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COHiTEC procura tecnologia de topo para transformar em negócios

COHiTEC procura tecnologia de topo para transformar em negócios

11.12.2015 | Por Cátia Mateus


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nvestigadores e tecnólogos de instituições de ensino superior, centros de investigação, empresas ou participantes a título individual, que tenham desenvolvido ciência/tecnologia com características únicas e potencial nacional, voltam a estar na mira da COTEC Portugal. A associação prepara uma nova edição do Programa COHiTEC, com arranque previsto para março de 2016, e já está a selecionar candidatos. A este programa de formação gratuito e orientado para aproximar a ciência nacional do mercado e das empresas, podem também candidatar-se estudantes de gestão das escolas parceiras da COTEC nesta iniciativa, a Porto Business School e a Nova School of Business and Economics. Segundo Pedro Vilarinho, diretor do COHiTEC, os 11 anos de existência do programa permitem um balanço muito positivo e otimista em relação ao potencial do programa.

Desde a sua criação em 2004, “o COHiTEC apoiou 151 projetos, nos quais participaram 450 investigadores, 230 estudantes de gestão e 100 mentores”, realça acrescentando que “após a participação no programa foram criadas pelo menos 26 startups high-tech/high-growth que conseguiram atrair, até à data, investimento num valor superior a €35 milhões”. ?A cada ano, o COHiTEC recebe, em média, entre 30 a 40 candidaturas de investigadores de origens diversas, sejam elas candidaturas individuais, empresariais ou de centros de investigação. Uma parte destas candidaturas decorre de roadshows que a organização realiza em universidades de todo o país (e que para edição de 2016, estão ainda a decorrer), a outra, advém de candidaturas espontâneas de equipas de investigação apresentadas através da plataforma do programa. Um processo que este ano decorre até 15 de janeiro. A partir da lista final de candidatos, a COHiTEC seleciona os projetos que integrarão a formação entre março e julho, “com base na análise do seu alinhamento com os objetivos do programa, as características inovadoras da tecnologia, a possibilidade de proteção e a gama de aplicações que a tecnologia pode potenciar”, elenca Pedro Vilarinho.

Alavancar a ciência nacional
“O programa tem dois objetivos: apoiar investigadores na avaliação do potencial comercial das tecnologias resultantes da investigação e induzir competências nos participantes (investigadores e estudantes de gestão), nas áreas do empreendedorismo qualificado e da comercialização de novas tecnologias”, explica o diretor. Na sua base, o objetivo principal do COHiTEC “é o de desenvolver um conceito de produto que, partindo da tecnologia proposta pelo investigadores, satisfaça uma necessidade de mercado que não está satisfeita ou está mal satisfeita”, reforça Pedro Vilarinho.?Foi esse o caso das equipas da InovCarbon, Boptimum e Hecolcap, que integraram a última edição do COHiTEC. Quanto os investigadores que compõem a equipa do InovCarbon - Ana Mestre, Ana Carvalho e João Lourenço - apresentaram a sua candidatura ao COHiTEC, sabiam que dispunham de conhecimento de base tecnológica com potencial comercial em muitos sectores, mas que lidavam com o entrave da falta de formação em empreendedorismo e comercialização de tecnologia. A equipa candidatou-se com um projeto que possibilita a transformação de biomassa em carvões ativados para remoção de compostos tóxicos em produtos alimentares, água potável e produtos farmacêuticos, aumentando a sua qualidade.“Pensámos que este seria o programa ideal para estreitar o vale que separa o conhecimento científico e a criação de um negócio de base tecnológica”, explicam.

Ao longo do programa, os participantes seguem uma abordagem estruturada que simula o processo de decisão de um empreendedor de base tecnológica segue para desenvolver um projeto de negócios. No COHiTEC trabalham-se aspetos que relacionam a tecnologia com o mercado e conceitos de negócio como finanças, estratégia e modelos e planos de negócio”, clarifica o diretor. Do ponto de vista pedagógico, a formação é essencialmente experimental. Embora exista uma componente de formação em sala, na qual se explica a metodologia utilizada e se abordam temas relevantes para um empreendedor de base tecnológica (gestão de equipas ou questões legais e regulamentares), a formação em sala destina-se essencialmente a orientar as equipas no desenvolvimento dos seus projetos de negócio. “As equipas são apoiadas por mentores, com quem se reúnem semanalmente, e por docentes das universidades norte americanas de Brown, North Carolina State e Rutgers, com quem se reúnem mensalmente”, acrescenta o diretor.?

