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Na rota do saber

O aproveitamento do conhecimento produzido pelas universidades é uma mais-valia para o desenvolvimento das cidades
07.06.2007


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Maribela Freitas
A produção de conhecimento é uma das funções primordiais das universidades. Integradas nas cidades, quando as autarquias sabem aproveitar este conhecimento para desenvolver o seu território, nascem urbes mais desenvolvidas e com maior potencial para singrar num contexto territorial. Guimarães e Aveiro são dois exemplos.

Na opinião de Carlos Zorrinho, coordenador nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico, a produção de conhecimentos pode ser uma mais-valia para o desenvolvimento de uma cidade, mas “tudo depende do grau de assimilação e retenção da cidade e da forma como a estratégia do pólo universitário se interliga com a de afirmação da própria urbe”. Segundo Carlos Zorrinho, “os casos portugueses de sucesso, e também os estrangeiros, decorrem exactamente da projecção de uma visão comum forte e consistente”.

As universidades oferecem conhecimento, público sofisticado e potenciais empreendedores. À cidade cabe potenciar esta procura e criar um ambiente favorável à fixação de trabalhadores e indústrias do conhecimento. Carlos Zorrinho acrescenta mesmo que os pólos universitários têm sido essenciais à sustentação da malha urbana, em particular no interior. “Vila Real, Covilhã, Évora, entre outras, são exemplos de cidades que passaram a um novo patamar de dinâmica e vibração pelo facto de terem pólos universitários, reforçando em simultâneo vocações específicas no domínio da agricultura, saúde, turismo e património”, frisa.

Já Lisboa, Porto e Coimbra consolidaram uma relação existente há muitas décadas. “Hoje a universidade é o melhor cartão de visita de Guimarães e de Aveiro e o seu principal factor de atractividade, criando a imagem de pólos urbanos jovens, dinâmicos e modernos”, salienta o coordenador do Plano Tecnológico.

Em Guimarães está localizado o Campus de Azurém, que agrega a sede e a maioria dos departamentos da Escola de Engenharia e algumas valências de arquitectura, ciências e ciências sociais da Universidade do Minho (UM), num total de seis mil alunos. Para António Magalhães, presidente da Câmara Municipal de Guimarães (CMG), “a UM é o parceiro estratégico do município, em resultado das suas capacidades endógenas, implantação regional e vontade em colaborar activamente com os parceiros locais, através da criação de interfaces que permitam a transferência de conhecimento para o nosso tecido económico”. Essa colaboração passa, por exemplo, pela consulta e aconselhamento recíprocos e colaboração na estruturação e concretização de projectos conjuntos.

Exemplo disso é o AvePark – Parque de Ciência e Tecnologia, localizado a quatro quilómetros de Guimarães. “Quando a autarquia sentiu que tinha a UM consigo, avançou definitivamente para o projecto, adquirindo a maioria do capital e impulsionando decisivamente a sua construção. Não faz sentido apostar em estruturas deste género sem o comprometimento assumido por parte de uma universidade que esteja disposta a apostar na estrutura para desenvolver actividades de investigação e transferência de conhecimento para processos produtivos”, explica o autarca.

Feitas as contas, todos ganham: a universidade, plataformas de trabalho; a cidade e o concelho, saídas profissionais e diversificação do tecido económico. Acerca do AvePark, António Cunha, presidente da Escola de Engenharia da UM, refere ainda que, “apesar da importância dos outros parceiros institucionais e privados, este projecto nunca teria sido possível sem uma concentração de esforços entre a universidade e a autarquia”. O CampUrbis é outro projecto destas duas entidades. Trata-se da recuperação de um quarteirão que se dedicava à indústria de couros e que irá ser usado para diversas valências.

Além de Guimarães, Aveiro é outra das cidades que tem sabido aproveitar as sinergias com o ensino superior do seu território. “A Câmara Municipal de Aveiro (CMA) e a Universidade de Aveiro (UA) têm colaborado sempre em projectos que permitiram desde a expansão da universidade até às colaborações a nível de cultura, despoluição da ria ou ao seu plano estratégico”, conta Pedro Ferreira, vereador com o pelouro das relações com o ensino superior da CMA. Acrescenta ainda que, “a nível empresarial, a presença da UA é um garante da manutenção de Aveiro como a capital das telecomunicações e um pólo gerador de conhecimento para o futuro”. Na sua perspectiva, as urbes só têm a ganhar com esta ligação, pois “podem ser laboratórios vivos onde se aplique o conhecimento teórico, ao mesmo tempo que são os seus problemas orgânicos que irão permitir teorizar e desenvolver soluções a nível de investigação portadoras de um melhor amanhã para as comunidades”.

Para Manuel Assunção, vice-reitor da UA, o impacto desta instituição não se sente só em Aveiro mas também em Ílhavo, dada a localização da UA na fronteira destas cidades. Com 14 mil alunos, a universidade está a desenvolver uma série de projectos com a CMA e outras instituições, Apesar disso, Manuel Assunção afirma que “tirar o máximo partido da presença da universidade implica pensar em conjunto estratégias de desenvolvimento e sustentabilidade para a cidade, o que ainda não acontece. No entanto, tem havido uma crescente aproximação nesse sentido





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