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Aprender no estrangeiro

02.01.2004


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Cátia Mateus e Maribela Freitas

MOBILIDADE, experiência, intercâmbio, valorização pessoal e profissional são as grandes bandeiras do programa Erasmus. Em 15 anos de existência, este programa comunitário já movimentou mais de um milhão de estudantes em toda a Europa. Uma iniciativa de sucesso, num programa que muda por completo o rumo dos que nele participam.


No último ano lectivo, 2825 estudantes portugueses beneficiaram desta iniciativa, de acordo com os dados oficiais. Jovens como Sofia Leitão ou Patrícia Alves Rocha, que encontraram no Erasmus uma forma de alargar horizontes e, quem sabe, de vir a trabalhar fora de Portugal no futuro.

Mesmo antes de entrar para a universidade, Sofia Leitão já pensava em ingressar no programa Erasmus. A frequentar o terceiro ano do curso de Relações Internacionais da Universidade Lusíada, esta aluna de 23 anos decidiu partir em Setembro para a Universidade Montesquieu IV, de Bordéus, ao abrigo deste programa.

"Tinha duas hipóteses de escolha: França ou Itália. Acabei por optar pela primeira porque pretendia aperfeiçoar os meus conhecimentos nesta língua", conta Sofia Leitão.

Além disso, pesou na decisão de ir para fora um ano, o facto de estar a fazer uma licenciatura em relações internacionais e pretender um dia mais tarde, vir a trabalhar no estrangeiro.

Sofia espera que o ano que vai passar a fazer o programa Erasmus lhe traga benefícios futuros em termos de carreira e também uma maior facilidade no acesso ao mercado de trabalho depois de terminar a licenciatura.

Apesar de estar apenas há três meses em França, a jovem portuguesa confessa estar a adorar a experiência. Acrescenta, no entanto, que "no início foi complicado. Estava numa cidade nova, sem amigos nem família e fui morar para uma residência universitária. Mas ao fim de alguns dias já tinha ligação com outros estudantes estrangeiros que se encontravam na mesma situação que eu".

Além disso, sentiu ainda diferenças no método de ensino - que apelida de bastante teórico -, acrescido pelo facto de todos os exames e orais serem feitos em francês, uma língua que não domina na perfeição. Refere ainda que "os franceses não são nada abertos e não ajudam muito os estrangeiros".

Mas, mesmo com todas as dificuldades que a decisão de ir estudar para um país estrangeiro implica, Sofia Leitão não poupa elogios às vantagens desta experiência. "Um ano de Erasmus traz consigo muitas mais-valias, nomeadamente perspectivas profissionais, possibilita o domínio de uma outra língua, o conhecimento de um país diferente do nosso e faz com que tenhamos a oportunidade de fazer amigos de outros países", refere com um brilho no olhar.

Razões partilhadas por Patrícia Alves Rocha, que também faz um balanço positivo da sua experiência enquanto estudante Erasmus. Veterana na matéria, esta economista de 23 anos não conseguiu resistir ao apelo da experiência internacional e no terceiro ano da licenciatura trocou os anfiteatros na Universidade de Coimbra pela condição de estudante Erasmus em França. As dificuldades foram muitas mas, dois anos depois da experiência, confessa que ficou uma pessoa diferente.

Não falava francês quando escolheu como destino uma universidade daquele país. Com o à-vontade de quem gosta de desafios, Patrícia lá vai dizendo que pior do que a dificuldade de fazer exames numa língua que não se domina, são as saudades de casa.

Na realidade, a jovem afirma sem hesitações que "o período de adaptação de um estudante estrangeiro é sempre difícil. Uns porque não dominam o idioma, outros porque sentem falta da família. Eu combinava os dois: não falava francês e tinha imensas saudades de casa, tantas que nos primeiros tempos quase não ligava para Portugal porque me custava imenso".

