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Ensino com iniciativa

Portugal vai criar o Fórum do Empreendedorismo e fomentar a iniciativa entre os jovens
13.10.2006


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Cátia Mateus

A Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), a Fundação Calouste Gulbenkian, a Associação Empresários pela Inclusão Social e a COTEC Portugal, em parceria com o Ministério da Educação, preparam-se para criar o Fórum do Empreendedorismo. A iniciativa — que ficará integrada na agenda do Plano Tecnológico — foi recentemente anunciada (por ocasião de uma missão empresarial lusa aos Estados Unidos) e tem por meta apoiar o desenvolvimento de uma atitude proactiva e empreendedora junto dos jovens portugueses. O Fórum contará também com o apoio da National Foundation for Teaching Entrepreneurship (NFTE), uma organização americana cuja missão é fomentar a capacidade de iniciativa pela via do ensino, junto das camadas estudantis.

Prioridade ao ensino' poderia muito bem ser o lema do Fórum do Empreendedorismo, a criar em Portugal. Inspirados pelo modelo preconizado pela NFTE — já aplicado junto de mais de 150 mil alunos e 3700 professores certificados, em 28 Estados americanos e 13 países fora dos EUA — os mentores do Fórum do Empreendedorismo em Portugal querem apostar forte na promoção da iniciativa empresarial, pela via educativa.

Diversificação dos cursos existentes, aumento dos apoios públicos e privados, investimento do ensino empreendedor desde a escola primária até à universidade, em vários horários e modalidades (cursos nocturnos, intensivos ou de duração variada e até mesmo ensino pela Internet) e desenvolvimento de formações transversais, são algumas das apostas da nova estrutura.

A iniciativa servirá para reforçar a posição de Portugal na rota do empreendedorismo. Um país onde a formação nesta área só há pouco tempo ganhou dinamismo. Durante vários anos, o movimento do empreendedorismo nacional centrou-se no papel activo de algumas associações empresariais que, através da formação e da organização de eventos e debates, chamavam a atenção para a temática. Só recentemente, o ensino do empreendedorismo perdeu a timidez.

Segundo Dana Redford, um professor norte-americano residente em Portugal e autor do primeiro estudo nacional sobre empreendedorismo, “a educação em empreendedorismo constitui uma temática recente no currículo das instituições de ensino superior em Portugal”. O autor revela que “a formação superior nesta área está a ganhar uma dinâmica crescente no país”.

O estudo que realizou permitiu concluir que no universo académico português estão a ser leccionadas 22 disciplinas de empreendedorismo, em 17 instituições de ensino superior, de norte a sul do país. Um movimento recente já que, segundo o autor, “41% das disciplinas foram pela primeira vez leccionadas em 2003 ou 2004”.

Para Dana Redford, “a recente consciencialização para a importância da educação em empreendedorismo revela-se, simultaneamente, reactiva face às necessidades do mercado, mas também proactiva, atendendo aos interesses dos professores”.

Segundo o doutorado — que tem vindo a tentar criar uma ligação mais estreita entre as realidades portuguesa e americana — “é importante que se comece a falar em empreendedorismo desde cedo, para mudar as mentalidades. Mas, as competências-chave devem ser adquiridas no terceiro nível de ensino”. Para o autor, “o empreendedorismo exige um trabalho contínuo”. Tanto mais que Portugal denota alguns problemas neste campo.

Dana Redford argumenta que “os métodos pedagógicos utilizados no país baseiam-se sobretudo no ensino teórico e no desenvolvimento de planos de negócio, o que não é bom”. O docente defende um modelo sustentado em três áreas: construção de rede de contactos (“que os portugueses continuam a confundir com ‘cunhas' e a não encarar como sinergias”); internacionalização e a mudança da cultura anti-risco.

Dana Redford acredita mesmo que parte do sucesso de um projecto reside na interiorização de que “o falhanço de uma empresa não é o falhanço individual”. O académico argumenta que é essencial que os formadores tratem de forma ampla e esclarecida o tema ‘falência'. Só assim é possível trabalhar para a sua prevenção e minimizar os riscos.





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