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«Recrutamos 80% em TT»

06.03.2003


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Ruben Eiras


Cerca de 80% da força laboral da LG Electronics em Portugal é recrutada através de trabalho temporário (TT). Quem o revela é Sofia Delicado, responsável pela gestão de recursos humanos daquela multinacional.

Segundo aquela responsável, o TT é uma óptima ferramenta para aumentar a eficácia do processo de recrutamento, dada a possibilidade de "prolongar" o período experimental do trabalhador.

Confrontada com a questão desta prática laboral implicar uma exploração do trabalhador, Sofia Delicado assegura que "logo no início, esclarecemos todo o processo com os candidatos. Temos uma política muito clara, transparente e focada no desempenho".

O método de recrutamento seguido pela LG consiste em três fases. Na primeira, os colaboradores são contratados em regime de trabalho temporário durante três meses, findo o qual são sujeitos a uma avaliação de desempenho. Se o resultado for satisfatório, os trabalhadores passam para o regime de contrato a termo durante seis meses. Consumada esta etapa, se a avaliação de desempenho for tida com positiva, o colaborador transita para os quadros da empresa.

Sofia Delicado salienta que esta forma de utilização do TT é uma óptima via para conciliar os interesses da empresa e do trabalhador. "Fica a empresa a ganhar porque consegue recrutar o trabalhador certo e ganha o colaborador, porque ao sentir que a empresa foi justa e recompensou o seu esforço, trabalha com mais motivação", explica.

Além de cortar custos no processo de recrutamento e de transformar custos fixos em variáveis, a directora de recursos humanos da LG opta pelo trabalho temporário devido à maior facilidade de triagem dos currículos. "Se colocamos um anúncio no jornal, surgem-nos 500 currículos que temos de analisar, o que consome imenso tempo. E muitos dos que são enviados não correspondem a nada do que pretendemos", observa.

Uma limitação que é eliminada pelos serviços de "outsourcing" proporcionados pelo TT. "As empresas enviam-nos um pacote, por exemplo, de cinco currículos escolhidos de acordo com o que pretendemos e assim podemos focalizarmo-nos no essencial, que é a análise o mais rigorosa possível das entrevistas aos candidatos. Na maior parte das vezes, acertamos na escolha, reduzindo assim os custos de rotatividade no longo prazo", advoga.

Embora a LG utilize os serviços do trabalho temporário para recrutar funções administrativas e comerciais de nível operacional, Sofia Delicado avança que já é possível "caçar" currículos qualificados, de quadros médios e pontualmente, até de quadros de topo. "Há cinco anos atrás ninguém com licenciatura entraria no mercado por via do TT. Mas isso já está a mudar e bastante. É que sai muito mais barato recrutar um quadro médio neste serviço do que através do 'executive search'", analisa.

Para a responsável da gestão das pessoas da multinacional sul-coreana, o mercado de trabalho português já entrou numa rota de flexibilização sem retorno, dada a mudança de mentalidade que está a ocorrer na sociedade. "Por isso, neste campo, o Código do Trabalho não vai alterar tanta coisa quanto se pensa. O mercado já está a flexibilizar-se por si mesmo", salienta. "Mas concordo com a ideia de se premiar as pessoas com mais férias que demonstrem um menor absentismo", remata.







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