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Profissões ecológicas em expansão

As empresas estão mais sensibilizadas para a qualidade ambiental e por isso os profissionais da área do ambiente têm mais oportunidades de emprego
02.02.2007


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Fernanda Pedro
Cada vez mais a sociedade demonstra sensibilidade para a defesa do ambiente. Cidadãos e empresas procuram adaptar-se às novas exigências da qualidade ambiental. Por esse motivo vão crescendo as profissões ligadas à ecologia. Devido a esta necessidade de proteger o meio envolvente, hoje quase todas as áreas podem explorar a vertente do ambiente. Segundo Susana Fonseca, vice-presidente da Quercus, “até as profissões habituais e mesmo tradicionais já têm uma ligação ao ambiente, tais como a arquitectura ou as ciências sociais, porque cada profissão pode integrar questões ambientais”.


Apesar desta temática ser fundamental neste momento, a especialista considera que ainda falta alguma sensibilidade por parte dos decisores. “Contudo, melhorámos muito. As empresas perceberam que gerir melhor os recursos resulta numa poupança. O que tem lógica porque em termos empresariais a poupança de recursos é essencial”, explica Susana Fonseca. Para a responsável também o ensino precisa de dar mais alguns passos, “é necessário mais empenho na formação destas áreas para trazer mais profissionais para o mercado de trabalho”.

A Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Universidade Católica contribui desde 1991 para formar Engenheiros do Ambiente. Para Xavier Malcata, director da ESB, a licenciatura da escola diferencia-se pela ferramenta que dispõe que é a Biotecnologia. “Os alunos ganham mais competências, nomeadamente nos diagnósticos de disfunções ambientais aplicando princípios de sustentabilidade numa abordagem multidisciplinar. Também apresentamos propostas alternativas integradas, nomeadamente em domínios chave, tais como água, resíduos, etc.”, explica o director.

Neste momento a licenciatura em Engenharia do Ambiente tem um índice de empregabilidade na ordem dos 71%. Sendo que 13% se encontram desempregados e 13% continuam a formação. As funções que geralmente estes licenciados desempenham dividem-se em funções típicas, tais como engenharia processual do ambiente com 34%, directores de qualidade com 16%, consultor 13% e técnico de higiene e segurança no trabalho com 13%.

O director da ESB revela ainda que 19% dos licenciados vão trabalhar para empresas de tratamento de resíduos, 15% vai para o ensino, 13% para consultoria e 13% para a construção civil. Depois de terminada a licenciatura, o tempo de duração até à integração no mercado de trabalho é de 13% no tempo de um mês, 22% até seis meses, 31% até aos nove meses e 12% até um ano. Quase 80% arranja emprego no período de um ano, o que é francamente positivo.

"Esta será sem dúvida uma área que continuará a crescer”, refere o responsável. Xavier Malcata, considera ainda que as normas ambientais estão cada vez mais apertadas e “portanto, temos de nos preparar, daí que a profissão na área do ambiente continue a ser de futuro”. A ESB tem ainda uma área de formação mais profissionalizante que é pós-secundária e “essa tem ainda mais empregabilidade”, refere o director.

Para este responsável, uma das preocupações nesta área é a proliferação da formação e “isso pode não ser sinónimo de qualidade, porque o excesso de oferta poderá criar algum desemprego”. Rui Borralho, director da Naturlink, um «site» dedicado ao ambiente e onde existe uma bolsa de emprego nesta área, confirma a quantidade de licenciados em Engenharia do Ambiente que saem das universidades. Essa percepção acontece quando surge alguma proposta de trabalho para esses profissionais.

Na bolsa de emprego, o maior número de oferta de trabalho surge para técnicos e licenciados para o designado ambiente cinzento (que diz respeito a poluição, ruído, resíduos, etc.). Estes são também os mais visitados pelos profissionais. Para o ambiente verde (florestas, agricultura, por exemplo), é uma área com menos oferta e também menos procura. “Os engenheiros agrónomos e florestais são os que apresentam maior dificuldade em encontrar ofertas de trabalho”, salienta o responsável.

Como a ecologia é uma área que pode ser muito transversal, os biólogos também tendem a diversificar as suas competências e “esta é uma área que também tem vindo a aumentar a procura no mercado de trabalho. A investigação também tem sido uma das saídas para estes profissionais”, refere Rui Borralho. Quanto à intervenção do meio empresarial, o responsável revela que as boas práticas geralmente são mais ao nível do ambiente cinzento, daí que os profissionais ligados a estes áreas sejam os mais procurados.

Contudo, Rui Borralho acredita que o ambiente verde também tem possibilidades de crescer, “o turismo da natureza que está a evoluir e pode transformar-se numa saída profissional para muitos técnicos do ambiente verde”, conclui o responsável.





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