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Medicina portuguesa à escala global

Medicina portuguesa à escala global

São cada vez mais as unidades de saúde estrangeiras a recrutar em Portugal reforços para as suas equipas. O recrutamento de enfermeiros portugueses para países como o Reino Unido ou França já não causa espanto. Mas a contratação de médicos portugueses, de várias especialidades, também está a tornar-se uma prática corrente.

29.08.2014 | Por Cátia Mateus


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Basta uma rápida consulta pela Bolsa de Oportunidades do portal da Ordem dos Médicos, para confirmar a procura de clínicos portugueses, de várias especialidades, para unidades de saúde internacionais. Irlanda, Alemanha, Bélgica, França, Guiné ou Macau são países com carência de médicos que estão a recorrer ao recrutamento de profissionais formados em Portugal para suprir as suas lacunas. Reconhecem os especialistas que nesta, como noutras áreas, a qualidade da formação técnica dos médicos portugueses, a sua capacidade de adaptação e profissionalismo ditam a opção de contratar em Portugal.

No início deste ano, Portugal recebeu um evento de recrutamento exclusivamente vocacionado para o recrutamento de profissionais de saúde portugueses para funções internacionais. A organização do evento, assegurada pela Medpharm Careers, registou na altura a participação de empresas de 14 países distintos – entre os quais a Noruega, Suécia, Bélgica, França, Espanha, Reino Unido, Austrália, Canadá ou Emirados Árabes Unidos -, com mais de 300 oportunidades de trabalho, numa feira de emprego que serviu de montra do interesse internacional nos profissionais portugueses, mas também atestou a vontade dos profissionais lusos em testarem outras oportunidades de carreira.

A situação económica do país e os sucessivos cortes têm levado muitos profissionais a ponderar a internacionalização da sua carreira e as condições oferecidas são aliciantes. O Expresso analisou várias ofertas de emprego divulgadas por empresas internacionais e concluiu que, com relativa facilidade, o salário mensal de um clínico, mesmo com pouca experiência, ponde alcançar os seis mil euros mensais. Em países como os Emirados Árabes, os valores são superiores. Dados recentemente divulgados pela Ordem dos Médicos davam conta de que mais de dois mil médicos teriam solicitado a declaração para trabalhar no estrangeiro. Na base da decisão não estarão apenas as questões económicas, mas também as oportunidades de carreira existentes para as várias especialidades.

A IMS, por exemplo, recruta em Portugal. A empresa é especialista em recrutamento de pessoal médico qualificado para toda a Europa. Em aberto tem neste momento vagas para médicos de quase todas as especialidades, dentistas, enfermeiros e radiologistas. “A maior parte dos candidatos recrutados pelo IMS trabalham em organizações de saúde públicas e privadas espalhadas pelo Reino Unido, particularmente nos Serviços Nacionais de Saúde do Reino Unido”, explica a empresa que tem vindo também a especializar-se no recrutamento para mercados como o Médio Oriente, com todas as suas especificidades ao nível da documentação, registo, idiomas e experiência exigida para trabalhar localmente. À semelhança da IMS, a Euromotion Medical também recruta médicos para trabalhar em França e na Alemanha. A empresa está focada em atrair clínicos formados na Europa em especialidades tão diversas como a Cardiologia, Medicina Interna, Medicina Geral ou profissionais de Medicina Física e de Reabilitação.

Este aumento de procura de médicos portugueses (e outros profissionais de saúde) por empresas de saúde estrangeiras levou este ano o Grupo EGOR a criar a Medaute, a unidade de negócio do grupo de recrutamento focada no outsourcing para a área de saúde. Isabel Meireles, responsável de recrutamento da empresa no Porto, confirma a procura de médicos portugueses para a Europa (maioritariamente Londres, Reino Unido, Irlanda ou França), mas também Timor, Indonésia, Ásia ou Médio Oriente. “Desde que iniciámos a atividade da empresa em março desde ano recebemos 36 pedidos de empresas estrangeiras, correspondendo a quase 100 profissionais”, explica a responsável. A Medaute trabalha em regime de recrutamento permanente com dois grandes grupos de saúde do Reino Unido, mas na sua lista de colocações soma recrutamentos para Timor, Mali, Arábia Saudita, Bahrain e outros destinos. A responsável destaca a procura de cirurgiões, cardiologistas, internistas, oncologistas, anestesistas, ginecologistas e outras especialidades. Ainda que reconheça que o package salarial oferecido é mais aliciante do que o praticado cá, Isabel Meireles diz não ter, no caso dos médicos, informação sobre os salários praticados visto que “a negociação é feita diretamente entre o profissional e a instituição durante o processo de recrutamento”. Contudo, reconhece, “não é comum pagarem apoio à instalação ou às deslocações”.

Mas não é só para funções clínicas que os médicos portugueses registam procura. Pedro Borges Caroço, ‎head of Healthcare and Lifesciences at Michael Page International, confirma a existência de oportunidades profissionais para medicos portugueses também nas áreas da gestão e direção hospitalar. O Page Group não recruta, de resto, para funções clínicas, mas o especialista destaca a procura internacional para funções de gestão em unidades hospitalares e também para a indústria farmacêutica global.
Em qualquer um dos casos, os especialistas reconhecem os benefícios de, em qualquer área de atividade, tomar contacto com contextos internacionais e destacam múltiplos exemplos de sucesso de médicos portugueses que consolidaram percursos internacionais. A área de investigação é também apontada por Pedro Borges Caroço como um contexto onde os médicos portugueses se posicionam com muito sucesso.



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