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Acidente gera negócio

06.03.2003


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Cátia Mateus

JÁ IMAGINOU o que é criar um negócio por acidente? Parece-lhe uma hipótese pouco plausível? Pois saiba que em Portugal há pelo menos uma empresa que resultou de um acidente de trânsito. Chama-se Helisafe e consiste num sistema de recolha e análise de dados de sinistros automóveis, com recurso a uma fotografia tirada a partir do ar por helicópetros radiocontrolados. A ideia inovadora não mais é do que um produto da mente de três jovens empreendedores: Luís Grilo, Ana Costa e Jorge Tristany.











É uma realidade que provar a inocência de um automobilista num acidente nem sempre é fácil. As testemunhas regra geral não estão onde deviam, e muitas vezes não é fácil ter a uma primeira vista a percepção correcta de quem causou o sinistro.

Que o diga Luís Grilo, um engenheiro mecânico de 31 anos. Foram as dificuldades sentidas por este empreendedor na resolução de um acidente de viação que o levaram a delinear um "produto" que pudesse celerizar o processo de recolha de provas para peritagem. A necessidade gerou o projecto. Luís Grilo rodeou-se da equipa certa e em conjunto com Ana Costa e Jorge Tristany, uma gestora e um engenheiro mecânico, tornou real o projecto Helisafe.

Na sua essência, "o Helisafe consiste num sistema de recolha e análise de dados de um sinistro automóvel feito por um helicóptero à escala, radiocontrolado, que vai fotografar o acidente e tratar informaticamente os dados recolhidos para a peritagem", explicam os empreendedores. Luís Grilo, Ana Costa e Jorge Tristany não têm quaisquer dúvidas de que "este sistema permite uma análise bastante mais rápida, detalhada e precisa". E na realidade, foi esta certeza que motivou a criação da Helisafe. Para Ana Costa, "na sua essência, a Helisafe era um projecto e não uma empresa. O projecto existia e a empresa foi apenas uma consequência desse projecto". Uma ideia também corroborada por Luís Grilo e Jorge Tristany que acreditam que "uma empresa sem projecto tem muita dificuldade em sobreviver".

Com um projecto na mão e decididos a "agarrar" a oportunidade que o mercado lhes estava a dar, os três empreendedores lançaram-se no desenvolvimento do protótipo. Foi alías aqui que se concentrou o maior esforço da equipa. "O protótipo está avaliado em 40 mil euros e foram necessárias centenas de horas de investigação para ultrapassar as barreiras entretanto surgiram".

Contudo, a equipa estima que no final o investimento global ronde os 450 mil euros, "que serão alvo de candidatura em Bruxelas, ao fundo europeu na vertente de investigação, ciência e tecnologia", explicam. Neste momento, a equipa está a testar e optimizar o desempenho e dimensão as tecnologias a serem aplicadas. O "software" de análise de dados também se encontra em estudo e os três empreendedores esperam ter todas as componentes operacionais antes do final do primeiro semestre do corrente ano.

Mas apesar do mérito da Helisafe ter sido reconhecido a nível nacional e internacional - "o projecto foi apresentado num concurso nacional para jovens empreendedores e seleccionado para representar o país num certame em Bruxelas" - os três empreendedores não tiveram a vida facilitada na fase de lançamento do seu negócio. É certo que a empresa, pelo seu conceito inovador, não conta com qualquer concorrência directa ou indirecta no mercado, mas a implementação da ideia não foi fácil.

Segundo Jorge Tristany, "ao contrário das expectativas, encontrámos várias dificuldades na implementação da ideia, mas uma vez transpostas todo o processo têm-se revelado célere, apesar da sua complexidade".

De facto, aquela que os empreendedores esperavam ser a maior dificuldade estrutural - a obtenção de investimento - "foi rapidamente solucionada com o interesse de várias entidades e investidores estrangeiros que após a apresentação do projecto na cerimónia dos Eurowards em Bruxelas nos contactaram para parcerias", explicam.

Para já as prioridades da equipa centram-se na divulgação do projecto junto do meracdo e no aperfeiçoamento do protótipo. Mas adiantam que "face às caracteristicas inovadoras do projecto, antevê-se uma elevada aceitação do mercado e um crescimento sustentável". Neste momento a empresa ainda se encontra em fase de implementação.

Os empreendedores mostram-se conscientes de que o segmento de mercado onde pretendem actuar se encontra "estagnado em termos tecnológicos e por isso, o aparecimento do projecto Helisafe será revolucionários em vários níveis, nomeadamente na rapidez de resolução dos processos judiciais".

Além de registar e controlar de forma imediata os acidentes de trânsito, a Helisafe está ainda apta a aplicar os seus serviços ao controle de fogos, tráfego e outras situações.

Para Ana Costa, Luís Grilo e Jorge Tristany, "ser empreendedor em Portugal é uma missão quase impossível". Os três empresários explicam que "se antes do 11 de Setembro já era difícil a obtenção de fundos de investimento, com a descida dos lucros das grandes empresas e grupos a operar em Portugal, tornou-se ainda mais complicado".

Por isso, aconselham a que qualquer potencial empreendedor se prepare sempre para o pior, se mentalize que terá pela frente "longos meses de negociação, inúmeras apresentações do projecto e várias recusas dos investidores". Desta forma, as pequenas vitórias serão sem dúvida um grande corta-mato na implementação do seu negócio.

 


 





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