Cátia Mateus
O NÍVEL salarial
português revelou sinais de estagnação
em 2002, registando índices abaixo da inflacção.
A conclusão é avançada pelo Salary
Survey 2002, que a empresa de recrutamento Hays Personnel
realiza anualmente.
De acordo com o estudo, o actual panorama decorre das
dificeis condições que o mercado registou no último
ano. A conjuntura económica, nacional e internacional, afectou
os salários no ano transacto. Embora a média salarial
seja, no geral, superior ao ano de 2000, é de registar uma
baixa considerável na maioria das áreas em estudo,
em comparação com o ano de 2001. Um dado que não
significa que os salários tenham sofrido reduções,
mas sim que as empresas estão a fazer ofertas mais baixas
para a contratação de novos funcionários.
Nos cinco sectores de actividade considerados pelo Salary Survey
2003, o panorama não foge à crise. Do sector das TI
ao da Engenharia, passando pelas Telecomunicações,
Financeiro, Marketing & Vendas e Auto, a análise não
deixa margem para dúvidas: a actual conjuntura económica
fez, no ano passado, "vítimas" em várias
frentes. Nas Telecomunicações, "o mercado
mostrou-se em 2002 com pouca fluidez".
De acordo com o estudo da Hays Personnel, este sector registou uma
queda nos salários dos comerciais, enquanto que o dos Engenheiros
e Técnicos se mantiveram estagnados. Na realidade, Engenheiros
e Técnicos foram os menos afectados pelos problemas do mercado
por serem ainda necessários pelos empregadores para uma manutenção
efectiva dos "networks". Já entre os comerciais,
as dificuldades foram mais que muitas e estes profissionais foram
os mais afectados pelo "downsizing".
E nem nas TI o panorama é favorável. "A média
salarial baixou 7% em comparação ao último
ano, embora ainda seja melhor do que no ano de 2000", explica
o estudo. Entre as áreas mais afectadas pela actual conjuntura
económica, a Hays destaca o e-commerce. Um panorama que leva
a empresa a concluir que "terminaram os dias dourados dos
recém-licenciados em informática". Contudo,
segundo o estudo, muitos especialistas continuam a ser alvo de procura
pelas empresas ainda que não possam continuar a exigir salários
muito elevados.
Na área financeira, "os salários apresentam-se
estagnados". O Salary Survey revela que os profissionais
que se encontram em posições mais Séniores
tiveram um desempenho salarial melhor do que os Júniores.
O grande contraste face ao ano anterior reside no facto de "em
2001 a percentagem dos salários brutos anuais mostrou-se
duas vezes maior do que o índice da infração".
Também no sector das engenharias, os salários não
restiram aumentos. Contudo, "os engenheiros mais experientes
têm segurado um nível salarial, devido à menor
qualificação e experiência em comparação
com outros colegas". Para o corrente ano, o Salary Survey
aponta uma quebra salarial neste sector.
A experiência é o que conta no sector Auto e por isso,
ainda que na generalidade os salários pareçam estar
estagnados, os profissionais mais experientes têm os salários
mais elevados. Já no segmento de Marketing & Vendas,
"os salários aumentaram 2% em comparação
ao ano de 2001, sendo esta a única área a mostrar
aumento ainda que abaixo do índice da inflação".
Um aumento que o Salary Survey explica com o facto dos principais
clientes quererem motivar e re-dinamizar as equipas comerciais como
uma tentativa de rebater actuais dificuldades, sem nunca perder
de vista o controle das despesas.
O Salary Survey destaca ainda o facto de vários trabalhadores,
devido à extinção do seu posto de trabalho
e para serem recolocados no mercado, aceitarem propostas salariais
mais baixas.
Segundo o Salary Survey, muitas empresas optaram também por,
no ano passado, reorganizar a sua política de remunerações.
Numa tentativa de reduzir os custos com os salários, implementaram
políticas de incentivos mais apelativas. Na generalidade,
"a remuneração salarial não aumentou
e é visível que os pacotes salariais são mais
baixos relativamente a 2000".
Ainda assim, entre os candidatos continua a existir uma certa desconfiança
no que respeita à introdução de elementos variáveis
nos pacotes salariais, principalmente no que toca aos esquemas de
benefícios caculados com base no desempenho.
Em termos de recrutamento, o Salary Survey 2003 chama a atenção
para o facto da actual conjutura económica estar a pressionar
os consultores no sentido de recrutar o candidato "ideal".
Os recrutadores, revela o estudo, dão actualmente um maior
ênfase às características pessoais dos candidatos.
Hoje, os empregadores querem preferencialmente indivíduos
jovens, energéticos e com muita capacidade de trabalho.