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O elo mais discriminado

27.03.2008


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Marisa Antunes

Cronicamente discriminadas durante a vida activa, onde auferem salários inferiores aos seus pares masculinos (para as mesmas funções) e onde poucas conseguem chegar a cargos de topo, as mulheres portuguesas pagam, consequentemente, também a factura quando o desemprego bate à porta. Em 2007, o subsídio de desemprego mensal pago aos homens foi, em média, de 431 euros, enquanto o pago às mulheres era de 340 euros, o que correspondia a 78,9% do pago aos homens.

O economista Eugénio Rosa, do gabinete de estudos económicos da CGTP-In fez as contas e chegou ainda a outras conclusões que revelam as dificuldades que enfrentam as mulheres em Portugal. “No ano passado, 53,1% dos desempregados com o ensino básico eram mulheres; 58,3% dos desempregados com o ensino secundário eram mulheres, e 70,3% dos desempregados com o ensino superior também eram mulheres. Portanto, quanto maior é o nível de escolaridade maior é a proporção de mulheres desempregadas”, realça o economista.

Outra constatação dá conta que uma parcela significativa do emprego ocupado por profissionais do sexo feminino ou é a prazo, ou é a tempo parcial, ou na situação de “independentes”, constituindo os chamados “falsos recibos verdes” que são, de facto, “trabalhadores por conta de outrem”, sublinha ainda.

Segundo dados do INE, em 2007, as mulheres constituíam apenas 46% dos trabalhadores por conta de outrem com contrato sem termo, mas já eram 48,2% dos com contrato a prazo. Também em 2007, as mulheres não passavam dos 45,2% dos trabalhadores por conta de outrem com contrato a tempo completo mas já constituíam 78,2% dos detentores de contrato de trabalho a tempo parcial.

“Para se ter uma ideia das consequências desta situação para as mulheres interessa ter presente que, e de acordo com os dados constantes das ‘Estatísticas do Emprego — 2º Trimestre de 2007-INE', o rendimento mensal líquido médio de um trabalhador por conta de outrem era de 747 euros com contrato permanente e de apenas 581 euros (77,7%) com contrato a prazo; e de um trabalhador a tempo completo era de 730 euros enquanto o de um a tempo parcial era apenas de 340 euros (46,6% dos a tempo completo)”, sublinha o especialista.

Apesar das diferenças negativas que se revelam após a entrada no mercado de trabalho, é pela positiva que elas se destacam em todas as etapas do ensino, onde são menos afectadas pelo insucesso e o abandono escolar. Entre os alunos inscritos no ensino superior e também a nível de diplomados, as mulheres são claramente maioritárias em relação aos homens. Assim, no ano lectivo 2005/2006, dos 71.828 diplomados que saíram nesse ano, 65,4% eram mulheres. No ano lectivo 2006/2007, dos 366.729 alunos inscritos no ensino superior, 54% eram mulheres, o que mostra que a taxa de finalização dos cursos por mulheres é muito superior à dos homens.





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