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O que é nacional é bom

Os baixos salários nacionais, mesmo entre os trabalhadores mais qualificados, são uma vantagem competitiva no mercado global. Os profissionais portugueses são competentes, cumprem os objectivos e têm um peso bem inferior nos custos da empresa
06.03.2009


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Marisa Antunes
Até que ponto vale a pena recrutar um web designer ou um marketeer inglês quando se pode contratar um português por um salário bem menor? Em tempos de crise e contenção de despesas, a globalização tem um peso cada vez maior nas decisões de contratação de recursos humanos. Até mesmo para áreas-chave do negócio, no recrutamento dos mais qualificados e essenciais para a empresa, se pode pesar os prós e contras de ter uma equipa a milhares de quilómetros de distância do coração da empresa.

Foi o que fez a SixandCo, empresa da multinacional britânica FullSix, líder europeu de marketing digital, que criou vantagens competitivas através de uma equipa de profissionais que trabalha em Oeiras, só para clientes estrangeiros (como a Procter and Gamble ou a MaxFactor).

Erik Lassche é o director-geral desta agência que se dedica ao marketing relacional e interactivo, com o objectivo de criar para os seus clientes, campanhas de máximo impacto. A empresa actua no mercado nacional há três anos mas no início de 2008 resolveu criar uma unidade especial na empresa dedicada exclusivamente ao mercado externo.

Para já, são seis criativos que trabalham unicamente para a casa-mãe, em Londres, que chegou à conclusão que é bem mais compensador contratar um web designer ou um marketeer em Portugal do que continuar a fazê-lo no mercado londrino.

A equipa cria e desenvolve projectos Web nas áreas do design, programação de sites e desenvolvimento de campanhas online e é parte integrante da unidade do Reino Unido. Uma parceria que é um bom exemplo de como os profissionais portugueses podem tirar partido da actual crise mundial e transformá-la numa verdadeira oportunidade... sem sair do país.

“No ano passado começámos a trabalhar de forma integrada com o escritório do Reino Unido, que faz toda a parte estratégica da campanha, ficando a cargo da equipa portuguesa a parte da implementação, design e produção. E o balanço deste ano foi tão positivo que se decidiu que a partir de agora todos os novos contratos passarão a ser geridos pela equipa portuguesa, que até ao final do ano deverá duplicar”, resume Erik Lassche.

Feitas as contas, a equipa portuguesa é altamente rentável pois se fosse recrutada no mercado inglês, os custos, quer ao nível dos salários quer ao nível dos descontos para a segurança social seriam a duplicar. “O custo dos web designers em Londres é mais do dobro que em Lisboa. O objectivo é, sem dúvida, maximizar os recursos que temos de forma económica, por isso, numa economia cada vez mais global, onde as fronteiras já não dizem tanto, tem toda a lógica suprir as necessidades de pessoal onde os recursos são mais baixos, e a qualidade do trabalho é boa, pois isso torna-nos mais competitivos, uma vez que se reflecte nos preços ao cliente”, realça ainda Erik Lassche, um holandês que está em Portugal há oito anos.

Entre outras, são várias as vantagens desta parceria, destaca o director da SixandCo: “A agência e os elementos da actual equipa aprendem com mercados mais evoluídos na área da internet e comunicação, ganham uma experiência única e potenciam o crescimento da agência possibilitando assim a criação de novos empregos para mão-de-obra qualificada em áreas tecnológicas e informáticas. Para a casa-mãe, esta equipa está muito bem preparada e consegue satisfazer os mercados mais exigentes”.

Tirando partido da expansão do mercado publicitário na Internet, em detrimento de outros mercados como o da imprensa ou da televisão, a SixandCo pretende, para 2009, alargar o âmbito do projecto com a casa-mãe britânica, de modo a que a equipa possa crescer em número de elementos e volume de trabalho ao ser responsável por mais projectos. Espera-se ainda este ano uma parceria, no mesmo âmbito, com a agência francesa do grupo.

Vantagens do outsourcing

Que vantagens oferece o outsourcing? Jorge Marques, presidente da Associação Portuguesa dos Gestores e Técnicos dos Recursos Humanos (APG) resume os principais benefícios:

“As empresas hoje deslocalizam o todo ou parte da sua actividade exactamente na procura de preços de custo mais baratos. Acontece com a China que é a fábrica do mundo e a Índia que é o escritório do mundo... Quando falamos de outsourcing, significa que vamos contratar uma outra empresa para que ela nos preste um serviço que anteriormente era feito por nós mesmos. E porque razões? Pode ser pelas mais variadas:
. Porque o objectivo é que a empresa se concentre exclusivamente no seu core business e passe as restantes actividades para uma empresa parceira;
. Porque a empresa outsourcer presta esse serviço mais barato do que aquele que a empresa tem em ‘casa’. Em média esta redução de custo pode ir entre os 25 e os 30%
. Porque se pode obter uma melhoria significativa dos serviços através da melhor prestação desse serviço pelo parceiro outsourcer;
. Porque os executivos da empresa se concentram no essencial do negócio
. Porque a empresa pode aceder a competências melhores do que as que tem e assim pode envolver-se num sistema de melhoria contínua;
. Porque quando se contratualiza um serviço e não um desempenho de uma pessoa, se garante a continuidade, um contrato com resultados, objectivos... Uma relação mais exigente, pois neste caso não existe o peso da relação laboral.
. Porque quando a empresa se socorre de um bom outsourcer, está a aceder à sua inteligência, desenvolvimento e inovação. No fundo, a um prestador de um serviço e simultaneamente a um consultor de negócios.





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