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Falências 'cortam' salários

19.03.2004


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Ruben Eiras

OS TRABALHADORES portugueses afectados pelas falências e deslocalizações empresariais sofrem uma quebra salarial na ordem dos 11%. Esta é a principal conclusão de um estudo elaborado por Anabela Carneiro, docente na Faculdade de Economia do Porto, que foi apresentado no seminário "Desenvolvimento Económico Português no Espaço Europeu", organizado pelo Banco de Portugal nos dias 11 e 12 de Março na Fundação Calouste Gulbenkian. A investigadora baseou os seus cálculos nos dados dos Quadros de Pessoal de 1994 a 1996, utilizando a informação relativa aos trabalhadores que perderam os empregos devido ao encerramento da empresa.


A pesquisa revela que os efeitos do desemprego provocado pelo encerramento da empresa no salário são persistentes e de magnitude significativa.

Com efeito, em comparação com as remunerações dos trabalhadores que não foram afectados por este fenómeno, o valor salarial por hora de trabalho dos homens é 10% menor e o das mulheres chega a um valor 12% mais baixo.

Por sua vez, a análise empírica dos resultados mostra que o aprofundamento do fosso salarial entre estes dois grupos de trabalhadores se deve ao aumento da rotatividade no emprego e à mudança do tecido industrial.

"Isto poderá significar que este fenómeno laboral leva à destruição de características específicas da empresa que influenciam positivamente os salários, como a sua dimensão e o nível de vendas por trabalhador", refere Anabela Carneiro.

Desempregados mais penalizados

Um terceiro factor que induz ao corte salarial nos trabalhadores afectados pelo encerramento das empresas deve-se ao longo tempo em que estão desempregados.

Neste plano, a investigadora constatou que a fatia da força de trabalho que passou por uma situação de desemprego prolongada sofreu, em média, uma penalização adicional de 3% a 6% na remuneração por hora de trabalho.

Para atenuar os efeitos desta situação, Anabela Carneiro sugere que o serviço público de emprego deverá apostar na assistência à procura de trabalho e em programas de formação que visem a actualização e reconversão de competências.

A investigadora também frisa que o estudo confirma que os trabalhadores nas empresas em risco estão dispostos a enveredar pela moderação salarial para evitar o encerramento da empresa.

"Todavia, como muitas pesquisas já mostraram, a incidência do salário mínimo no nosso tecido empresarial é significativo. Isto significa que muitas empresas não têm margem para 'puxar' a massa salarial para valores mais baixos", salienta.

Neste contexto, Anabela Carneiro defende que a inclusão do "lay-off" temporário poderia reduzir o elevado nível de encerramento de empresas que caracteriza a economia portuguesa.





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