, pois o assédio por parte das empresas concorrentes é muito e as ofertas salariais muito elevadas».

Estas realidades diversas não espantam Ana Luísa Teixeira, responsável pela empresa de «executive search» MRI World Wide, e Paulo Canoa, director da empresa de recrutamento Adecco. Para ambos os especialistas a determinação do tempo médio ideal para permanecer numa empresa é uma «fórmula» quase impossível de conseguir. Mas Paulo Canoa arrisca dizer que «em menos de dois anos e meio será difícil consolidar uma experiência profissional que seja valorizada no mercado de trabalho».

Mais céptica quanto à definição de prazos, Ana Luísa Teixeira diz que «se virmos as coisas em termos dinâmicos, o momento de mudar é aquele em que percebemos que estamos a marcar passo, que atingimos ou superámos os objectivos e que pouco mais poderemos evoluir naquela função ou empresa».

Porém, ambos os responsáveis referem que no mercado de trabalho nacional as experiências breves e constantes mudanças não são benéficas em termos de currículo. Paulo Canoa explica que «perante um percurso profissional ‘saltitante’ a empresa que recruta fica sempre de pé atrás e pensa se não estará a investir na contratação e formação de um funcionário instável e que sairá dai a pouco tempo».

Uma opinião corroborada pelo empresário Miguel Monteiro. Nas três empresas que lidera, e onde emprega já 240 colaboradores, «o tempo médio ideal para que um funcionário permaneça na empresa é o tempo de vida da própria empresa». Ou seja, «quando contrata alguém, o empresário deve tentar assegurar as condições necessárias para que esse recurso fique o máximo de tempo na sua organização». Miguel Monteiro refere que «de cada vez que se contrata alguém que dai a pouco tempo vai embora é a empresa que está a perder, seja em recursos gastos na formação seja em tempo desperdiçado».

 

O momento ideal para sair


SENTIR o apelo da mudança em determinada fase do seu percurso profissional é algo natural e até positivo. Esta necessidade de enveredar por outros caminhos não é necessariamente sustentada por razões de incompatibilidade com a organização onde está inserido. A simples vontade de experimentar outras realidades laborais pode ditar a sua decisão. Para saber se é de facto o momento de passar da vontade à acção, deverá analisar uma série de factores. Tome nota:


- Avalie até que ponto está motivado nas funções que actualmente ocupa

- Tente aferir de forma realista quais as suas aspirações na empresa e as probabilidades que esta lhe oferece em termos de progressão na carreira

- Analise o vínculo contratual que tem com a sua empresa e as regalias que pode ganhar com a mudança

- Pondere as opções que tem no mercado de trabalho, tendo em conta as suas qualificações

- Se pesou bem estas variáveis e a sua mente continua a pedir uma decisão de mudança, então provavelmente este será o momento ideal para «dar o salto»

 

 





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