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Portugal dos Empreendedores

Portugal dos Empreendedores

Nos últimos anos, os empresários nacionais consolidaram uma nova vaga de empreendedorismo, orientado para o conhecimento tecnológico, científico e âncorado na inovação. Uma aposta que permitiu ao país destacar-se no panorama internacional e atrair a atenção de investidores estrangeiros para projetos emergentes nacionais e que está a exigir das estruturas nacionais uma adaptação rápida aos mecanismos de apoio disponíveis para os empreendedores portugueses. Na altura em que prepara o arranque de um novo formato da Feira do Empreendedor, João Rafael Koehler, presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários, fala do empreendedorismo do futuro e dos desafios nacionais nesta área.

23.10.2015 | Por Cátia Mateus


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Lisboa é a Capital Europeia do Empreendedorismo, Portugal conseguiu atrair a atenção dos organizadores do Web Summit e desviar para a capital do país aquela que é uma das maiores conferências mundiais na área das tecnologia (tipicamente realizada em Dublin), empreendedores nacionais estiveram pela primeira vez no TechMatch Global (um dos maiores encontros globais de startups tecnológicas) e somam-se os casos de sucesso de projetos empresariais, em distintas fases de maturidade, que conseguem captar o interesse de investidores internacionais. Não há, para João Rafael Koehler, presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), quaisquer dúvidas de que “Portugal compete hoje com os melhores ecossistemas de empreendedorismo europeus (Londres, Berlim ou Amesterdão” e de que terá de saber dar resposta aos desafios que hoje se colocam no campo do empreendedorismo, para alavancar a iniciativa empresarial de elevado valor acrescentado em Portugal e o seu potencial de criação de emprego.?

“Pelas suas características intrínsecas, o empreendedorismo baseado no conhecimento é mais competitivo, cria mais emprego qualificado e gera mais riqueza, merecendo por isso uma especial atenção da nossa parte”, explica o presidente da ANJE que salienta a importância dos atores nacionais conseguirem acompanhar as tendências do empreendedorismo, “de modo a dar uma resposta mais proeficiente às necessidades, problemas e expectativas de quem desenvolve atividade empresarial no país”, enfatiza. João Rafael Koehler não nega que, considerando o universo nacional, “os negócios de banda larga são largamente maioritários”, mas realça que “não se pode negar que há toda uma vaga de stratups intensivas em conhecimento que existe de facto” e que está em expansão.?Face a este novo contexto de empreendedorismo emergente, a ANJE te vindo a redefinir a sua ligação aos empreendedores. Novos projetos e plataforma têm sido lançados, mas a aposta mais recente da associação nesta aproximação ao “empreendedorismo do futuro” é o novo modelo daquela que foi o certame pioneiro a nível nacional da promoção à iniciativa empresarial.

?A edição 2016 da Feira do Empreendedor - a 18ª do evento -, que decorrerá entre 19 e 21 de novembro, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto, chega renovada e sob o lema “Experience the Future”, numa clara alusão às orientações apontadas como prioritárias pelo líder da ANJE. Sem abdicar das suas atividades core - o apoio às empresas, ao emprego e à qualificação profissional - o evento reforça a sua vocação estratégica para a dinamização e valorização de startups inovadoras, posicionando-se como um verdadeiro ecossistema de empreendedorismo. O presidente dos jovens empresários justifica a mudança com a necessidade de “abranger as novas realidades do empreendedorismo português, decorrentes da sua evolução para um perfil mais inovador, disruptivo, tecnológico, global e intensivo em conhecimento”.

Inovadores e globais
Ao longo dos últimos anos, realça Koehler, “a partir do conhecimento adquirido no ensino superior, muitos jovens criaram startups inovadoras, orientadas para o mercado global e capazes de competir em segmentos de elevado valor acrescentado”. O presidente da ANJE confirma que nos centros de incubação da associação se observa já “uma clara predominância de empresas de média/alta intensidade tecnológica” e enfatiza que o país tem “o seu primeiro Unicórnio (Fartetch), várias startups portuguesas estão a angariar investimento em Silicon Valley e alguns dos aceleradores incorporam as melhores práticas mundiais”.

É a este público empresarial que a nova versão da Feira do Empreendedor quer dar resposta, introduzindo no conceito do evento, por exemplo, cinco novos eventos-âncora nas áreas do coworking de base tecnológica, job-matching, captação de financiamento, networking, pitch e lançamento de produtos. Em paralelo, decorrerá também 20 de novembro, a segunda edição em Portugal do Rockstart Answers, um evento de feedback direto entre promotores de startups e mentores (empresários experientes, especialistas em economia, investidores, investigadores, inventores e outros).

