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“O mercado só está a absorver os melhores e os mais adaptáveis”

“O mercado só está a absorver os melhores e os mais adaptáveis”

A adversidade nacional gerou mudanças profundas na forma como se recruta em Portugal e no negócio das empresas cujo core de atividade é o recrutamento e seleção. Alexandra Andrade, diretora geral da empresa de recrutamento e seleção do Grupo Multipessoal, Msearch, fala na internacionalização de quadros como uma janela de oportunidade que empresas e candidatos devem saber agarrar. Mas além da globalização, outras regras mudaram, sobretudo para os mais jovens. Diz a especialista que a concorrência entre candidatos começa agora na entrada para a universidade e em todo o percurso académico. É que o mercado só recruta os melhores. 

10.05.2013 | Por Cátia Mateus


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A Msearch atua nas áreas de recrutamento e seleção de quadros especializados. Lançaram recentemente duas novas áreas de negócio - Assessment e Interim Management. Como justifica esta aposta no atual cenário nacional?
O contexto económico atual alertou-nos para a necessidade de alargar a nossa oferta de serviços. Estando atentos ao mercado, detetámos novas oportunidades de negócio, quer nos nossos atuais clientes, quer nos targets que atualmente a Msearch acompanha. A Msearch já desenvolveu processos de Interim Management e de Assessment, e tendo esse know-how, o objetivo foi dar autonomia a estas duas áreas.

Que objetivos querem atingir a médio prazo com estas áreas de negócio?
O objetivo é trazer valor acrescentado aos clientes com um portfólio de soluções de consultoria composto por ferramentas de gestão que nos permitem apresentar uma proposta feita “à medida”. Quanto melhor conhecemos os clientes, mais facilmente apresentamos uma solução em função das suas necessidades específicas, que poderá englobar os serviços de Recrutamento e Seleção Especializado, Intrim Managment ou Assessement. O grande desafio é apresentarmo-nos como uma empresa de consultoria tornando-nos numa extensão do departamento de recursos humanos dos nossos clientes, ou mesmo atuando como tal, quando esse departamento não existe. O desenvolvimento desta aproximação promove a antecipação das necessidades do cliente e a criação de uma verdadeira parceria.

Esta aposta estratégica foi impulsionada pelo atual cenário laboral em Portugal?
O resultado de uma análise efetiva do mercado levou-nos a alargar a oferta de serviços. O atual portfólio de soluções globais da Msearch vem ao encontro das necessidades dos nossos clientes e do mercado em geral.

Quais são as áreas especializadas em que a Msearch atua?
No Recrutamento e Seleção, a Msearch trabalha essencialmente três áreas: Finance & Banking, Sales & Marketing, Engineering & Technologies a nível nacional e internacional. A divisão de Finance & Banking trabalha um conjunto de profissões relacionadas com a Contabilidade e Finanças. São recrutados perfis que vão desde um contabilista ao diretor financeiro, passando pelo controller de gestão ou pelo responsável de contabilidade, englobando ainda as áreas de Recursos Humanos (RH), Jurídica e Assessoria. A equipa de Sales & Marketing seleciona perfis que vão desde um comercial ao diretor comercial, técnicos de marketing, marketing managers. Ao nível dos setores, a divisão de Engineering & Technologies está presente no recrutamento para o setor industrial, energia, logística, oil & gas, construção, facilities, serviços, bem como nas áreas tecnológicas, com perfis que vão desde um engenheiro de produção a um diretor fabril; comprador ao supply chain manager, diretor de manutenção e facilites, programador ao diretor de distemas de informação.
Qual o impacto da crise económica no negócio nacional da Msearch?
A Msearch cresceu nos últimos dois anos devido à sua estrutura e equipa ágil que permitiu a antecipação da mudança e rápida adaptação ao mercado e às suas novas exigências. Temos uma elevada percentagem de repeated business, decorrente do facto de trabalhamos permanentemente a gestão e fidelização dos nossos clientes, o que permite tornar as nossas soluções mais competitivas a médio longo prazo e conhecer melhor os nossos clientes, o que num processo de recrutamento minimiza o erro na apresentação e escolha dos candidatos. Cada vez mais os clientes procuram um parceiro que apresente soluções efetivas permitindo um retorno rápido e efetivo do quadro a recrutar. Por outro lado, temos feito uma forte aposta no recrutamento internacional desenvolvendo processos para qualquer ponto do globo a partir de Portugal, dispondo o Grupo também de escritórios em mercados emergentes como Angola, para apoio e pesquisa local de candidatos e soluções para os seus parceiros.

Só recrutam para Angola?
Nos últimos dois anos temos apoiado diversas empresas nos seus processos de exportação e internacionalização, ajudando o tecido empresarial a encontrar os profissionais certos para cargos chave. Temos desenvolvido inúmeros processos para países de economias emergentes como Angola, Moçambique, Brasil e alguns países do Magreb, recrutando vários cargos desde diretores comerciais, diretores financeiros, diretores de recursos humanos, diretores de indústria, a diretores gerais, além de técnicos especializados, uma vez que estes países têm carência destes profissionais.

Qual o peso do mercado internacional na Msearch?
No ano passado, cerca de 40% das nossas colocações foram internacionais, sendo a maior parte quadros médios e superiores.

