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Normas para bem gerir

O «selo da qualidade» é essencial para o sucesso das empresas
02.06.2006


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Maribela Freitas e Marisa Antunes

A aposta na qualidade dos recursos humanos deveria ser uma meta a atingir pelas organizações, mas a maior parte das empresas nacionais ainda não faz uma aposta forte nesta área.

«Já existem muitas empresas com bons sistemas de gestão de recursos humanos, mas a grande maioria tem ainda modelos básicos de gestão administrativa, que não vão além do pagamento dos salários e do cumprimento das obrigações legais», realça Jorge Marques, presidente da Associação Portuguesa dos Técnicos e Gestores dos Recursos Humanos (APG). Porém, «sem uma boa gestão das pessoas não há qualidade na gestão global», defende Jorge Marques, até porque isso pode significar a morte da empresa, «pois o mercado vai penalizá-las por isso».

Adoptar normas de qualidade é, assim, meio caminho andado para garantir a sobrevivência a longo prazo de uma organização. Carlos Valente, vice-presidente da Associação Portuguesa de Qualidade (APQ), explica que «a norma com maior expressão junto das organizações, quer a nível nacional quer europeu é a NP EN ISO 9001:2000 que está focada na eficácia do sistema de gestão da qualidade de uma organização para ir ao encontro dos requisitos do cliente».

Especificamente na área dos recursos humanos, foi publicada em 2003 uma norma portuguesa, a NP 4427, que define os requisitos para sistemas de gestão de recursos humanos. «Esta norma tem por base o princípio de que os processos de gestão de recursos humanos devem tratar de atrair, manter e desenvolver as pessoas que desempenham actividades na organização. Para garantir esse princípio esta norma é a mais recomendável», pormenoriza Carlos Valente.

Existe ainda a norma «Investors in People». «Aqui pretende-se ajudar as organizações a alcançar as suas metas através de uma gestão eficaz da formação das pessoas. É recomendado para organizações que tenham um sistema de gestão da qualidade e que pretendam criar condições para o desenvolvimento individual das pessoas no sentido de potenciar a criação de competências para promover a mobilidade das pessoas», refere o responsável da APQ.

Quanto à importância de aplicar estas normas nas organizações, Carlos Valente considera ainda que «os requisitos que compõem estas normas foram testados por milhares de organizações, demonstrando-se assim claramente os seus benefícios, quer para a melhoria dos Recursos Humanos quer para o negócio em geral».

Apesar dos benefícios que trazem, estas directivas, por serem recentes, pecam por falhas de aplicação. «A NP 4427 é ainda uma norma recente, precisa de metodologias de aplicação, precisa ser mais explicada e de mecanismos de avaliação e correcção permanentes. A questão mais importante a vencer é a razão cultural, as empresas viram sempre nas pessoas um custo e não um activo que deve ser gerido com regras próprias», sublinha Jorge Marques.

Apesar de tudo, as empresas já se vão apercebendo da mais-valia que ganham ao adoptar este «selo de qualidade». «Foi o princípio da discriminação positiva que levou as empresas a essa adesão e não a obrigação do cumprimento das leis. Ainda chegará um dia em que todas as empresas estarão certificadas, como condição mínima para estar no mercado», reforça o responsável.





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