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O negócio dos tempos livres

04.01.2008


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Maribela Freitas
Raul Correia e Sílvia Gomes são dois jovens que há seis anos arriscaram na criação de um negócio próprio. Com formação na área do desporto e da gestão de recursos humanos, verificaram que existia uma necessidade no mercado de empresas que organizassem serviços de actividades de tempos livres e avançaram com a criação da Espalha Ideias.

“Desde 2001, quando arrancámos com a empresa que nos posicionámos para preencher uma lacuna que verificámos existir no mercado”, explica Raul Correia. Nessa altura, muitas das actividades de tempos livres eram organizadas de forma pouco profissional, escasseando a sua qualidade. Foi assim que os dois jovens amigos, então com 27 anos, criaram a Espalha Ideias, vocacionada para a gestão de tempos livres.

Mas a ideia de criar esta empresa partiu de um convite feito a Sílvia Gomes. Licenciada em desporto e professora de educação física, a empreendedora foi convidada para coordenar o ATL de uma escola onde leccionava. É que, este serviço era na altura gerido directamente em muitas escolas por associações de pais. “Como eram muitas crianças, convidei o Raul para me auxiliar. Fizemos a coordenação em conjunto e depressa nos apercebemos que havia aqui uma oportunidade de negócio”, conta Sílvia Gomes. Com a experiência de ensino da Sílvia e a prática de organizar colónias de férias de Raul, estavam perante dois «skills» importantes para o que se propunham fazer. Deitaram mãos à obra e começaram a prestar um serviço de ocupação de tempos livres e férias, às associações de pais.

Ao fim de algum tempo a trabalhar nesta área, Sílvia e Raul aperceberam-se que este modelo de gestão dos ATL iria ficar ultrapassado em breve. “Começámos a ter a percepção de que o futuro destas actividades iria passar pela municipalização e em 2004 iniciámos o contacto com as autarquias nesse sentido”, relembra Raul Correia. Neste aspecto foram visionários porque pouco tempo depois, com a entrada de um novo executivo em 2005, deu-se início à organização das actividades de enriquecimento curricular nas escolas de primeiro ciclo pelos municípios. “Foi um ano de viragem”, salientam os empreendedores. Um ano antes a própria Espalha Ideias tinha já começado a prestar este serviço. Os empreendedores adaptaram-se às novas realidades e hoje é só este serviço que prestam, estando a trabalhar com cinco autarquias, num total de 100 escolas, em todo o país. Actualmente são contratados directamente pelo promotor das actividades de enriquecimento curricular, para as desenvolver.

Ao longo destes anos de trabalho, as Espalha Ideias cresceu o que fez com que estes amigos tivessem de tomar algumas decisões profissionais. “Tive um grande obstáculo a romper. Dava aulas e ao fim de dois anos na empresa e com o seu crescimento, apercebi-me de que se queria que ela crescesse mais, tinha de me dedicar a tempo inteiro”, conta Sílvia Gomes. Já Raul Correia deixou para trás o seu trabalho na área do teatro e estudo de música jazz, actividades que desenvolvia com regularidade, apesar de licenciado em gestão de recursos humanos.

Contudo, estas não foram as únicas dificuldades dos dois amigos. A própria concepção do projecto inicial era inovadora e a obtenção de licenças foi complicada. “Não havia modelos de empresas como esta e só há três anos é que começou a surgir alguma legislação mais específica para esta área”, comenta Raul Correia.

Depois, o financiamento para a sua concretização teve de ser de fundos próprios. “Os bancos só emprestam dinheiro a quem já o tem e na minha opinião, não há cultura de investimento em capital de risco”, frisa Sílvia Gomes.

Quanto a postos de trabalho e além dos ocupados pelos sócios, a Espalha Ideias trabalha com uma média de 270 pessoas. “Nunca pensei que o negócio fosse desembocar numa coisa tão grande e penso que esta é uma área de trabalho para o futuro”, conta Raul Correia. Por isso mesmo, estes empreendedores não querem ficar por aqui e têm planos para os próximos anos, que não revelam.

No mundo atribulado dos negócios, a chave para vencer é, na opinião de Sílvia Gomes “saber bem o que se quer, ter vontade de fazer as coisas bem feitas, ser perseverante e gostar do que se executa”. Já Raul Correia aponta “a inovação, fazer contas e prever cenários, ter vontade de arriscar e olhar para a frente”, como imprescindível para se singrar num negócio.





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