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A arte de não destruir a sua própria vida

María de Jesús Reyes, autora do livro ‘A Arte de Arruinar a Sua Própria Vida’, mostra como a comunicação é uma ferramenta eficaz para o sucesso
19.04.2007


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Mafalda Avelar
Saber comunicar é a palavra-chave para se obter sucesso pessoal e profissional. “Comunicar bem é o êxito; comunicar mal o fracasso. Uma pessoa até pode ser boa profissionalmente mas se não sabe comunicar e relacionar-se bem está destinada ao fracasso”. Quem o afirma é Maria de Jesús Álava Reyes, psicóloga clínica com mais de 25 anos de profissão, que viu o seu nome ser reconhecido no mundo editorial como autora de ‘A Inutilidade do Sofrimento', que já vendeu milhares de exemplares por esse mundo fora.

Caminho igual parece seguir o seu livro ‘A Arte de Arruinar a Sua Própria Vida — do sofrimento inútil às relações inteligentes', que apesar de recente também já é um «best-seller». “É um título um pouco provocador mas tem uma razão muito clara: quando nascemos, nascemos com a grandeza da vida. É um presente fantástico: nascemos a saber viver. O bebé sabe comunicar muito bem, sabe relacionar-se com o exterior. Não fala e sem qualquer problema comunica quando está feliz e quando está triste”, afirma Reyes para quem o problema consiste no facto de que à medida que crescemos vamos deixando de saber comunicar e de saber fazer coisas que sabíamos. “Isto é: nascemos a saber viver e às vezes com 60 anos não sabemos viver. Esse é o grande drama e a razão pela qual às vezes arruinamos a nossa vida”.

Uma vida onde, segundo esta psicóloga, o saber pronunciar ‘não' às vezes faz a diferença, algo que crianças com dois anos fazem na perfeição. Sem problemas estas crianças comunicam ainda com pessoas de nacionalidades e culturas diferentes, uma capacidade que perdem quando são adultos porque deixam de saber comunicar através dos meios não verbais.

Comunicando de uma forma ímpar Reyes, que faz «coaching» há alguns anos — algo que como destaca está cada vez mais na ordem do dia nas grandes empresas espanholas —, aceitou o desafio de falar com o Expresso sobre uma perspectiva empresarial e de procura de emprego, dando dicas e desmistificando alguns mitos. Para a especialista, “existe muita gente que pensa que se cruzar as mãos e se as colocar em cima da mesa, isso significa que a pessoa é fechada”. Ora “isso é uma palermice!”, diz a psicóloga que considera que “o importante da comunicação não verbal é que venha de acordo com a comunicação verbal. É importante que os gestos não desmintam as palavras. Os gestos são o que menos controlamos e aquilo que as pessoas mais reparam”, afirma acrescentando que “por isso não é tão importante o que dizemos, mas a forma como o dizemos”.

Sobre a importância da comunicação na procura de emprego, Reyes, que trabalha muito com empresas e em processos de selecção, não tem dúvidas de que “a qualidade mais valorizada é a capacidade de comunicação”. Mas, enfatiza, comunicar não é falar. “Esse é um dos grandes erros que as pessoas cometem”. Reyes acredita que para se ser um bom comunicador tem que se ouvir primeiro. Há que criar um clima de proximidade e confiança com o entrevistador. Para se conseguir triunfar numa entrevista de trabalho, um dos conselhos que dá é que “nunca se tente vender muito. O que tem que fazer é logo no princípio observar muito bem. Existem muitas pessoas que têm a necessidade de contar muitas coisas, que falam demasiado e a única coisa que fazem é cansarem o entrevistador”.

Numa entrevista o fundamental é: olhar para a outra pessoa, deixar que seja o entrevistador a marcar a pauta dos assuntos, não falar de temas que não se domina ou que sejam sensíveis, como a política ou valores pessoais. “Durante uma entrevista, devemos agir com naturalidade e sem teatros. Não há nada como a espontaneidade, o facto de sermos sinceros e honestos”.

Outra dica que deixa é da que “não nos devemos deixar levar pelas primeiras impressões. Estas podem estar erradas e podem condicionar a atitude”. E no que toca a ideias preconcebidas, Reyes, que confirma que a psicologia hoje não é tida como “sendo para loucos”, enfatizou a importância que a sociedade está a dar aos consultórios de psicologia.

As duas últimas horas das consultas desta psicóloga, por exemplo, são dedicadas a gestores e a executivos. “São sempre os que têm as crises maiores”, diz. Existe uma parte muito importante da psicologia aplicada às empresas que não se restringe apenas aos “testes psicotécnicos”, mas abarca o treino especializado, que se faz normalmente a cargos de chefia para que estes sejam capazes de se controlar melhor, de serem bons líderes, de resistirem perante as dificuldades e de criarem boas equipas. Reyes adianta que “30 a 40% das pessoas que vêm à consulta são executivos que se encontram em dificuldades profissionais. E, as grandes empresas, pelo menos em Espanha, quase todas dão às suas direcções «coaching»”.

Concluindo, Reyes afirma que “as pessoas antes iam ao psicólogo e não contavam. Hoje é ao contrário: vão e saem a contar. Em Espanha, diz-se que a psicologia está em toda a sociedade. O que também não é um bom índice e significa que algo está a ir mal. O que temos que fazer é educar as crianças desde pequenas para que não tenham que ir tanto ao psicólogo de adultos”. Tudo isso para não arruinarem a vida.




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