Segundo Ana Mestre, esta metodologia orientou a sua equipa para a exploração das potencialidades da sua tecnologia no desenvolvimento de produtos necessários ao mercado. A equipa da InovCarbon está no momento a avançar com os ensaios necessários à realizaçãp da prova de conceito, nomeadamente a otimização do processo de preparação do material em laboratório e scale-up para testes em ambiente industrial. Numa primeira fase, a equipa deverá focar-se “n desenvolvimento de um produto específico direcionado para a indústria de produção de óleos alimentares”.

?O que serviu de inspiração à equipa da InovCarbon foi também o que impulsionou a candidatura de Bruno Abreu, António Campos, João Oliveira, Bruno Pereira e Bernardete Coelho, a equipa de investigadores da Universidade de Aveiro que participou no último COHiTEC com o projeto Boptimum, “um software de suporte à decisão - o BWATER - que permite uma melhoria da gestão dos sistemas de abastecimento de água, permitindo a redução significativa dos custos associados à energia de bombagem”, explicam. A equipa, que concluiu o COHiTEC em julho, está neste momento à procura de investimento que permita “finalizar o produto e fazer a prova de conceito num sistema real de distribuição de água”. Após a obtenção de financiamento, durante a realização da prova de conceito, o projeto terá condições para assegurar três postos de trabalho.

Quando entrar no mercado, a equipa prevê criar seis novos empregos. ?Em fase de procura ativa de investimento está também a equipa do Hecolcap. Os cinco investigadores - Susana Sousa, Nilza Ribeiro, João Cortez, Daniela Rocha e Fernando Monteiro - que assinam esta solução terapêutica para o tratamento de infeções ósseas e regeneração do tecido ósseo integrou o COHiTEC para colmatar a falta de formação em comercialização de tecnologias, uma vez que “estávamos vocacionados essencialmente para a investigação e desenvolvimento”, relembra Susana Sousa. Da participação retiraram como principal benefício “a re-análise e foco nas questões essenciais do produto, permitindo estruturar e fundamentar a estratégia para entrada no mercado”.

Segundo a equipa, o programa permitiu-lhes a preparação para criar uma spin-off, “no sentido de explorar o potencial comercial intrínseco do produto”. Nos primeiros cinco anos de atividade, a sua estimativa é criar cinco postos de trabalho e alcançar com o seu produto o mercado americano. ?De resto, o reconhecimento da relevância deste programa, não só a nível nacional mas também por parte do mercado internacional, é destacado por Pedro Vilarinho. “O impacto direto do programa, medido através do número de empresas criadas e do investimento nessas empresas, é muito significativo”, revela acrescentando que “o feedback que temos dos participantes é que o COHiTEC tem tido um contributo muito significativo para as suas carreiras, mesmo quando não conduz à criação de startups”.

Formar, acelerar e incentivar
Além do investimento realizado na aproximação da ciência nacional ao tecido empresarial pela via da formação dos investigadores em áreas como o empreendedorismo e a comercialização de tecnologia, materializada através do Programa COHiTEC, a COTEC Portugal tem vindo a apoiar a articulação entre a ciência nacional e a indústria de outras formas. O seu Acelerador de Comercialização de Tecnologia (Act by COTEC) acaba de ser distinguido como o Melhor Acelerador de Startups do Ano, no âmbito dos UP Awards que distinguem o que de melhor se faz em solo nacional na promoção do ecossistema empreendedor. ?

O Act está focado em potenciar a valorização social e económica do conhecimento resultante da investigação científica nacional, pela via do apoio à criação de empresas de base tecnológica com vocação global. O acelerador da COTEC dá apoio aos promotor de inovação na avaliação do potencial comercial das suas ideias (através do programa COHiTEC), selecionando depois os projetos mais promissores para apoiar a realização da prova de conceito tecnológica, elaboração do respetivo plano de negócios e angariação de financiamento. ?Em paralelo, a COTEC incentiva também, através da atribuição de bolsas de mérito e estágios remunerados, a investigação na área do empreendedorismo.

Até 31 de janeiro, está decorrer o período de candidaturas ao Prémio COTEC para a melhor dissertação de mestrado sobre inovação e empreendedorismo, origanizado em parceria com a Everis. Os candidatos competem por uma bolsa de mérito no valor de dois mil euros, um estágio remunerado, com duração de seis a nove meses numa das áreas de atuação da Everis em Portugal, e a garantia de participação num evento internacional sobre inovação e empreendedorismo. Podem concorrer autores de dissertações de mestrado submetidas em instituições de ensino superior nacionais nos anos letivos de 2013-2014 e 2014-2015, em qualquer áreas de estudos desde que focadas nas temáticas do empreendedorismo e inovação.



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