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Trabalho temporário em alta

26.12.2003


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Ruben Eiras

O MERCADO de recrutamento português só deverá iniciar a retoma em finais de 2004. "O recrutamento está moribundo. No próximo trimestre a recuperação do emprego não será possível, porque o ambiente de incerteza ainda é muito grande", refere Afonso Baptista, director-geral da Multipessoal.


Para o principal responsável da empresa de recrutamento do Grupo Espírito Santo, a economia portuguesa já bateu no fundo, mas a expectativa ainda paira sobre os agentes económicos, devido à introdução do código do trabalho, ao montante do défice orçamental e ao espectro de uma remodelação governamental.

"Por isso, as empresas estão com uma atitude de 'aguardar para ver'. O resultado é uma focalização no recrutamento de mão-de-obra eventual para responder a oscilações pontuais do mercado e controlar os custos com o trabalho", explica.

Os números de desempenho da Multipessoal ilustram com clareza o panorama descrito por Afonso Baptista. Com efeito, dentro da carteira de clientes de trabalho temporário (TT) e de "outsourcing" da Multipessoal, o dirigente daquela empresa refere que não se verificou "qualquer quebra em relação ao ano passado", registando-se até uma subida de 0,5% no negócio de TT.

No cardápio de funções mais requisitadas, a liderança recai nas de cariz administrativo e do segmento de "call centers". As de hotelaria surgem em terceiro lugar, devido ao carácter sazonal desta actividade, que atinge o pico no Verão.

Curioso é o novo nicho de recrutamento a emergir no mercado nacional: conselheira de técnicas de beleza. "A procura desta função está a crescer devido à proliferação das lojas de perfumes e produtos cosméticos nos centros comerciais", esclarece Afonso Baptista.

De acordo com este especialista, o perfil para ocupar uma profissão deste género é bastante exigente: "têm que ser mulheres bonitas, muito resistentes ao stresse e dotadas de uma inteligência emocional bastante apurada para lidar com clientes muito exigentes e às vezes de trato difícil, como por exemplo, mulheres que desejam que os produtos as tornem bonitas ou pessoas idosas que a toda a força querem 'atenuar' a idade que possuem".

Outro dado que demonstra a escassez de emprego qualificado em Portugal é a percentagem de licenciados no total dos 18.000 candidatos registados na Multipessoal: cerca de 57%. Afonso Baptista salienta que este peso significativo das pessoas com formação superior não é só resultado da falta de postos de trabalho qualificados, mas também é fruto do divórcio latente entre as universidades e as empresas.

"Muitos dos postos de trabalho qualificados que existem são de natureza técnica e de grande especialização", sublinha. Uma realidade de mercado à qual o sistema de ensino responde "com milhares de cursos que são todos iguais e sem aplicabilidade prática", contrapõe.

Para inverter a situação, Afonso Baptista preconiza que o poder político tem que considerar como prioridade o "casamento" entre a formação dada nas universidades e as necessidades do mercado de trabalho para que os empresários valorizem as qualificações superiores.

"Se um empresário 'self-made-man', com a 4° classe ou o 6° ano, recebe licenciados que não sabem fazer nada, é natural que aposte mais no saber-fazer, sem educação superior. O preço que se paga a longo prazo por esta situação é o baixo nível de inovação na maioria das nossas empresas", remata.





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