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Quanto custa a crise do emprego?

Quanto custa a crise do emprego?

O The Boston Consulting Group fez as contas ao impacto económico que a crise mundial da força de trabalho pode gerar nas principais economias mundiais. Segundo a consultora, em 2030, muitas das 25 principais economias mundiais terão um défice massivo de trabalhadores.

08.08.2014 | Por Texto de Cátia Mateus


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A crise mundial de força de trabalho pode colocar em risco 7,3 biliões de euros (cerca de 10 triliões de dólares) na economia global. A conclusão é avançada pela consultora The Boston Consulting Group (BCG), com base no estudo “The Global Workforce Crisis”- o primeiro de uma série de estudos relatórios no tema da força de trabalho que a consultora está a preparar - realizado com base na análise das dinâmicas de oferta e procura de emprego das 25 principais economias mundiais.

“Até 2030, o valor potencial desperdiçado por escassez ou excedente na força de trabalho pode ultrapassar os 10% do PIB mundial, ou 60% do PIB dos Estados Unidos da América”, revela o relatório do BCG agora recentemente divulgado. O estudo procurou entender os fenómenos de escassez e excedente da força de trabalho em 25 economias mundiais, estabelecendo como horizontes de análise os anos de 2020 e 2030. As principais conclusões na análise revelam que se em 2020 muitos países ainda poderão apresentar um excedente de mão-de-obra, uma década mais tarde o cenário será totalmente distinto: “muitos países terão em 2030 um défice massivo de trabalhadores”, avança o relatório.


Segundo Alexandre Gorito, partner e managing director da BCG, “estes números mostram cenários futuros bastante diferentes dos atuais”. Se por um lado, enfatiza o responsável, “numa primeira fase, representarão um alívio do desemprego, posteriormente poderão representar um óbice a um maior crescimento económico”. Alexandre Gorito adianta que estas projeções - que têm em consideração diversos fatores, como o crescimento económico, envelhecimento da população, reduzidas taxas de natalidade e as políticas restritivas de emigração adotadas em alguns dos países analisados - deverão merecer por parte dos Governos e instituições uma profunda reflexão, “de forma a salvaguardar a competitividade futura dos países e regiões”, reforça.


Medidas para inverter a crise
Além de identificar as expectativas de crescimento de algumas das principais economias mundiais (ver 'Impactos diferenciados' abaixo), o relatório aborda a questão dos desafios futuros e eventuais soluções para o défice de profissionais. Ainda que para Alexandre Gorito “a situação de cada país deva ser avaliada e, a partir daí, definido um conjunto de medidas específicas”, há algumas medidas que os respetivos governos poderão adotar para solucionar esta questão. O especialista elenca, por exemplo, medidas como o aumento da idade mínima da reforça em países onde esta ainda não tenha sido algo de ajustamentos; o aumento da imigração e da mobilidade através da liberalização de políticas imigratórias; o aumento da percentagem de mulheres no mercado de trabalho; o incentivo à natalidade e o aumento da produtividade através de investimentos em infraestruturas, inovação, tecnologia e programas de formação profissional.

 

Impactos diferenciados
Segundo as previsões da BCG no “The Global Workforce Crises”, não é de prever que o impacto dos desiquilíbrios mundiais na força de trabalho sejam uniformes nas 25 geografias analisadas. O estudo destaca mesmo fortes discrepâncias a nível mundial.

O relatório traça para a Alemanha uma previsão de um défice de 2,4 milhões de trabalhadores em 2020 e cerca de 10 milhões até 2030. Números que equivalem a 23% da sua força de trabalho. Já no Brasil, a percentagem é mais elevada. O mercado brasileiro deverá registar uma escassez de até 8,5 milhões de trabalhadores em 2020. Uma década mais tarde, o número pode aumentar quase cinco vezes para 40,9 milhões de pessoas (33% da oferta de mão de obra). O Brasil é de resto o país que regista, segundo o BCG, o valor mais elevado entre dos 25 países analisados.

No campo oposto, integrando a lista de países onde se projeta um excedente que pode variar entre os 55,2 e os 75,3 milhões de trabalhadores em 2020, está a China. Contudo, a previsão para a década seguinte é já distinta: é de prever que o excesso de profissionais se transforme numa escassez de 24,5 milhões de trabalhadores. França Itália e Reino Unido deverão seguir movimentações semelhantes: apesar de terem uma previsão de excesso de profissionais em 2020, em redor dos 10 milhões, a BCG estima que em 2030 qualquer uma destas economias enfrentem défices de trabalhadores.

Nos Estados Unidos, a consultora prevê um excesso de 17,1 milhões de indivíduos ativos, sendo em 2030 esta economia deverá ainda registar um excedente de trabalhadores na ordem dos 7,4 milhões. Já na África do Sul, a perspetiva é mais negativa: 36% de excesso da oferta de profissionais em 2020 que poderá subir até aos 39%, em 2030.



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