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Matemáticos à escala europeia

O país não tem grandes tradições nesta matéria, não está particularmente bem cotado a nível internacional no campo da matemática e os resultados dos alunos portugueses nesta disciplina não dão, historicamente, grandes margens para optimismo. Ainda assim, a multinacional Mercer decidiu desafiar as estatísticas e implantou em Portugal um centro europeu de serviços partilhados que emprega, calcule-se, apenas licenciados em matemática
08.05.2008


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Cátia Mateus
Sabia que há, neste momento, países da Europa a recrutar matemáticos em Portugal? E sabia que o país tem sediado um centro europeu que emprega cerca de 40 licenciados em matemática e que exporta serviços de avaliação actuarial de benefícios de reforma (planos de pensões, cuidados de saúde, entre outros) para a generalidade dos países europeus? Pois saiba que apesar dos problemas nacionais em relação à matemática, Portugal venceu a Espanha e vários países de Leste na ‘corrida' para a implantação do Mercer Retirement Service Centre (RSC). Este centro europeu de serviços partilhados está a funcionar no país desde 2006 e prevê atingir os 80 trabalhadores num espaço de três anos, contrariando o diagnóstico fatídico que sempre recaiu sobre a matemática lusa. E a verdade é que os matemáticos lusos estão já a ser disputados lá fora, uma vez que as delegações da Mercer em Paris e Belfast estão a recrutar pessoas em Portugal.

Jovens, licenciados em matemática, com mestrado ou MBA, especializados em diversos ramos como o actuariado, estatística, investigação operacional, financeira, economia e gestão. É este o perfil dos colaboradores do RSC da Mercer. Em dois anos a empresa recrutou 40 profissionais, "procurando sobretudo profissionais que sejam capazes de trabalhar em equipa e num ambiente dinâmico onde as mudanças ocorrem a um ritmo acelerado", esclarece Nélia Câmara, responsável pelo RSC.

Segundo a responsável, "o Lisbon RSC integra-se numa estratégia iniciada pela Mercer, em finais de 2005, de que resultou a criação de centros de serviços partilhados relacionados com a consultoria em pensões". Nélia Câmara revela que "os critérios que levaram à escolha do nosso país prendem-se com as competências técnicas dos nossos actuários, a qualidade dos licenciados em matemática e a diferença de ciclos de negócio face a outros países — por exemplo, a actividade actuarial em Portugal decorre de Setembro a Março e no Reino Unido, de Abril a Setembro".

Mas, além destes factores, outros há que determinaram a implantação deste centro em Portugal como os bons conhecimentos de inglês (que é a língua utilizada neste centro), a facilidade em adquirir novos conhecimentos e a capacidade de adaptação a novas culturas. Factores que ajudaram a tornar mais seguro e sustentado o investimento de mais de dois milhões de euros que a Mercer fez já neste centro desde a sua criação.

E porque esta é uma área em constante mutação, a Mercer não descuida a componente formativa destes quadros. Diogo Alarcão, «market leader» da Mercer Portugal, adianta que "a empresa tem programas de formação profissional que abrangem quer competências genéricas, como conhecimentos específicos". Em função das suas necessidades, a Mercer recorre a formação interna (com elementos portugueses ou de outros escritórios) e a entidades externas nacionais e estrangeiras. "Considerando que somos uma empresa cujo principal activo são os nossos colaboradores, e a sua capacidade de apresentar soluções inovadoras aos nossos clientes, temos uma constante preocupação com a qualificação profissional e com a formação pós-académica", explica Diogo Alarcão, que frisa a existência de sistemas de incentivo e apoio que passam pelo co-financiamento da formação dos colaboradores já que esta é também uma ferramenta-chave para atrair e reter talentos.

E a verdade é que estes profissionais estão já bem cotados no panorama internacional. Fruto, ou não, deste investimento da empresa nas competências dos seus profissionais, "há já um interesse grande não só por parte dos centros como também dos consultores em recrutar pessoas com o perfil que temos em Lisboa", explica Nélia Câmara. Uma ideia corroborada por Diogo Alarcão que aponta a mobilidade como um elemento basilar nas políticas de progressão na carreira em vigor na empresa.

O «market leader» da Mercer explica que "a Mercer procura estar alinhada ou acima das melhores práticas do mercado em matéria de progressão profissional e são já vários os casos de colaboradores que iniciaram carreiras internacionais a partir de Lisboa". O especialista refere ainda que "além da mobilidade internacional, promovemos a mudança a nível interno entre áreas de negócio e procuramos lançar novos desafios aos colaboradores incentivando a sua participação em projectos e iniciativas internacionais".

Um investimento estratégico que deverá incrementar-se a médio prazo já que "nesta fase necessitamos dos colaboradores mais seniores e dos melhores talentos para garantir que continuamos a crescer em Lisboa", enfatiza Nélia Câmara.

O RSC Lisbon é o único centro da Mercer a trabalhar com mais de um país traduzindo uma enorme diversidade a nível laboral e uma necessidade de flexibilidade elevada. "Cada colaborador necessita de ser especialista em pelo menos dois países e parte do sucesso do país face a outros centros deve-se ao facto do mercado nacional de benefícios pós-reforma apresentar alguma complexidade devido à sua diversidade (planos de pensões, prémios de antiguidade, prémios de reforma, seguro de vida, planos de saúde, etc.)", explica Nélia Câmara. Além disso, comenta, "existem vários tipos de sistemas de protecção social que tornam as avaliações actuariais mais complexas em termos de programação e o facto de estarmos habituados a trabalhar com planos de pensão complexos e diversificados, ajuda a assimilar rapidamente o conhecimento de outro tipo de planos".

A meta da Mercer é que Lisboa seja o centro mais importante para a realização de avaliações para a Europa. De momento o centro trabalha com nove países, prepara-se para duplicar os serviços para um dos países com quem trabalha e iniciar a actuação noutro. Uma razão válida para prever novas contratações para o RSC. "Ainda não sabemos o número exacto de pessoas a recrutar este ano, mas para 2009 já é certo que teremos de recrutar um grupo significativo tendo em conta que pretendemos novamente expandir os serviços que temos com alguns países. Em 2010 é possível termos um grupo de 60 a 70 colaboradores", conclui Nélia Câmara.





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