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Tecnologias, a nova forma de contratar

Tecnologias, a nova forma de contratar

A plataforma Job Deploy quer tornar mais justa a contratação na área das Tecnologias de Informação.

12.10.2017 | Por Cátia Mateus


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Tiago Catarino chama-lhe “IT fair contracting” (IT da sigla em inglês), um modelo de recrutamento justo em tecnologias de informação (TI) em que todas as partes — empresas e profissionais — sabem quanto estão a pagar e quanto estão a receber. E foi nele que o gestor se baseou para a criar a plataforma Job Deploy. O conceito é simples: permitir a qualquer empresa contratar profissionais em regime de outsourcing de forma transparente e justa e com uma taxa de apenas 10%. Um valor que segundo o CEO da plataforma fica “muito abaixo dos cerca de 20% a 40% praticados pelas empresas que fornecem serviços neste mercado”. A Job Deploy iniciou atividade em maio deste ano e soma já 100 profissionais e dez empresas tecnológicas, nacionais e estrangeiras, agregadas. A meta é atingir, em três anos, mil profissionais.
 
Em Portugal, segundo uma estimativa avançada pelo líder da Job Deploy, cerca de 20 a 25 mil especialistas em tecnologias de informação trabalham em regime de outsourcing. Ou seja, são contratados por empresas intermediárias para desenvolverem projetos em clientes finais. Um modelo que existe para dar resposta a empresas que não podem aumentar a sua estrutura de custos fixos alargando os seus quadros de pessoal. Durante mais de uma década, Tiago Catarino trabalhou com estes profissionais em empresas como a Olisipo ou a Rumos. A experiência e conhecimento de mercado que capitalizou neste percurso serviram-lhe para estruturar uma plataforma que quer marcar a mudança na forma como se contratam especialistas tecnológicos, não só em Portugal mas na Europa.
 
O modelo de funcionamento da Job Deploy é simples e começa por eliminar os intermediários “que se apropriam de parte significativa do valor gerado pelo trabalho dos profissionais”, explica. Ao reduzir esta equação, a plataforma torna o processo de contratação e remuneração mais justo já que permite, segundo o CEO, canalizar a maior parte do investimento da empresa que contrata para a remuneração bruta da pessoa contratada, ao invés de alimentar uma cadeia de intermediários.
 
Em média, um profissional de TI em início de carreira tem, em Portugal, uma remuneração entre €800 a €900 líquidos. Um perfil mais experiente, mas não sénior, receberá entre €1500 a €2000 líquidos mensais. “Há um diferencial de cerca de 40% entre estes valores, que os profissionais recebem, e o que a empresa efetivamente paga aos intermediários, as empresas de outsourcing”, explica Tiago Catarino. Para o CEO, “o serviço das empresas de outsourcing é sobrevalorizado no mercado e é por isso que, neste processo pouco transparente, estas empresas ficam com cerca de 20% a 40% do valor investido pelo cliente, ficando os profissionais de Tecnologias de Informação (TI) sem receber uma remuneração equivalente ao valor que produz nesta cadeia”.
 
Vínculo contratual
Muitos destes profissionais estão integrados nas equipas das empresas-cliente, em funções com tanta relevância como aqueles que são contratados internamente. Alguns acabam até, ao final de algum tempo, por desempenhar funções muito relevantes que nunca se traduzem em grandes aumentos salariais. São, garante Tiago Catarino, profissionais que “têm interesse em estabelecer um vínculo contratual, querem fazer descontos para a Segurança Social e fazer retenção para as Finanças, mas acabam por ficar reféns de práticas contratuais injustas, por vezes mesmo abusivas, que colocam em causa o seu crescimento profissional e a sua justa remuneração”.
 
O modelo da Job Deploy foi pensado para alterar este cenário. A plataforma não só elimina os intermediários, ao digitalizar todo o processo de contratação, como coloca os candidatos em contacto direto com as empresas que querem contratar e estabelece um contrato de trabalho com cada profissional. “Na Job Deploy não trabalhamos com freelancers. Cada profissional agregado na plataforma tem connosco um contrato de trabalho”, explica. Com a empresa-cliente, a Job Deploy tem um contrato de serviços associado à duração do projeto desse cliente. A inscrição na plataforma é gratuita, mas funciona apenas por convite. Por outras palavras, como a Job Deploy não realiza processos de seleção, são as próprias empresas que convidam os profissionais que considerem cumprir os requisitos a integrar a plataforma.
 
A Job Deploy, explica Tiago Catarino, não tem qualquer intervenção nas condições oferecidas pelas empresas aos candidatos. O processo é totalmente conduzido pela empresa junto dos profissionais e a plataforma não tem qualquer intervenção em questões como a remuneração. De resto, realça Tiago Catarino, uma das grandes mais-valias da plataforma é disponibilizar um simulador que permite que profissionais e empresas saibam quanto será a remuneração do colaborador, tendo em conta o investimento realizado pelo cliente naquele projeto. “Ambas as partes recebem um documento com a discriminação de cada parte do valor pago pelo cliente à Job Deploy: o valor da remuneração, o valor dos impostos e descontos associados ao contrato do colaborador e os 10% de taxa da Job Deploy”, explica.
 
Tiago Catarino defende que a plataforma poderá ter um papel ativo na retenção destes talentos em solo nacional, mesmo que possam trabalhar para clientes estrangeiros, ao mesmo tempo que é um importante aliado de recrutamento para empresas internacionais que vinham a Portugal contratar e que podem agora fazê-lo por esta via. E fala ainda de outras mais-valias: “o objetivo é fomentar uma rede de profissionais que se referenciam mutuamente. Na plataforma há anúncios de emprego cujo acesso é exclusivo aos membros. Só eles podem referenciar pessoas que conhecem para as ofertas de emprego e caso alguma das suas referências seja contratada, receberão uma comissão equivalente à primeira taxa de 10% da Job Deploy.”
 
Em quatro meses a Job Deploy agregou uma comunidade de 100 profissionais e dez recrutadores. A meta de Tiago Catarino é alcançar os 1000 profissionais em três anos e internacionalizar para outros mercados. Inglaterra, França, Alemanha e Suíça são mercados preferenciais. A operação internacional arranca já no próximo ano. 


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