?Apesar destas mudanças e da necessidade de “redefinir o formato da Feira do Empreendedor, de modo a orientar o evento sobretudo para as startups inovadoras e para os sectores do futuro”, João Rafael Koehler, assegura que o certame não abandona o seu compromisso com os empreendedores orientados para as vertentes mais tradicionais de negócio. “A Feira do Empreendedor não descrimina qualquer tipo de empreendedorismo e a ANJE tem a perfeita noção da importância económica, e sobretudo social, dos pequenos negócios tradicionais a que, aliás, nunca regateou ou regaterá apoio técnico qualificado”.

Assumindo a ambição de recriar no recinto da feira uma dinâmica semelhante à de um ecossistema de empreendedorismo, passando o certame a abarcar de forma integrada as vertentes de ensino/formação, I&D+i, transferência de tecnologia, financiamento, mentoring, incubação e aceleração, a 18ª edição da Feira do Empreendedor não deixa de fora as atividades core que na últimas edições caracterizaram o certame. Todas essas atividades estarão concentradas no Entrepreneur Showcase que congregará o habitual showroom com empresas e instituições dedicadas ao apoio ao empreendedorismo, ao emprego e à qualificação profissional; divulgação de oportunidades de negócio; desenvolvimento de soft skills; promoção e networking empresarial. Para o presidente da ANJE trata-se de ampliar a intervenção do evento e o seu impacto junto dos empreendedores através de um modelo que “privilegia a interatividade, assemelhando-se a um ecossistema de empreendedorismo e dando especial atenção à inovação”.

O que muda na Feira do Empreendedor
Interatividade é a palavra-chave do novo conceito da Feira do Empreendedor. Ao entrar na maioridade, o certame volta-se para o futuro e coloca de lado a “lógica demasiado expositiva rígida e pouco interativa dos habituais eventos empresariais” e aposta tudo na inovação e no dinamismo, explica João Rafael Koehler. De resto, a própria área de exposições do evento vai privilegiar o universo das startups inovadoras, com o showroom Startup Village, que ocupará metade do recinto e deverá contar com cerca de 50 empresas participantes. “Nesta área, será possível conhecer um conjunto de novas empresas de base tecnológica, científica e criativa, que se caracterizam pelo seu perfil inovador e muitas vezes disruptivo”, explica acrescentando que se tratam de “startups que são exemplos do que melhor Portugal está a desenvolver na competitiva economia do conhecimento. São empresas sofisticadas e escaláveis, que atuam em sectores de grande potencial económico e oferecem serviços de valor acrescentado”.?

Em matéria de inovações, há ainda a destacar cinco novos eventos-âncora nas áreas do coworking de base tecnológica, job-matching, captação de financiamento, networking, pitch e lançamento de produtos, materializados através dos eventos New Apps Accelerator, New Jobs Accelerator, Startup Inov e Startup Invest. O primeiro - o New Apps Accelerator - que terá lugar na Startup Village, promoverá o desenvolvimento de apps em coworking, juntando talento e conheciemnto avançado, de forma a acelerar o processo de inovação num domínio tecnológico de grande potencial.?Outra das novidades desta edição é o New Jobs Accelerator que, segundo explica o presidente da ANJE, terá como objetivo “acelerar a entrada de recursos humanos de elevado potencial em empresas de base tecnológica, estabelecendo a interação entre candidatos e empregadores”. O mesmo será dizer que esta edição da Feira do Empreendedor, será também palco de um evento de recrutamento pensado para “dotas as empresas portuguesas de capital humano capaz de desenvolver atividades de inovação e, evitar que recursos humanos de elevado potencial abandonem o país à procura de novas oportunidades”, explica o responsável colocará a breve prazo em marcha uma call nacional para identificar os talentos que no decorrer da feira se poderão apresentar aos empregadores. ?

A fechar a lista de novidades estão o Startup Networking - que aproximará promotores de startups, empresários, players do ecossistema empreendedor e potenciais investidor num ambiente informal e animado, agilizando novos contactos, potenciando novos negócios e consolidando novas parcerias - e o Startup Inov que apresentará ao mercado um conjunto de bens e serviços inovadores, desenvolvidos por empresas em estádios iniciais de crescimento.



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