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O português F1

23.12.2004


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Fernanda Pedro

PROJECTAR e idealizar um Fórmula 1 é o sonho de muito jovens. Mas este é um desejo ao alcance de muito poucos, sobretudo em Portugal. Mas nada é impossível, e quando a determinação é muita, o sonho pode bem concretizar-se. Que o diga Pedro de Sousa, um jovem de 33 anos, engenheiro mecânico e que há quatro anos faz parte da equipa que projecta os carros de Fórmula 1 da McLaren.


A paixão pelas máquinas e, sobretudo, pelos carros, veio desde criança e foi precisamente depois de um acidente de viação que a sua vida iria mudar. Decidiu deixar a engenharia civil e seguir em frente na formação que sempre desejou: a engenharia mecânica. Saiu do Instituto Superior Técnico e foi para o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa para a licenciatura em Engenharia Mecânica.

Foi no final do curso que um dos seus professores o incentivou a prosseguir os estudos no estrangeiro. «A Inglaterra era uma boa alternativa, onde a indústria automóvel representa uma grande expressão na economia do país», explica o engenheiro. Acabou por escolher a Universidade de Cranfield e o mestrado em projecto de automóvel.

Apesar da sua convicção, Pedro Sousa estava crente de que seriam apenas dois anos de estudos e que regressaria a Portugal. Mas o jovem engenheiro adaptou-se muito bem em terras britânicas e quando chegou o Verão tentou um lugar na TWE, uma empresa de engenharia automóvel na área da consultoria e que estava envolvida em projectos de automóveis de corrida e de Fórmula 1.

O engenheiro reconhece que foi nessa altura que se apercebeu realmente de que tinha feito a escolha certa, «não só no curso, como também no país e também me apercebi que poderia ficar mais tempo do que o previsto». É que três meses depois a empresa convidou-o para ficar, mas Pedro preferiu terminar o mestrado. «Para valorizar mais o meu percurso profissional decidi ficar mais tempo e concorri a várias empresas da indústria automóvel», adianta.

Quando estava a terminar a fase curricular e a preparar a dissertação, começaram as chamadas para entrevistas. Duas empresas despertaram-lhe a atenção — a Ricardo e a Lótus. Para seu agrado, as respostas vieram positivas de ambas as empresas. Pedro optou pela Ricardo, «porque a Lótus estava a atravessar um período instável». A proposta foi muito tentadora, já que recebeu o convite para integrar os quadros e a equipa do departamento de estudo de dinâmica de veículos.

Seis meses depois, Pedro Sousa viu um anúncio da McLaren. «Concorri mas sem nunca pensar que teria hipóteses. Chamaram-me para a primeira entrevista e correu bem. Mas exigiam um nível científico e tecnológico muito elevado. Nesse mesmo dia fiquei a saber que tinha ficado apurado para a segunda entrevista», explica o engenheiro.

A 4 de Maio de 2004, num dia em que se encontrava no aeroporto para visitar Portugal, recebeu um telefonema da McLaren a dizer que tinha sido escolhido para o lugar. «Nem queria acreditar, pulei de contente, foi um sonho prestes a tornar-se realidade. Pelo desafio que representava, aceitei de imediato», recorda.

Pedro de Sousa figura assim como o primeiro português no mundo da Fórmula 1. Foi para o departamento da dinâmica de veículo e desenvolvimento de «software» e depois mudou para o departamento de análise estrutural do carro. «É um trabalho fascinante, mas difícil. Tudo acontece rapidamente, temos de ser rápidos a resolver as coisas não só dos carros como no próprio trabalho que desenvolvemos», refere.

Mas este é um trabalho que Pedro de Sousa não trocaria por nada deste mundo, pelo menos neste momento. Determinado na sua orientação profissional, este jovem engenheiro acredita que se as pessoas forem persistentes e acreditarem no seu trabalho podem chegar aos lugares que sempre desejaram.

Mas, a partir daqui, será difícil para Pedro de Sousa ambicionar chegar mais longe no mundo automóvel mas mesmo assim, aos 33 anos, acredita que tem ainda muito para percorrer. Por agora não põe a hipótese de regressar a Portugal mas, no futuro, talvez.

 






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