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TI quer atrair mulheres

TI quer atrair mulheres

Entre 2000 e 2011, segundo dados do National Center for Women & Information Technology, a percentagem de mulheres que em idade escolar que interessadas em realizar uma licenciatura em informática decresceu 79%. A área das Tecnologias de Informação é das mais dinâmicas em matéria de recrutamento e oportunidades profissionais, mas atrair mulheres para as carreiras tecnológicas ainda é uma dura batalha para as universidades e empresas do sector.

29.08.2014 | Por Cátia Mateus


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Marissa Mayer será, muito provavelmente, o melhor exemplo de sucesso de uma mulher na liderança de um gigante tecnológico. Licenciada em Sistemas Simbólicos pela Universidade de Stanford e mestre em Computação, a atual diretora executiva (CEO) da Yahoo! soma uma relevante carreira na área das Tecnologias de Informação, tendo assegurado também a vice-presidência de Serviços Geográficos e de Localização da Google. Mas o sector mundial das TI não tem muitos exemplos destes. Ainda que nos últimos anos as empresas de Tecnologias de Informação tenham conseguido cativar, num progresso assinalável, mais mulheres para uma carreira no sector, nas áreas mais técnicas o desequilíbrio de géneros ainda está longe de ser solucionado.

Rui Parente, EMEA senior recruiter da tecnológica SAP, confirma-o: “a marca SAP possui uma grande capacidade de atração de talento, independentemente do género, mas a realidade é que todos os anos existem menos licenciados e mestres do sexo feminino a saírem das faculdades nas áreas tecnológicas”. Uma realidade que tem, naturalmente, impacto nos recrutamentos realizados pelas empresas do setor. Na SAP Portugal trabalham 264 profissionais, 38% são mulheres e dessas, 13% têm idades inferiores a 30 anos. “Uma das prioridades da SAP a nível global é atrair mulheres para a força de trabalho e para posições de liderança”, explica Rui Parente enfatizando que “no segundo trimestre de 2014 a percentagem global de mulheres na força de trabalho era de 31%, ao passo que a percentagem de mulheres em posições de gestão  aumentou para 21, 2% (era de 19,8% em 2013)”.

Até 2017 a SAP tem como meta totalizar 25% de mulheres em posições de gestão. Para isso tem apostado em promover a visibilidade das mulheres no sector das TI, através da participação em seminários ou outros eventos que lhes permitam inspirar outras mulheres a consolidar uma carreira na área. Em junho deste ano, a empresa associou-se à Berlin Geekettes (uma comunidade de mulheres dedicada à organização de iniciativas para promover o talento das mulheres nas TI em vários países) e promoveu um encontro para mostrar o talento feminino nesta área.

Mas há outros projetos de peso no que toca a captar o interesse “delas” no mundo tecnológico. A IBM começa o seu trabalho logo no ensino secundário. A tecnológica promove o E.X.I.T.E Camp, um programa que visa levar as raparigas a explorar os interesses pela tecnologia e pela engenharia. A edição deste ano reuniu 30 jovens estudantes, em Tomar. A Microsoft também está focada em provar que as TI não são um mundo de homens. Patrícia Fernandes, responsável de Marketing Central da empresa, reconhece que “o sector tecnológico continua a ser predominantemente masculino, sobretudo enquanto a frequência académica dos cursos e licenciaturas tecnológicas continuar a operar com este desequilíbrio de géneros e a fazer desaguar no mercado profissionais essencialmente do sexo masculino”, mas reconhece que atrair mulheres para as TI é um processo que tem vindo a registar “progressos assinaláveis nos últimos anos, fruto de um enfoque sério no tema da diversidade de género por parte da empresa”.

“A Microsoft tem nos seus quadros cerca de 300 quadros, um quarto dos quais são mulheres, quando considerada toda a empresas. Se excluirmos as áreas mais técnicas temos situações de equilíbrios perfeitos (por exemplo no marketing) ou até de predomínio do género feminino (RH e sector financeiro)”, explica reforçando que ao nível da gestão de topo “a paridade é perfeita: 50% para cada género”. Para atrair mulheres para a empresa a Microsoft otimizou ao longo dos últimos anos todo um a plano de iniciativas, enquadradas na sua política de gestão de Recursos Humanos, da qual fazem parte, por exemplo, programas de estágio orientados para raparigas que queiram seguir carreiras tecnológicas, parcerias com universidades e presenças regulares em sessões de apresentação sobre o caráter “women-friendly” da empresa, em matérias relacionadas com a conciliação trabalho e família e possibilidades de progressão na empresa. Um ponto igualmente relevante nesta batalha é o programa de formação, capacitação e empregabilidade para mulheres nas IT, o “Do IT, Girls”, conduzido pela empresa com o objetivo de inspirar talentos femininos nas TI.

No equilíbrio está o sucesso
Além das iniciativas conduzidas por gigantes tecnológicos como a Microsoft, SAP e da IBM, somam-se em todo o mundo projetos orientados para atrair as mulheres para o universo tecnológico. O objetivo não é tornar as TI uma profissão mais feminina, mas sim promover o equilibro de géneros numa área que é plena de oportunidades em todo o mundo.

Foi nisso que apostou o trio de empreendedores que fundou, em 2007, a Girls in Tech. A empresa foi pensada para levar a um público feminino todo o que importa saber sobre tecnologia, nas vertentes da carreira, empreendedorismo ou até das últimas inovações do sector. A plataforma posiciona-se no mercado como um projeto global focado no desenvolvimento e formação das mulheres na área tecnológica, tendo como missão-âncora inspirá-las a consolidar uma carreira no sector como líderes.

Uma aspiração que é, em certa medida, comum à de Belinda Parmar, fundadora da agência Lady Geek, focada em atrair a atenção das mulheres para a tecnologia. Desde 2010 que a ex-especialista de marketing e publicidade, que soma no currículo algumas das mais destacadas agências de publicidade, se dedica a ajudar as marcas a conquistar o público feminino na área tecnológica. Entre os clientes da marca somam-se marcas como a Microsoft, Google, Samsung, Dell ou Sony.

Porque é que é importante atrair as mulheres para o universo tecnológico? A par com a relevância de um ambiente de trabalho onde é real o equilíbrio de géneros, um número crescente de especialistas, citados pelo National Center for Women & Information Tecnhology, reconhece que a diversidade melhora a resolução de problemas, aumenta a produtividade e a inovação e, ao mesmo tempo que potencia a consolidação de uma forma de trabalho competitiva, com impacto direto nos resultados do negócio.



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