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«Universidades não são competitivas»

23.05.2003


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Ruben Eiras

PARA ganhar competitividade no mercado global, as universidades e os sistemas de formação profissional dos Estados-membros da UE terão que se articular para disponibilizar aos cidadãos serviços de aprendizagem ao longo da vida.








UE aposta na 'e-formação'


"As nossas universidades não são competitivas. A mudança de mentalidade é urgente: precisam de responder às necessidades das empresas e esbaterem as barreiras artificiais entre a educação e a formação", afirma Viviane Reding, a comissária europeia da Educação e Cultura, em declarações ao EXPRESSO, que esteve presente nesta semana no Mercado Mundial de Educação (World Education Market), realizado no Centro de Congressos de Lisboa.

Neste respeito, a dirigente europeia sublinhou que as entidades universitárias deverão encetar parcerias que as abram ao mundo exterior, como por exemplo, celebrarem "joint-ventures" com as empresas da região onde estão localizadas para formarem a sua força de trabalho. "Isto seria mais uma fonte de financiamento da universidade. E terá que ser assim, porque o investimento público já não pode subir mais. Está no limite do tecto", alerta.

Contudo, Viviane Reding ressalva que as universidades públicas deverão usar de cautela neste processo de liberalização, de modo a assegurarem o controlo da política da instituição. "Liberalizar o sistema público não significa torná-lo comercial, mas sim ligá-lo com maior profundidade à sociedade e libertar o seu potencial inovador", explica.

Erasmus global

No seguimento da aceleração do Processo de Bolonha - o qual visa a criação de um espaço único europeu de ensino superior - e de reforço da competitividade do sistema universitário europeu, a comissária europeia anunciou a criação do Erasmus Mundus, uma versão de maior escala do já conhecido programa Erasmus (intercâmbio de alunos universitários entre os países da UE).

A nova iniciativa possibilita aos estudantes de todo o mundo, e não só do continente europeu, frequentar formação pós-graduada com a certificação de "European Union Masters Courses". Estes cursos implicam a frequência em várias instituições de ensino superior de diversos Estados-membros.

Por exemplo, um aluno num curso de mestrado de quatro anos, poderá fazê-lo em Sorbonne, em Oxford, na Complutense de Madrid e terminá-lo na Universidade de Bona. O diploma contém a referência às quatro universidades e uma certificação de marca "europeia".

O Erasmus Mundus tem como meta criar, até 2008, cerca de 90 redes inter-universitárias que disponibilizem 250 "European Union Masters Courses".

Rumo ao multilinguismo


Aos estudantes provenientes de países fora do espaço da UE serão atribuídas bolsas de estudo. "Com este novo programa, não queremos só atrair mais alunos do mercado global para a zona europeia, mas também incentivar a mobilidade entre os Estados-membros, através do crescimento de uma cultura multilinguística e intercultural", especifica Viviane Reding.

Mas não só. O objectivo também é debelar as forças de resistência nos países da UE à harmonização imposta pelo Processo de Bolonha. "O Erasmus Mundus irá aumentar a qualidade do ensino superior, porque serão definidas normas de cooperação muito elevadas entre as universidades para manter o mesmo nível de exigência em todas as instituições", observa.

Além disso, a comissária europeia está confiante de que esta será mais uma pedra para a convergência das estruturas de graus académicos. "Ao encorajar a cooperação inter-universitária a nível dos 'masters', este movimento facilitará a adopção do acordado no Processo de Bolonha no que respeita às licenciaturas e mestrados", refere.

Relativamente a Portugal, Viviane Reding expressou a sua aprovação em relação à actuação do governo na introdução das reformas impostas pelo Processo de Bolonha, que classificou de "pró-activa".

Mas deixou um aviso: "As universidades que não se reformarem a tempo ficarão excluídas dos centros de excelência do conhecimento. As entidades já sabem o que têm a fazer. É tudo muito claro. Quem não actuar, certamente ficará fora da 'corrida'".



UE aposta na 'e-formação'

Cátia Mateus

ENCORAJAR as universidades europeias ao desenvolvimento de modelos virtuais de formação que permitam um maior intercâmbio entre os estudantes do espaço europeu é uma das metas do recém-lançado programa eLearning e enfatizada por Viviane Reding no World Education Market 2003.

Com um prazo de execução que se prolonga até 2006, o novo programa tem como objectivo basilar abrir as portas das instituições de ensino ao uso efectivo das tecnologias de comunicação e informação enquanto ferramentas de aprendizagem.

Trata-se de dar seguimento ao plano definido em 2000, na Cimeira de Lisboa, de onde resultou a definição de uma estratégia para a construção de uma Europa mais competitiva e voltada para a sociedade do conhecimento. Na sua essência, o programa eLearning visa promover a criação dos designados "campus virtuais" que ajudem a promover a mobilidade estudantil.

Por outra via, a iniciativa prevê a criação de um Plano de Acção eLearning, voltado para a disseminação, promoção e adopção de boas práticas testadas em instituições de ensino europeias.

Em pleno funcionamento, o eLearning deverá ser capaz de assegurar a cooperação e estabelecimento de parcerias entre o sector público e privado, assim como encorajar a participação das instituições de ensino em projectos de âmbito internacional relacionados com ensino à distância.

Este plano de intervenção chama também a si a "responsabilidade" de atrair a camada mais jovem da população europeia para a aprendizagem e prática das competências relacionadas com as novas tecnologias de informação e comunicação.









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