Engenheiros mais internacionais
Num país onde já não há profissões imunes à crise e ao desemprego, a engenharia parece continuar a resistir à adversidade, seja pelas oportunidades que vão surgindo em Portugal, seja pela crescente dinâmica que têm vindo a ganhar as operações de recrutamento para empresas internacionais.
06.12.2012 | Por Cátia Mateus

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Um estudo recente do Page Group revela que ser engenheiro ainda é garantia de emprego. Ou pelo menos de maiores oportunidades profissionais.
Se há profissão que continua a registar procura em Portugal, é a engenharia. Não tanto a engenharia civil, já que o mercado imobiliário e a construção enfrentam conjunturas difíceis, mas outros ramos da engenharia com maior componente tecnológica, como a área das TI ou das energias renováveis. O sector das tecnologias de informação, por exemplo, foi o que mais recrutou durante todo o ano, estimando-se que encerre 2012 com um crescimento de cerca de seis por cento nas novas contratações. O número é tímido mas representa esperança para uma fatia crescente de profissionais a braços com um cenário de desemprego que é já encarado como o maior flagelo nacional. Segundo o Page Group, “algumas áreas da engenharia apresentam uma realidade positiva em Portugal” e a oferta de emprego no estrangeiro para profissionais da área está a crescer a uma média de 25% ao ano.
As empresas portuguesas continuam a contratar engenheiros e o reconhecimento das competências profissionais e da qualidade dos engenheiros portugueses não pára de crescer também no estrangeiro. As conclusões resultam da análise realizada pelo Page Group que divulgou recentemente a sua radiografia ao estado da engenharia em Portugal, no que respeita à empregabilidade. Segundo o estudo, “a oferta de emprego nesta área segue as tendências do ano passado. Regista-se uma diminuição do número de ofertas em Portugal e um aumento da procura de profissionais portugueses por parte de empresas estrangeiras”.
António Costa, manager da Michael Page Engeneering & Property, adianta que “a taxa de emigração tem aumentado cinsideravelmente, principalmente nos profissionais com experiência entre cinco e dez anos”, mas os recém-licenciados registam também uma procura crescente por parte de empresas estrangeiras, sobretudo os formados em universidades reconhecidas.
“Apesar da tendência negativa que se tem feito sentir na generalidade dos sectores, algumas áreas de atividade de engenharia apresentam ainda uma realidade positiva”, explica o especialista acrescentando que “durante o ano registou-se uma procura de engenheiros em várias áreas por parte de empresas portuguesas, no entanto a tendência da procura recai essencialmente em projetos de curto prazo, com duração previamente definida”.
Segundo a análise do Page Group, é cada vez mais comum as empresas procurarem engenheiros que desenvolvam o projeto inicial, prescindindo da sua colaboração posterior, recorrendo por isso a contratos a termo. “Em 2012, o recurso a contratos de trabalho temporário ou a termo aumentou consideravelmente, mas o número de profissionais que se encontravam nesta modalidade contratual, e que foram posteriormente contratados para os quadros da empresa, é muito reduzido”, explica António Costa que acrescenta: “os sectores que mais recorrem à contratação temporária são os da construção e indústria automóvel”.
No primeiro dos casos - a construção - o sector mantém, segundo o Page Group, uma atividade residual no país. Mais de 80% da faturação das maiores empresas portuguesas tem proveniência extra comunitária. No lado oposto estão sectores como a engenharia aeronáutica, petroquímica e extrativa que são, atualmente, os que mais recrutam em Portugal. Uma dispersão por sectores que se torna mais elevada se considerarmos a área internacional. Em termos globais, “a engenharia mecânica e eletrotécnica são as especializações mais procuradas pelas empresas” que não deixam de fora também as tecnologias de informação.
Segundo António Costa, “os cargos e preferências variam consoante a idade e a experiência”. Diz o especialista que “a área da consultoria é, por norma, um ótimo início para os recém-licenciados que procuram o primeiro emprego. As consultoras permitem colocar em prática os conhecimentos adquiridos durante o período universitário, apresentando a realidade empresas pertencentes a diversos sectores de atividade, o que aloca bastante valor acrescentado ao currículo dos candidatos”. Ainda assim, há uma tendência cada vez maior em consolidar carreiras globais.
Carreiras mais globais
Seja pela redução do número de ofertas em Portugal, seja pela conjuntura de instabilidade económica do país, seja ainda pela crescente tendência de diminuição salarial em Portugal, é cada vez maior o número de engenheiros portugueses a apostar na internacionalização das suas carreiras. Uma sondagem realizada recentemente pelo portal Universia revela que 94% dos jovens portugueses consideram a possibilidade de trabalhar no estrangeiro. Uma percentagem que reforça as principais conclusões do Page Group.
“África e Médio Oriente são as regiões onde a procura de engenheiros é mais acentuada para sectores como a construção e a petroquímica”, explica António Costa. Entre principais motivos que têm levado à emigração dos engenheiros, o responsável destaca as melhores condições salariais, as perspetivas de progressão de carreira e a valorização do CV. “De acorco com a informação recolhida, o principal motivo para o recrutamento de portugueses no estrangeiro prende-se com os conhecimentos técnicos, a facilidade de adaptação a npvas culturas e o domínio de idiomas”, explica. O alargamento dos projetos das empresas para novos mercados exige a contratação de profissionais nativos e, revela António Costa, “os engenheiros civis são os que registam uma maior procura para projetos internacionais”.
E se no ano passado os candidatos respondiam a anúncios para trabalhar no estrangeiro de forma reativa, o especialista do Page Group adianta que “atualmente, o número de candidaturas espontaneas aumentou cerca de 70%, o que demonstra uma tendência crescente para a emigração”. Uma disponibilidade e aptidão para a mudança que é valorizada pelas empresas estrangeiras ainda que o levantamento realizado pelo Page Group demonstre que em termos financeiros, “os salários praticados são atualmente inferiores ao que se praticava há alguns anos atrás, sendo a remuneração varia consoante a especialidade e nível de senioridade”. Um diretor de operações, por exemplo, é o cargo mais bem pago, podendo chegar aos 93 mil euros brutos anuais. Os engenheiros de processos, de qualidade e o comprador industrial são os cargos com menor índice salarial, não excedendo os 21 mil euros médios.
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