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Quando o que conta é a pergunta certa

Quando o que conta é a pergunta certa

A regra para o sucesso? Pensar como principiante.

21.02.2018 | Por Margarida Cardoso


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“No futuro, o mais importante não é ter a resposta, mas sim saber fazer as perguntas certas”, afirma Ramon O’Callaghan, presidente da direção da Porto Business School (PBS), onde preparar um gestor é, cada vez mais, estimulá-lo a pensar, a questionar, sob o lema make the change happen (faz a mudança acontecer). Do lado das empresas isto significa “esquecer as receitas muito rápidas”, “mudar de paradigma”. “A indústria tem de trocar a perspetiva do especialista pela perspetiva do principiante”, diz este professor espanhol, na liderança da PBS desde 2015. Para ele o papel das escolas de gestão é, precisamente “alimentar este novo espírito”, estimular o “tentar no erro”, “experimentar”, “abrir a mente a novas ideias e perspetivas”.

Quando o líder é chamado a decidir em contexto de incerteza, é fundamental “saber capitalizar a mudança à sua volta e reagir de forma ágil, com uma parte do cérebro focada na mudança e outra parte no dia a dia”, diz. Os líderes do futuro, precisam de estar aptos a compreender os riscos e as oportunidades, as tendências sociais, culturais, políticas, ambientais, “têm de conseguir identificar os principais stakeholders relevantes para a sua organização, compreender como é que a organização tem impacto junto deles, ter capacidade de dialogar e estabelecer parcerias com eles”, defende. “E tem, obviamente, de saber executar, passar das palavras à ação e ter resultados”, acrescenta.

A experiência na Porto Business School, que este ano celebra o 30º aniversário, mostra que o curso mais procurado ainda é o Curso Geral de Gestão, e que o MBA Executivo é, cada vez mais, um investimento pessoal. “No passado, 80% eram apoiados pelas empresas e 20% eram pagos pelo próprio”, mas hoje, diz, o quadro inverteu-se, “as pessoas querem ter mais liberdade e investem na própria formação para procurar um emprego melhor”. E como é que um espanhol de 63 anos que viveu na Ásia e em diversos países da Europa vê Portugal? “É um país mais confiante do que quando cheguei”, responde Ramon O’Callaghan.

O seu trajeto em países como o Cazaquistão e a Holanda ajudou-o a “perceber que há coisas muito semelhantes nas diferentes geografias, porque negócios são negócios em todo o lado”. Já sobre os pontos fortes do país, não hesita em destacar “as pessoas”. Para explicar esta ideia fala de “talento”, de “competências” do “nível de educação” e refere o ranking mundial de competitividade do World Competitiveness Center, que tem a PBS como parceiro para as estatísticas lusas. Portugal aparece na 39ª posição entre 63 países e “destaca-se em primeiro lugar pela educação”. “Neste indicador, o país está em 19º lugar”, afirma o professor que antes de aceitar liderar a PBS estudou o ranking das 100 melhores escolas de gestão do “Financial Times”. “Vi quantas escolas de cada país estavam nesta lista, dividi pelo número de habitantes e percebi que Portugal ficava em segundo lugar, logo atrás do Reino Unido. Foi uma boa surpresa.”

No programa da escola, uma das regras é conhecer o tecido empresarial da região o que significa, por exemplo, ter um programa especial em parceira com uma escola têxtil da Alsácia que combina aulas com visitas a empresas deste sector, ou pensar em desenvolver uma oferta específica vocacionada para as empresas familiares.

TRÊS PERGUNTAS A Ramon O’Callaghan
Presidente da direção da PBS

Diz que temos de aprender a ver o mundo com os olhos de uma criança. Porquê?
Porque as crianças não são movidas pela experiência. Se pensarmos que os especialistas são conduzidos pelas respostas e hoje as questões não são as mesmas do passado, percebemos que temos de ter uma mente mais inocente, flexível, aberta à mudança, a novas ideias.

E como é que a escola trabalha isso?
As pessoas ainda vêm muito à procura de um programa de contabilidade ou de fiscalidade, mas nós tentamos captar a atenção dos líderes para o futuro, procuramos ajudar a preparar a mudança.

As empresas estão a preparar-se para este novo quadro?
Nem todas. A resposta vai sempre depender do tipo de indústria, da escala da empresa. Numa grande empresa será mais fácil ter pessoas com competências para preparar o futuro, a capacidade de treino é maior, às vezes até há academias internas. O verdadeiro desafio é apanhar o segmento das empresas mais pequenas, onde o trabalho do dia a dia não dá tempo para a reflexão estratégica.



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