Carreiras

A Sede de Escrever.... por Rita Romão



01.01.2000



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A Sede de Escrever.... por Rita Romão

Jornalista

Enfrentar uma folha em branco para mim era o melhor que me podiam dar.
Em pequena inventava histórias, escrevia poemas, passava horas com uma caneta na mão e a inspiração nunca faltava.
Chegar ao fim e assinar...Rita Romão era o meu maior prazer.
Desde cedo percebi que o que queria mesmo era escrever e foi assim que optei por fazer um curso de Comunicação Social.

Entrei na Universidade Nova de Lisboa, foi um percurso feito com entusiasmo mas dificil, no entanto temos de admitir que um curso é sempre um bom investimento.
Quando terminei o meu percurso académico deparei com uma concorrência bastante grande, não desanimei e sobretudo quis experimentar tudo para ver o que mais gostava...corri de facto tudo, estive em televisão, em rádio, em revista e em jornal online.

Televisão é giríssimo mas muito cansativo porque existe um stress constante e os horários são verdadeiramente alucinantes.
Só para terem uma ideia...quem está no turno das cinco da manhã para começar a elaborar os primeiros jornais, tem que no mínimo levantar-se às quatro.
Podem assim ter uma ideia da loucura que é trabalhar em televisão, mas não fica por aqui...Existem imensas reportagens ou entrevistas para as quais os jornalistas não estão preparados e vão a escrever as perguntas já no carro de reportagem em cima do joelho.

Claro que para quem gosta da confusão e do stress acaba por compensar, é um trabalho apaixonante porque nunca se sabe o que se vai encontrar, além disso conhecem-se pessoas interessantíssimas e factos que jamais teríamos conhecimento se não fosse estarmos numa profissão como esta.
Durante o percurso académico e actualmente, faço questão de ir a todos os colóquios e conferências que digam respeito à minha profissão, penso que é fulcral para me manter actualizada.

Se querem mesmo saber como é o conturbado dia-a-dia do jornalista, então, leia com atenção...
Deitar cedo e cedo erguer está fora de questão, pelo menos metade da história... a parte do deitar cedo, é claro.
Ao acordar, na maior parte das vezes o jornalista parece mais um zoombie, aqueles mortos vivos que se vêm nos filmes de terror da televisão.
Mas, depois de um bom café tudo se resolve, o jornalista transforma-se e é um novo homem.

Sai de casa e como toda a gente enfrenta as habituais filas de trânsito, chega ao trabalho e se tiver alguma reportagem ou entrevista para fazer lá está ele de volta ao trânsito. É o que acontece comigo, com a agravante de em inicio de carreira ainda não ter carro e ter de me deslocar de transportes para todo o lado, um verdadeiro inferno! Mas enfim, são os ossos do ofício!
A carreira de um jornalista pode ser fantástica e deve sempre ser focalizada numa constante actualização de conhecimentos.

Foi por isso que sempre frequentei as conferências que já referi...A Cultur Gest por exemplo já era a minha segunda casa... tudo porque acho que uma boa cultura geral é essencial para uma boa carreira de jornalista.
Depois de experimentar tudo e mais alguma coisa resolvi assentar.
Hoje trabalho numa rádio que nem tem uma projecção por ai além, no entanto sinto-me plenamente realizada porque faço exactamente o que realmente gosto.






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