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Universidades que brilham

Sete estabelecimentos de ensino superior decidiram apostar no potencial empreendedor dos alunos, financiando as suas ideias para negócios
30.09.2005


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Cátia Mateus

OS PROJECTOS empresariais resultantes de iniciativas académicas têm agora um novo aliado no percurso que os separa da teoria à concretização. Um grupo de universidades e institutos uniu-se para criar um Fundo de Capital de Risco especificamente vocacionado para apoiar financeiramente «spin-off» académicos (negócios gerados na universidades). O «FIQ Universitas Start-up», como foi designado, é o primeiro do género no país e arranca ainda este ano.


O Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), a Faculdade de Ciências de Lisboa, a Universidade da Beira Interior, a Universidade do Algarve, o Instituto Superior Técnico, a Universidade de Évora e a Universidade de Aveiro compõem o núcleo inicial desde fundo académico de capital de risco com uma dotação inicial de três milhões de euros.

Com um modelo inspirado num conceito de capital de risco implementado por um operador espanhol — que, sendo participado por universidades locais e por entidades financeiras, aposta em projectos de «start-up» de pequena e média dimensão, com características inovadoras — o fundo universitário português tem por meta ajudar os empreendedores universitários a ultrapassar a barreira do financiamento para os projectos.

A ideia de criar este fundo surgiu, segundo Luís Reto, presidente do ISCTE, um dos parceiros dinamizadores do projecto, a partir da constatação de que «não existe em Portugal uma oferta de financiamento especializada para o segmento dos projectos de ‘start-up', inovadores e de pequena dimensão».

Pela análise do mercado, o docente universitário conclui que a larga maioria dos intervenientes no mercado de capital de risco português está orientada para apoiar projectos de média/grande dimensão. A razão que aponta é simples: «em muitos casos, na fase inicial de um projecto de pequena dimensão, os custos de monitorização ultrapassam em muito os benefícios esperados. Por esse motivo, algumas operações com potencial mas de reduzida dimensão podem tornar-se pouco apetecíveis para os operadores de capital de risco».

Um bom exemplo disso será o caso da Hotmail que foi rejeitada por 20 sociedades de capital de risco norte-americanas até chegar à Microsoft, com níveis de rentabilidade estrondosos. Para evitar que muitas empresas nascidas nos bancos das academias lusas sigam o mesmo percurso tortuoso, o Fundo agora criado procurará analisar os projectos académicos com outra sensibilidade.

Segundo Luís Reto, «as empresas de capital de risco não apostam em projectos pequenos e a ideia deste é apoiar negócios nos primeiros três anos de existência e depois libertá-los para o mercado de capital de risco normal». O presidente do ISCTE salienta não ser este «apenas um suporte de natureza financeira, mas também ao nível da gestão já que procurará dar apoio a este nível aos empreendedores».

Entre as grandes mais-valias desta iniciativa destaca-se o facto dos seus promotores serem «universidades nacionais que procurem complementar o apoio que prestam a projectos com potencial originados nas respectivas instituições». Neste Fundo, refere o presidente do ISCTE, «será privilegiada a participação de instituições que desenvolvam a sua actividade associada à dinamização do empreendedorismo e de pequenos projectos de base tecnológica com grande potencial de crescimento».

O FIQ Universitas Start'up apostará sobretudo em participações minoritárias (até 50 ou 20% em caso de sindicação, não se excluindo, no entanto, a maioria do capital em casos justificáveis) em negócios emergentes de pequena e média dimensão (com limite entre os 5000 euros e os 150 mil euros por operação).

Entre as operações preferenciais do Fundo, Luís Reto salienta operações de financiamento ao nível do «Seed Capital» (capital semente, antes do lançamento no mercado); «Start-up» (capital de arranque); «Early Stage» (participação no capital de empresas que já concluíram a fase de desenvolvimento do produto e desejam iniciar a produção) e operações de MBO/MBI (apoio à aquisição de capital de empresas já presentes no mercado que se encontrem em fase de consolidação ou crescimento).

Integram esta primeira fase de capitalização sete instituições de ensino. Este núcleo fundador de universidades assegurará a subscrição até 600 mil euros do capital do Fundo. Numa segunda fase, refere Luís Reto, «será admitida a entrada de outras universidades e instituições de ensino com particular interesse em disponibilizar aos seus alunos que desenvolvam projectos com potencial um instrumento desta natureza».

Até ao final do corrente ano, o FIQ deverá iniciar o apoio efectivo aos jovens empreendedores universitários que pretendam concretizar o seu projecto empresarial. Luís Reto salienta que o Fundo está aberto a todo o universo académico e não apenas aos estudantes das instituições que integram o Fundo.





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