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Gestão de pessoas em tempos difíceis

Como agarrar o emprego que se tem, o que fazer se o perder e como se devem comportar as chefias de uma empresa quando a situação de crise se complica? Estes foram alguns dos tópicos da conversa com Mario Alonso Puig, especialista em comportamento organizacional e que vem a Portugal para a semana
08.04.2009


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Marisa Antunes
É nos momentos mais difíceis que as pessoas se revelam e por isso a recessão à escala global está a ser uma prova de fogo a todos os níveis: nas chefias, de quem se espera uma liderança à altura, passando pelos colaboradores que enfrentam desafios muito mais exigentes e ainda para os profissionais que subitamente se viram sem trabalho e estão no processo de recomeçar de novo.

Para falar sobre estes e outros temas, a AIP (Associação Industrial Portuguesa) vai trazer a Portugal, já na próxima semana, no dia 16, um dos grandes especialistas em liderança e criação de equipas de alto rendimento em situações de pressão. Mario Alonso Puig, que vem participar no ciclo de conferências da AIP, ‘Gestão em Tempos de Transição', falou em antecipação para o ExpressoEmprego e deixou algumas dicas e conselhos para quem faz parte do mundo do trabalho.

Para todos aqueles que estão a trabalhar mas que se sentem pressionados devido à instabilidade que se vive, o orador lembra que o importante é não ter medo de arriscar e deixar antes fluir a criatividade. “Muitas pessoas nem se apercebem do talento e do potencial que possuem, pois estes só surgem em momentos de inspiração ou de desespero, quando se sente que se chegou ao fundo. Mas é fundamental não esquecer que a probabilidade de manter o nosso posto de trabalho se reduz quando deixamos de procurar alternativas para crescer e evoluir no meio da incerteza”, realça Mario Alonso Puig, que é médico-cirurgião (tendo exercido durante mais de 25 anos), sendo ainda membro da Escola de Medicina da Universidade de Harvard.

“Tal como não podemos confundir a erudição com a sabedoria, também não podemos confundir os nossos conhecimentos com as possibilidades reais que nos oferece a nossa imaginação, para descobrir oportunidades onde antes só víamos restrições, obstáculos e limitações. A crise não é senão uma exigência para mudar algo em nós mesmos e na nossa relação com o mundo”, aconselha o especialista, que em Portugal, para as conferências organizacionais é representado pela empresa iZi Palestras Speaker Bureau.

“Esperar mais do que o possível”

Segundo Mario Alonso Puig — que será também um dos oradores na Expomanagement de Madrid 2009 no próximo mês de Maio — “são as pessoas proactivas que fazem a diferença”: “Atrever-se mais do que parece seguro, acreditar para lá do razoável e esperar mais do que parece possível, é o que permite criar novas realidades em novas vidas. Primeiro crê-se, depois actua-se”.

A grande conclusão, defende, “é que uma pessoa que apenas acredita que a incerteza só pode ser perigosa, vai ter muitas mais dificuldades em adaptar-se do que aquela que olha para a incerteza como um desafio onde há perigos mas também oportunidades”. A partir de um determinado ponto, esta pessoa será capaz de descobrir o perigo antes que seja demasiado tarde e de encontrar a oportunidade antes que esta seja demasiado óbvia, reforça o orador.

Se os colaboradores são parte integrante nesta espécie de task-force contra a crise, as chefias são determinantes para o sucesso da acção. O especialista recorda que o exercício de liderança é fundamental para que uma empresa saia fortalecida desta crise, porque é isso que vai permitir que todo o talento, experiência e criatividade das pessoas que trabalham na empresa se unam num objectivo comum”.

“O líder não precisa ganhar um concurso de popularidade. Precisa antes ser firme, dar a cara pelo que vale a pena e apelar à responsabilidade das pessoas para que contribuam com o seu melhor. Um bom líder tem uma visão clara da meta de até onde é necessário ir. A sua força não se baseia no poder do seu cargo, mas sim na autoridade que lhe reconhecem as pessoas, pela sua forma de ser e pela coerência entre o que diz e aquilo que faz”, justifica o médico espanhol, que no seu currículo acumula ainda a distinção por Mérito em Comunicação e Relações Humanas do Instituto Dale Carnegie, Nova Iorque.  

Enfrentar o desemprego

Quem perde o emprego experimenta várias fases de adaptação à sua nova realidade. “A primeira é o choque. A segunda é a negação, a pessoa tenta convencer-se a si mesma e aos outros que aquilo que aconteceu não pode ser real. A terceira fase é a da raiva, onde uns se culpam a si mesmos, e outros ao mundo em geral. Manifestações dessa ira são o ressentimento, a frustração, as condutas passivo-agressivas. Esta é a fase mais negativa, quer para as relações interpessoais quer para o próprio bem-estar da pessoa, debilitando o seu sistema imunitário que a defende contra as bactérias, vírus e tumores”, explica Mario Alonso Puig.

Para quem está a passar por este turbilhão de emoções, o especialista aconselha a expressar as emoções, pois “quando alguém se sente escutado, aparecem os outros dois sentimentos que permaneciam ocultos: a tristeza e o medo, que não são senão a expressão da dúvida sobre a capacidade de se adaptar a uma nova situação”.

Uma vez que estas emoções tenham sido demonstradas, a pessoa experimenta uma grande serenidade, aceita que está de novo em jogo e pode começar a adaptar-se, remata Mario Alonso Puig.





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