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TI quer contratar mais mulheres

TI quer contratar mais mulheres

Em Portugal o número de mulheres que se candidatam a ofertas de emprego na área das Tecnologias de Informação não excede os 10 a 20% do número total de candidatos da área. O sector é dos mais dinâmicos nas contratações mas ainda falha na meta de atrair o público feminino. 

06.06.2014 | Por Cátia Mateus


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É um dos sectores com maior dinâmica nos recrutamentos, não só em Portugal como a nível global, mas segundo dados da Comissão Europeia apenas 30% das mulheres exerce atividade profissional na área das Tecnologias de Informação (TI). Nos últimos anos um número crescente de multinacionais tem procurado aumentar a presença feminina no sector. Portugal não é exceção e ainda que segundo o presidente da Associação Nacional das Empresas de Tecnologias de Informação e Eletrónica (ANETIE), Armindo Monteiro, o país possa já falar numa inversão de tendências em matéria do domínio masculino no mundo das tecnologias de informação, comunicação e eletrónica (TICE), as empresas de recrutamento confirmam que a percentagem de mulheres que se candidatam a ofertas na área ronda os 10 a 20% do número total de candidaturas.

O desafio de atrair mais mulheres para o mercado das tecnologias é comum a instituições de ensino e empresas. O reduzido número de mulheres no sector tecnológico preocupa há muito Filomena Lopes, diretora do departamento de Ecinomia, Gestão e Informática da Universidade Portucalense que recorda “apenas 29 em cada mil mulheres com curso superior na Europa têm um diploma na área das tecnologias e desse número, apenas cinco trabalham no sector”. Nos últimos anos, a instituição de ensino tem procurado cativar o público feminino para a formação tecnológica e voltou este ano a promover o 3º Concurso de Programação Feminino. Para a diretora, o afastamento das mulheres deste sector está relacionado com o estereótipo ainda existente das “profissões para homens e mulheres” mas também pela falta de disciplinas obrigatórias nesta área durante o ensino secundário. E cita como exemplo: “há mais de 15 anos, quando a nossa licenciatura em vez de se chamar Informática se chamava Informática/Matemáticas Aplicadas atraia muito mais mulheres do que atualmente. A percentagem de estudantes do sexo masculino e feminino era praticamente idêntica”.
Uma questão que Armindo Monteiro desdramatiza.

O presidente da ANETIE esclarece que “Portugal pode já falar numa inversão de tendências em matéria do domínio masculino das TICE. Há cada vez mais e melhores exemplos de sucesso no que respeita à integração das mulheres no sector tecnológico”. O líder enfatiza que os bons exemplos não chegam apenas de quadros empresariais, mas também da liderança com especial enfoque para as startups e negócios nascentes. Contudo, Armindo Monteiro reconhece que “a liderança é uma das questões mais críticas, uma vez que de acordo com a Comissão Europeia, apenas 19% dos cargos de gestão e liderança das empresas de TICE são assumidos por mulheres”. Um défice que diz não ser específico das tecnologias, tratando-se de uma desigualdade comum a outras áreas de atividade.

Em matéria de recrutamento a disparidade está bem presente. Célia Silva, sénior consultant da empresa de recrutamento Hays para a área das TI confirma que “a percentagem de mulheres que se candidatam a ofertas na área das TI está entre os 10 a 20% do número de candidaturas total”. A percentagem de recrutamentos acompanha estes números. Segundo os dados do Guia do Mercado Laboral 2014, recentemente divulgado pela Hays, a percentagem de mulheres no mercado das TI não excede os 19%. Margarida Lousada, associate diretor da Ray Human Capital, confirma esta estatística: “tipicamente, falamos de uma proporção de 80% homens/ 20% mulheres, nos cenários mais otimistas e relativamente a funções de análise de processos e parametrização, já que relativamente a funções mais hard de um ponto de vista técnico (por exemplo programação) o rácio de candidaturas femininas pode ser bastante inferior”.

Nos últimos anos, a Ray Human Capital conduziu vários projetos de consultoria, como parceira da Microsoft, com o propósito de equilibrar as quotas de diversidade em Portugal, num projeto denominado de six sense. O processo espelha a preocupação das empresas em atrair um público feminino e a vantagem competitiva destes recrutamentos. Mas margarida Lousada reconhece que “apesar do desempenho diferenciador e de avaliações de performance acima da média” são poucas amulheres que chema a lugares de top management.

Ainda assim, para Armindo Monteiro, há já subsetores tecnológicos em Portugal com números reveladores de um cenário de mudança. O presidente da ANETIE cita o caso das Indústrias de Alta Tecnologias ligadas ao fabrico de produtos farmacêuticos, equipamentos informáticos para comunicações, produtos eletrónicos, veículos espaciais e equipamentos para serviços de alta tecnologia e também a questão do empreendedorismo onde, revela, “há cada vez mais mulheres a criar negócios tecnológicos, mesmo não sendo essa a sua formação base”.



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