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A Era da reconversão profissional

A Era da reconversão profissional

Desde o início do ano mais de 100 mil portugueses já perderam o emprego e a taxa de desemprego nacional não para de aumentar. Na semana em que a OCDE divulga uma nova subida no índice nacional de desemprego, que atingiu os 16,3% em outubro, a empresa de recrutamento Hays torna públicos os resultados do seu último Global Skills Index para 2012.
13.12.2012 | Por Cátia Mateus


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Portugal continua a falhar na ligação entre o que as empresas precisam e as competências que os profissionais têm para oferecer. Portugal não está a conseguir adequar o seu elevado número de desempregados às oportunidades de emprego disponíveis no mercado de trabalho. Esta é uma das principais conclusões do Hays Global Skills Index 2012, um estudo realizado pela empresa de recrutamento Hays a nível mundial. Segundo o relatório, o país apresenta mesmo uma das piores classificações a este nível, entre os 27 considerados. Para João Maia, key account manager da Hays, há muito que a balança laboral portuguesa está desfasada das necessidades empresariais. A inversão da tendência passa, segundo o especialista, por uma reconversão profissional urgente. Até porque “trabalhar em sectores e funções novas e desconhecidas poderá representar uma mais-valia em termos de competências adquiridas que só mais tarde será visível”, alerta o especialista. Adaptação é a palavra-chave para dar um passo em frente na superação do desemprego. O relatório de avaliação de competências da Hays reconhece que Portugal, tal como outros países, está em matéria de emprego e conjuntura laboral vulnerável ao impacto da crise económica, mas também alerta para uma desadequação de competências que os próprios especialistas admitem que não é nova e que nos últimos anos não se inverteu. Portugal tem atualmente a sua geração mais qualificada de sempre. Mas será que o país apostou na formação de profissionais nas áreas de que necessitava? E será a qualificação suficiente para garantir o desenvolvimento de competências vitais no universo empresarial? Aparentemente não. O relatório da Hays atribui uma nota de zero a dez a cada país, consoante as restrições e influências que o respetivo mercado laboral enfrenta. Portugal soma 5,3. O valor é calculado através da análise de sete indicadores que cobrem áreas como os níveis de ensino, a flexibilidade do mercado ou as pressões salariais em cargos e sectores altamente especializados. Segundo Alistair Cox, CEO da Hays, “o relatório demonstra que 16 dos 27 países analisados apresentam neste momento um desajuste e uma certa rigidez no mercado laboral, apesar do abrandamento económico global”. O líder da empresa de recrutamento explica que “o Hays Global Index 2012 evidencia um grande paradoxo no mercado de trabalho qualificado. Apesar de muitos países terem taxas de desemprego elevadas, os empregadores têm dificuldade em encontrar profissionais qualificados para preencher vagas disponíveis”. Ironicamente, adianta, “as competências que escasseiam em todo o mundo são precisamente as mesmas que poderiam ajudar a estimular o crescimento económico e, assim, criar novas oportunidades para os atuais desempregados”. No caso específico português, João Maia garante que “o problema revelado no relatório já é antigo e tem vindo a agudizar-se com o aumento do desemprego”. Segundo o especialista, “a evolução tecnológica e a competitividade dos mercados à escala global fazem com que seja cada vez amais necessária a integração de profissionais com um leque de competências técnicas e científicas que não existe em quantidade suficiente para suprir as necessidades do mercado”. Por outro lado, acrescenta, “os profissionais que possuem estas competências receiam arriscar uma mudança de emprego neste momento, dada a insegurança trazida pela conjuntura económica e as alterações na legislação laboral”. João Maia chama a atenção para o facto de Portugal continuar a formar licenciados em áreas de menor empregabilidade como alguns ramos das ciências sociais, ou em áreas educativas quando a tendência é para reduzir o quadro de docentes e o número de escolas, tal como sucede na construção que está a ser muito afetada pela conjuntura. Para o especialista, “a reconversão de empresas e profissionais poderá ser uma solução”, mas para tal é necessário ainda derrubar mitos. O primeiro dos quais é que trabalhar numa área que não corresponde à área de formação, pode ser uma mais-valia em matéria de aquisição de competências, alargamento de horizontes e captação de novas oportunidades. Mesmo que, como enfatiza João Maia, os resultados práticos desta aposta sejam apenas visíveis mais tarde. Depois, há que ter em mente que a mobilidade, adaptabilidade e sobretudo o empreendedorismo e a capacidade de inovar, são competências cada vez mais procuradas por quem recruta, pelo impacto positivo que podem ter na organização. “O empreendedorismo começa como uma forma de procurar ativamente uma mudança profissional ou um novo emprego, e fazemo-lo de uma forma estratégica, racional e não como uma missão quase impossível”, defende o responsável da Hays. Depois, é cada vez mais necessário ter uma postura racional no momento em que se decide a área de formação. Uma vida, várias profissões Os empregos já não são para a vida, as empresas também não. E as profissões? Para João Maia, os profissionais deverão interiorizar com a máxima urgência os benefícios de sair da sua zona de conforto e testarem novas áreas de atuação e desenvolvimento profissional, mesmo que isso implique uma viragem de 360º na carreira. Segundo o especialista, na reconversão profissional reside parte da estratégia de combate ao desemprego. E João Maia garante que quem recruta valoriza essa capacidade de mudar de rumo, de não cruzar os braços e de procurar novas alternativas. Isto para além das competências que uma intervenção profissional ampla e multidisciplinar confere a qualquer profissional. Portugal tem neste momento vários problemas em matéria de empregabilidade. “Tem excesso de mão-de-obra qualificada em sectores que não estão a crescer no país (como a indústria e a construção), tem falta de profissionais técnicos especializados em áreas como as técnicas e científicas e está a braços com um problema de aumento da emigração da pouca mão-de-obra qualificada especializada que tinha, devido à pouca competitividade do mercado nacional”, explica. Inverter esta realidade é urgente e passará forçosamente por “atrair investimento para o país em sectores como o industrial e disseminá-lo por diversas regiões, aproveitando as bolsas de desempregados existentes e apostando na formação e reconversão destes profissionais, mas também pela adequação da oferta formativa do país às necessidades reais das empresas e pela criação de estabilidade e dinâmica ao mercado laboral que permita aos profissionais qualificados que estão a abandonar o país, regressarem”, defende João Maia. Para o especialista tão urgente como tudo isto, é que os profissionais portugueses percebam o que o mercado procura e precisa e saibam adequar-se a isso, requalificando-se. As áreas tecnológicas continuarão, segundo adianta, em crescimento nos próximos anos, “seja nos ramos das TI, seja nas áreas ligadas às ciências da saúde, biotecnologia e afins”. Em crescimento está também o sector dos cuidados de saúde, sobretudo vocacionado para os seniores De que modo pode contribuir nestas áreas?


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