A empresa registou quebras no seu volume de negócios e faturação?
As quebras no mercado nacional foram mais do que compensadas pelo crescimento no mercado externo.

Qual dos vossos segmentos tem reforçado a sua dinâmica apesar da crise?
A área que teve maior impacto positivo foi a divisão de Engineering & Technologies, tendo em conta que o R&S Internacional tem-se acentuado principalmente nos setores industrial, energia, logística, oil & gas, construção, facilities, serviços, bem como nas áreas tecnológicas.

Quantas pessoas colocou a Msearch no mercado de trabalho no ano passado?
Cerca de 200 profissionais no ano passado, sendo que cerca de 40% foram colocações internacionais de quadros médios e superiores.

É uma evolução positiva face a 2011?
Sim.

Quais os setores que estão a gerar maiores oportunidades em Portugal? É possível falar de setores imunes à crise?
Não há setores imunes à crise. Seja por uma afetação direta, seja pelo sentimento generalizado de desconfiança que existe no mercado, todas as empresas se tornaram mais cautelosas. Sentimos no entanto que existem empresas diferenciadoras que se encontram em contraciclo, nomeadamente PME’s exportadoras, que sendo mais ágeis e dependentes da exportação, acabam por conseguir manter ciclos de crescimento. Atualmente as funções de suporte ou de alavancagem comercial à exportação são solicitações que recebemos com frequência por parte dos clientes, as chamadas posições de “confiança”, muito ligadas à vertente financeira do negócio ou as funções comerciais, são as que continuam a registar maior procura, isto sempre ligado ao lançamento e fortalecimento de projetos internacionais.

Que perspetivas traça para evolução da atual taxa de desemprego?
Sobre este tema existem grandes incertezas, estando este indicador totalmente dependente da evolução económica de Portugal. As últimas estimativas do Governo apontam para uma taxa de desemprego de 18% em 2015, pelo que o cenário não é animador. Apesar desta conjuntura, temos conseguido continuar numa tendência de crescimento, decorrente essencialmente da aposta no recrutamento internacional.

Que medidas considera essenciais para travar a escalada do desemprego?
Esta variável está dependente do crescimento económico, que depende do investimento. É fundamental investir em novos projetos para estimular a economia e criar novos empregos.

O que está a mudar na gestão de RH?
As funções dos departamentos de RH foram durante algum tempo subvalorizadas. Hoje um profissional de RH tem um papel fundamental numa empresa, na motivação do capital humano e no seu ajustamento às necessidades e cultura das organizações. É essencial que um gestor de RH conheça muito bem a estratégia da organização, pois só assim consegue a todo o momento ajustar o seu capital humano. Conforme refere Simon Dolan: demografica, social e economicamente o tema do emprego mudou tanto que o profissional dos recursos humanos tem e terá um grande protagonismo nos próximos anos. É importante que cada profissional saiba o peso dessa responsabilidade e, nesse âmbito, exija cada vez mais de si.

Quais os principais desafios das empresas nacionais nesta área?
Os principais desafios são três: conseguir ter o quadro de pessoal permanentemente ajustado aos planos de negócios das empresas que, com a atual conjuntura deverão ser revistos com regularidade. Aqui é essencial a polivalência dos recursos humanos e a capacidade da empresa no desenvolvimento de competências dos mesmos, o desenvolvimento de modelos que permitam detetar e reter talentos, pois é fundamental as empresas terem quadros que façam a diferença dentro das organizações e redesenhar modelos que permitam de forma objectiva avaliar e premiar a meritocracia. 

As empresas estão a saber adaptar-se?
A conjuntura económica está a obrigar as empresas a reorganizarem-se operando de uma forma mais eficiente e eficaz, fazendo mais com menos recursos. As empresas têm de se ajustar às novas realidades do mercado para continuarem a ser competitivas. Outro ponto importante é o facto de sermos obrigados a pensar no nosso trabalho sem fronteiras. Nos últimos anos temos assistido ao processo de internacionalização de várias empresas nacionais o que tem resultado em oportunidades de carreira no estrangeiro.

Como pode um jovem destacar-se atualmente no mercado de trabalho?
Investindo no currículo quer na formação, quer em atividades extracurriculares e intercâmbios internacionais. A aposta nos idiomas e em experiências profissionais durante a formação académica, são claramente elementos diferenciadores que os irão fazer sobressair.

Faz sentido continuar a investir numa licenciatura perante a atual taxa de desemprego jovem?
Sim, claro, Recursos Humanos com formações elevadas, as chamadas hard skills (competências técnicas), continuam a ser altamente valorizados, sobretudo num mercado de trabalho em grande mudança. Mas os nossos jovens têm de privilegiar também competências complementares como a preparação para viver noutras geografias, realizar experiências profissionalizantes durante o curso e a aposta duas ou três línguas. As melhores oportunidades continuam a surgir para quadros licenciados, a maioria das quais para jovens com mestrado integrado (3+2 anos), pelo que a competitividade muitas das vezes mencionada no percurso profissional se antecipou e é hoje necessária já durante a formação académica. O mercado só está a absorver os melhores e os mais adaptáveis. É fundamental que os jovens se preparem para a entrada no mercado de trabalho desde o momento da sua entrada no ensino superior.



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