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Quando a polémica mancha a reputação

Há noticias capazes de acabar com as empresas e profissionais
13.10.2006


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Marisa Antunes

Uma notícia escandalosa provoca danos esmagadores em empresas e profissionais. Qual deverá então ser o procedimento operacional a seguir em momentos de crise de forma a minimizar os ‘estilhaços'? António Marques Mendes e Francisco Costa Pereira, ambos académicos, juntaram-se para coordenar uma obra editada pela Sílabo, onde se pretende definir as estratégias que permitam lidar com as situações mais mediáticas que possam ocorrer não só na vida das organizações e dos seus trabalhadores mas também na reputação de profissionais específicos.

“O primeiro procedimento a adoptar quando alguém é posto em causa de forma deliberada é descobrir a origem da crise. As crises apresentam factores que são identificáveis. É fundamental saber ainda o que está em causa e como deve ser feito o esclarecimento, de forma a minimizar os danos para que a pessoa ou a empresa possam recuperar após esse momento de tensão”, pormenoriza um dos autores, António Marques Mendes, docente na Escola Superior de Comunicação Social.

“Desde que a acusação tenha um mínimo de credibilidade deve ser tomada em devida consideração, pois já ganhou notoriedade pública e cobertura jornalística. Ignorar não é pois a postura acertada a não ser que a acusação seja totalmente sem sentido. Aí sim, deve-se dar desprezo”, acrescenta o especialista, que coordenou a primeira pós-graduação em Gestão de Crises, cujos conceitos foram agora passados para o livro ‘Crises — de ameaças a oportunidades'.

Se o boato ou a notícia não forem totalmente descabidas e na sua origem estiver um “ataque terrorista e malicioso” por parte da concorrência é essencial reagir à altura, “até porque está em causa um património de reputação a defender”, realça António Marques Mendes. “Aqui é preciso atacar o acusador, mas a reacção deve ser calculada criteriosamente”, sublinha.

Além da abordagem sobre os modelos e as estratégias de gestão de crises, são ainda referenciados quatro «case-studies», dois nacionais e outros dois internacionais, nomeadamente os casos Shell-Brent Spar, a Coca-Cola Bélgica, a polémica sobre o urânio empobrecido e os soldados portugueses e ainda a tragédia do acidente em Entre-Rios. “Nesta última situação temos informação que nunca tinha sido libertada, até hoje, cá para fora”, sublinha, lembrando a participação do capitão Gouveia e Melo, que entre 2002 e 2005 foi chefe do serviço de informação na Marinha. O livro conta ainda com a colaboração de Ivo Pimentel, Miguel Pina e Cunha, Henrique Gouveia e Melo e Ricardo Ribeiro dos Santos.





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