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Universidades cada vez com mais mulheres

05.03.2004


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Cátia Mateus, Fernanda Pedro
e Ruben Eiras

AS MULHERES dominam o ensino superior em Portugal. Entre 1991 e 2001, o crescimento de mulheres licenciadas foi de 198,9%, quase o dobro do valor registado entre os homens licenciados (110,7%). A análise é de Eugénio Rosa, economista, que baseou os seus cálculos nos dados dos Censos do INE de 1991 e 2001. O resultado desta tendência crescente é o predomínio do sexo feminino nas qualificações superiores, com 55,4% do total desta categoria.


Além disso, as mulheres estão a tornar-se o sexo forte nas áreas científica e tecnológica.

De acordo com aquela análise, no total da população empregada, a marca feminina é maioritária nas ciências físicas (66,2%), na matemática e estatística (73,3%), na saúde (60,5%), e nas indústrias de transformação e tratamento (53% dos licenciados desta área). Nas áreas de administração de empresas e técnicas comerciais, representam 53,8% dos licenciados.

Com efeito, na categoria profissional "especialistas das profissões intelectuais e científicas" o peso das mulheres, entre 1996 e 2003 cresceu de 50,1% para 60,2%.

"Isto prova que em capacidades científicas e intelectuais a importância das mulheres na sociedade portuguesa continua a ser fundamental", refere Eugénio Rosa, autor do estudo.

Sónia Santos é um dos exemplos desta nova era feminina da sociedade portuguesa. Engenheira química, explica que escolheu o curso por vocação. Desde miúda que a fascinava a imagem do cientista entre compostos químicos e experiências, pelo que a opção não foi difícil.

Hoje, com 27 anos, lidera o departamento de controlo de qualidade numa indústria química ligada ao fabrico de plásticos. "A meu cargo tenho não só o controlo de qualidade de toda a linha de produção, como também a responsabilidade de tratar da aquisição de todos os componentes essenciais ao processo produtivo", explica.

Facto curioso é que na empresa é a única mulher com funções de chefia. Trabalha entre homens e não considera que isso seja problema.

Explica que esse factor não lhe dificultou a entrada no mercado de trabalho e embora esclareça que "na engenharia química até nem há muito essa divisão entre homens e mulheres ou a conotação de se tratar de uma população masculina", entre risos, lá vai assumindo que o pior foi mesmo ganhar o respeito dos seus colegas de trabalho por ser a mais nova e a única mulher líder na empresa.

Uma situação que para Sónia Santos deve ser comum a muitas jovens profissionais. "Nos últimos anos a presença feminina nas universidades cresceu brutalmente e com isso processou-se uma necessária mudança no panorama laboral", explica.

Para a jovem, há hoje muito mais mulheres em cargos de chefia e "a tendência penso que será aumentarem".

Habituada a trabalhar no meio masculino, a engenheira acredita que o mercado laboral não se compadece com sexismos, mas sim com competência pois é o que conduz à produtividade e competitividade das empresas.

Uma opinião partilhada por Paula Rita, uma engenheira civil de 35 anos. Apesar de reconhecer não ser muito comum encontrarem-se mulheres na direcção de obras, ela já o fez e nunca sentiu qualquer discriminação por esse facto.

"Os profissionais do meio acreditam em nós se eles se aperceberem que estão perante alguém que lhes inspire confiança do ponto de vista técnico, quer seja homem ou mulher", explica.

Foi a sua vocação e interesse por tudo o que tem a ver com edifícios que a levou até à engenharia civil.

Mesmo antes de terminar o curso, Paula Rita recebeu vários convites para trabalhar, "Não me posso queixar da dificuldade de entrada no mundo laboral e nunca senti qualquer obstáculo por ser mulher, mesmo num meio tradicionalmente dominado por homens".

Nem mesmo esse facto impediu que Paula Rita tenha atingido cargos de chefia no percurso da sua carreira, como por exemplo, responsável pela área técnica de uma empresa que produzia material de construção, responsável pela exportação de membranas betuminosas, fiscalização de empreendimentos ferroviários, directora de produção de uma unidade fabril onde chefiava uma equipa de 17 homens, quase todos bastante mais velhos.

Actualmente, além de integrar a equipa de gestão da intervenção Polis em Setúbal, aventurou-se num negócio próprio na área da arquitectura e "design" de interiores.

Paula Rita entende que as mulheres têm um papel fundamental no futuro do país e que devem participar activamente no seu desenvolvimento em igualdade de circunstâncias com os homens, "demonstrando, acima de tudo, que as suas capacidades profissionais são igualmente válidas".

Igualdades por conquistar

EMBORA o crescimento da escolaridade e da qualificação das mulheres portuguesas tenha alcançado níveis sem precedentes na década de 90 do século passado, as posições de gestão de topo e de chefia ainda são dominadas pelos homens.

De acordo com dados do INE, analisados por Eugénio Rosa, na categoria profissional "dirigentes e de quadros superiores da administração pública e das empresas", o seu peso que já era reduzido em 1996, o sexo feminino representava cerca de 33% do total de profissionais daquele segmento laboral. Em 2003, o valor diminuiu para 32,5% do total.

A nível salarial também existe uma batalha a ser ganha para a igualdade entre os sexos.

Segundo dados do estudo "Qualificações dos Trabalhadores Portugueses", publicado pelo Ministério da Segurança Social e do Trabalho, entre 1991 e 2000, o salário dos homens aumentou, em média, 60%, enquanto o das mulheres não foi além dos 40%.

Por sua vez, de acordo com dados do Departamento de Estatística do Emprego e Formação Profissional, o salário dos homens atinge quase os 700 euros. Contudo, o das mulheres ultrapassa ligeiramente os 500 euros.





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