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Portugal com salários estagnados

06.03.2003


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Cátia Mateus

O NÍVEL salarial português revelou sinais de estagnação em 2002, registando índices abaixo da inflacção. A conclusão é avançada pelo Salary Survey 2002, que a empresa de recrutamento Hays Personnel realiza anualmente.






De acordo com o estudo, o actual panorama decorre das dificeis condições que o mercado registou no último ano. A conjuntura económica, nacional e internacional, afectou os salários no ano transacto. Embora a média salarial seja, no geral, superior ao ano de 2000, é de registar uma baixa considerável na maioria das áreas em estudo, em comparação com o ano de 2001. Um dado que não significa que os salários tenham sofrido reduções, mas sim que as empresas estão a fazer ofertas mais baixas para a contratação de novos funcionários.

Nos cinco sectores de actividade considerados pelo Salary Survey 2003, o panorama não foge à crise. Do sector das TI ao da Engenharia, passando pelas Telecomunicações, Financeiro, Marketing & Vendas e Auto, a análise não deixa margem para dúvidas: a actual conjuntura económica fez, no ano passado, "vítimas" em várias frentes. Nas Telecomunicações, "o mercado mostrou-se em 2002 com pouca fluidez".

De acordo com o estudo da Hays Personnel, este sector registou uma queda nos salários dos comerciais, enquanto que o dos Engenheiros e Técnicos se mantiveram estagnados. Na realidade, Engenheiros e Técnicos foram os menos afectados pelos problemas do mercado por serem ainda necessários pelos empregadores para uma manutenção efectiva dos "networks". Já entre os comerciais, as dificuldades foram mais que muitas e estes profissionais foram os mais afectados pelo "downsizing".

E nem nas TI o panorama é favorável. "A média salarial baixou 7% em comparação ao último ano, embora ainda seja melhor do que no ano de 2000", explica o estudo. Entre as áreas mais afectadas pela actual conjuntura económica, a Hays destaca o e-commerce. Um panorama que leva a empresa a concluir que "terminaram os dias dourados dos recém-licenciados em informática". Contudo, segundo o estudo, muitos especialistas continuam a ser alvo de procura pelas empresas ainda que não possam continuar a exigir salários muito elevados.

Na área financeira, "os salários apresentam-se estagnados". O Salary Survey revela que os profissionais que se encontram em posições mais Séniores tiveram um desempenho salarial melhor do que os Júniores. O grande contraste face ao ano anterior reside no facto de "em 2001 a percentagem dos salários brutos anuais mostrou-se duas vezes maior do que o índice da infração".

Também no sector das engenharias, os salários não restiram aumentos. Contudo, "os engenheiros mais experientes têm segurado um nível salarial, devido à menor qualificação e experiência em comparação com outros colegas". Para o corrente ano, o Salary Survey aponta uma quebra salarial neste sector.

A experiência é o que conta no sector Auto e por isso, ainda que na generalidade os salários pareçam estar estagnados, os profissionais mais experientes têm os salários mais elevados. Já no segmento de Marketing & Vendas, "os salários aumentaram 2% em comparação ao ano de 2001, sendo esta a única área a mostrar aumento ainda que abaixo do índice da inflação". Um aumento que o Salary Survey explica com o facto dos principais clientes quererem motivar e re-dinamizar as equipas comerciais como uma tentativa de rebater actuais dificuldades, sem nunca perder de vista o controle das despesas.

O Salary Survey destaca ainda o facto de vários trabalhadores, devido à extinção do seu posto de trabalho e para serem recolocados no mercado, aceitarem propostas salariais mais baixas.

Segundo o Salary Survey, muitas empresas optaram também por, no ano passado, reorganizar a sua política de remunerações. Numa tentativa de reduzir os custos com os salários, implementaram políticas de incentivos mais apelativas. Na generalidade, "a remuneração salarial não aumentou e é visível que os pacotes salariais são mais baixos relativamente a 2000".

Ainda assim, entre os candidatos continua a existir uma certa desconfiança no que respeita à introdução de elementos variáveis nos pacotes salariais, principalmente no que toca aos esquemas de benefícios caculados com base no desempenho.

Em termos de recrutamento, o Salary Survey 2003 chama a atenção para o facto da actual conjutura económica estar a pressionar os consultores no sentido de recrutar o candidato "ideal". Os recrutadores, revela o estudo, dão actualmente um maior ênfase às características pessoais dos candidatos.

Hoje, os empregadores querem preferencialmente indivíduos jovens, energéticos e com muita capacidade de trabalho.




 





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