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Natixis quer atrair emigrantes qualificados

Natixis quer atrair emigrantes qualificados

A financeira está a conduzir uma operação de recrutamento em França para trazer de volta a Portugal trabalhadores que saíram com a crise

29.11.2018 | Por Cátia Mateus


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Nos últimos três anos a Natixis, divisão internacional de banca empresarial e de investimento do Groupe BPCE — Banque Populaire & Caisse d’Epargne, criou 460 postos de trabalho na cidade do Porto, no Centro de Excelência em Tecnologias de Informação que instalou em Portugal. A multinacional francesa quer superar a fasquia dos 650 trabalhadores no próximo ano e está, em França, a conduzir uma operação de recrutamento destinada a trazer de volta ao país alguns dos talentos qualificados que emigraram com a crise. Telmo Fernandes, diretor de Recursos Humanos da Natixis em Portugal, não avança números mas reconhece que parte das 190 contratações previstas pela empresa para o próximo ano poderão ser conseguidas através desta operação.
 
Os objetivos da multinacional são claros: atrair talento altamente qualificado na área tecnológica e com domínio de tecnologias e softwares que são pouco utilizados em Portugal, “mas que para a operação da Natixis são vitais”, explica Telmo Fernandes. O diretor de recursos humanos reconhece que “o mercado português de tecnologias de informação é um mercado muito difícil”, mas acrescenta que a empresa tem conseguido superar os objetivos de contratação e identificação de talento a que se propôs quando lançou a operação. 
 
A decisão de recrutar em França não é, por isso, uma resposta à inexistência de talento em Portugal, ainda que nos últimos anos se tenha tornado mais desafiante recrutar nesta área (ver caixa). É antes uma aposta estratégica da empresa. “Numa área destas não podemos deixar de identificar e atrair os melhores talentos, estejam eles onde estiverem”, reforça Telmo Fernandes que acentua a opção da empresa pela contratação de especialistas portugueses. Da equipa de 460 elementos que atualmente compõe a operação nacional da Natixis, só nove são estrangeiros. 

40 contratações ?antes do final do ano
Ainda este ano, a empresa deverá reforçar a sua estrutura nacional com 40 profissionais tecnológicos, elevando para os 3 mil o número de colaboradores com esta especialidade a trabalhar na empresa (num universo de 21 mil trabalhadores a nível global). O centro tecnológico da empresa em Portugal dá suporte aos serviços do banco — banca empresarial e de investimento, banca de retalho, seguros, pagamentos, infraestruturas e segurança e funções de suporte —, de forma integrada e transversal, nos 38 países onde opera.
“Alguns dos projetos mais inovadores desenvolvidos a partir de Portugal estão nas áreas da robótica, automação de processos, chatbot (uma ferramenta simples e interativa para comunicação com os clientes do banco), cloud e DevOps”, explica o diretor de recursos humanos. Para este centro a Natixis recruta múltiplos perfis tecnológicos, desde profissionais para as áreas de suporte aplicacional, análise de negócio, administração de base de dados, big data, business intelligence e outras para funções mais transversais.
 
As oportunidades de recrutamento são identificadas trimestralmente e a equipa de recursos humanos está permanentemente no mercado a identificar potenciais talentos. Talvez por isso, Telmo Fernandes não coloque de parte a possibilidade de voltar a França para atrair talento para a empresa à margem do evento realizado esta semana, na sede da empresa, em Paris. O diretor de recursos humanos reconhece que nos últimos anos Portugal perdeu uma fatia relevante de talento, também na área tecnológica, de profissionais que abandonaram o país à procura de melhores oportunidades laborais. Talento que, reforça, “é importante voltar a recuperar”.
 
A iniciativa da Natixis acontece numa altura em que o Governo prepara incentivos para atrair de volta ao país emigrantes qualificados, com a possibilidade de só virem a pagar IRS sobre metade da remuneração que auferirem, quer a título de trabalho por conta de outrem quer por conta própria. 
 
Banca nacional despede, estrangeira contrata
Na última década, os cinco maiores bancos nacionais extinguiram mais de 6700 postos de trabalho e há ainda reduções em cima da mesa para concretizar até 2020. Feitas as contas, dentro de dois anos, o sector terá menos 10 mil postos de trabalho do que tinha há dez anos. Já a banca internacional presente em Portugal traça um caminho inverso. O nosso país tornou-se um destino apetecível para instituições financeiras internacionais como a Natixis, o BNP Paribas ou o Bankinter, que fizeram cá operações atraídas pelo nível de qualificação dos profissionais nacionais e pelo talento disponível no mercado, com experiência no sector financeiro. Juntas, estas instituições criaram nos últimos anos em Portugal mais de 6 mil postos de trabalho, e as suas operações deverão continuar a crescer em 2019.


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