Carreiras

Potenciar e humanizar o trabalho



01.01.2000



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Potenciar e humanizar o trabalho

Por João Salgado, Gestor de Recursos Humanos

Nunca gostei da escola e esse foi o principal motivo para que tivesse optado por fazer carreira em Recursos Humanos! Eu explico...

Nos meus tempos de estudante era um activista, estava sempre a reivindicar melhores condições para os alunos. Fui presidente da Associação de Estudantes e uma das minhas funções era a de comunicar ao Conselho Directivo e ao Conselho Pedagógico as queixas dos alunos: infra-estruturas insuficientes, más condições das infra-estruturas existentes, excesso de trabalhos, fraca qualidade do ensino e a consequente falta de preparação para os exames, e a lista podia continuar...

Andava já no 11º ano e quando me perguntavam que curso queria tirar, dizia sem convicção que queria ser advogado. Sentia-me mal na escola, os programas curriculares não se adaptavam às necessidades dos alunos, mandavam-me fazer trabalhos e ler livros que nada tinham a ver com as minha aptidões e tinha sérias dúvidas acerca da utilidade profissional de muitas matérias que me queriam ensinar. As salas eram frigoríficos no Inverno e saunas no Verão, as cadeiras e mesas pareciam saídas do ferro velho, não havia computadores para todos e as relações com os professores eram distantes.

Enfim...não dava gosto estudar.
"Como é que eles querem que tenhamos aproveitamento escolar se não nos oferecem condições para trabalhar?" Eram questões como esta que faziam parte das minhas incursões reivindicativas, como aluno e presidente da Associação de Estudantes, aos órgãos superiores da escola e foi numa dessas incursões que a presidente do Conselho Directivo me disse: "Tu tinhas jeito para político! Ou então para Recursos Humanos!" E eu perguntei-lhe: "O que é isso?" Está tudo explicado...

Hoje sou gestor de Recursos Humanos numa empresa de telecomunicações. As minhas funções passam por recrutar colaboradores que tenham o perfil adequado para os objectivos da empresa e adaptar os colaboradores aos "programas curriculares empresariais", ajustando as aptidões de cada um às funções que lhes são atribuídas. Outra área de que me ocupo é a de desenvolver novas competências através da promoção de acções de formação profissional, enriquecendo o valor laboral dos colaboradores e da empresa. De uma maneira geral, trata-se de simultaneamente potenciar e humanizar o mais possível o trabalho. Isto implica uma preocupação com as necessidades da empresa e, logo, dos colaboradores - tanto a nível profissional como humano. Para tal é preciso que o trabalho seja também agradável - em questões como a gestão inteligente do local de trabalho e as relações entre os profissionais e empresa.

Às vezes, no meu emprego, recordo a minha fase estudantil e sinto-me, de certa forma, como presidente da Associação de Estudantes a uma escala empresarial. É um paralelismo curioso! Agora tenho a possibilidade de fazer pelo bem-estar dos colaboradores o que significa o bem-estar da empresa. Recursos Humanos é isso mesmo, é olhar pelos "alunos" zelando sempre pelos interesses da "escola".






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