Hoje, acredita que a determinação e vontade de chegar ao fim são fundamentais para sobreviver à experiência. E se, por vezes, as saudades de casa falaram muito forte, o seu espírito vencedor assegura que "não conseguiria desistir à primeira contrariedade e ficar sempre com a ideia se teria conseguido ou não cumprir o meu objectivo".

Na altura tinha 20 anos. Concluiu o Erasmus com sucesso e regressou a Portugal para terminar a licenciatura. Confessa que o saldo mais positivo que retirou desta experiência terá sido "a possibilidade de conhecer outras pessoas com uma cultura completamente diferente da nossa".

Durante o ano que esteve em França, Patrícia dividiu um apartamento com outra estudante portuguesa e um árabe. Garante que esta coabitação a enriqueceu e acima de tudo a tornou "mais tolerante e capaz de contornar as dificuldades".

Condições também elas fundamentais para vencer nesta experiência além-fronteiras. É que a jovem alerta: "O pior erro que um estudante Erasmus pode cometer é ficar fechado no seu cantinho, com muita vergonha de falar e dizer os disparates próprios de quem não domina a língua, sem se relacionar com ninguém". Diz Patrícia Alves Rocha que "optando por esta via, o mais provável é que não retire nada de positivo da experiência ou então acabe mesmo por desistir".

Em termos profissionais a jovem não tem dúvidas que este é um contributo forte, mas confessa que ainda não retirou da experiência todos os benefícios que esta confere ao seu currículo.

É que Patrícia optou por concluir a licenciatura e dar seguimento aos estudos. Deu prioridade ao mestrado em Economia que frequenta neste momento na Universidade do Porto. Ainda assim, trabalha no Departamento Financeiro de uma empresa ligada ao turismo.

Gosta do que faz, mas a sua grande ambição é enveredar pela carreira académica. Do Erasmus herdou a vontade de conhecer o mundo e apostar numa carreira internacional.

Talvez por isso Patrícia Alves Rocha confesse sem que, "sem dúvida o doutoramento será fora de Portugal". A área será a da Economia, o destino é que ainda está por escolher!

Rumo à Europa

São cada vez mais os estudantes portugueses a embarcarem rumo a uma experiência académica noutro país europeu, com vontade de conhecerem outras culturas e enriquecerem o seu currículo. Há 15 anos que quem fala em intercâmbio de estudantes, pensa em Erasmus.

Um conceito de tal forma enraizado que já movimentou qualquer coisa como um milhão de estudantes no espaço comunitário. Para participar neste programa basta ter concluído o primeiro ano do curso e que a universidade que frequenta seja uma das aderentes à iniciativa.

A partir dai o estudante tem a possibilidade de frequentar o seu curso numa universidade europeia por um período que varia entre os três meses e um ano.

Aos alunos Erasmus é atribuída uma bolsa de mobilidade, pensada para apoiar os alunos nas despesas complementares. Ou seja, não cobre a totalidade da estadia no estrangeiro, mas sim os gastos que o aluno não teria em Portugal tendo em conta o eventual nível de vida mais elevado do país de acolhimento.

É o estudante quem trata de todo o processo e por isso é fundamental a recolha de informações sobre o país, mas o primeiro passo é mesmo conhecer os prazos de candidatura e requisitos a cumprir (pode fazê-lo em www.desup.min-edu.pt . Depois há que preparar a estadia. Entre os destinos preferenciais dos portugueses destacam-se: Espanha, Itália, França, Alemanha e Reino Unido.

'Dicas' de sobrevivência

Quem parte para um país estranho, com uma língua praticamente desconhecida, necessita de alguns conselhos práticos de sobrevivência. Para saber como dar a volta por cima e aproveitar ao máximo esta oportunidade, ficam aqui algumas 'dicas' para sobreviver a um ano de Erasmus:

- É fundamental interiorizar a ideia de que qualquer pessoa pode "sobreviver" a esta experiência desde que enfrente com determinação as dificuldades;

- Evite o isolamento, aproxime-se das pessoas e faça amizades;

- O apoio da família é fundamental. Mesmo estando longe é importante saber que há alguém pronto a ajudar;

- Quem aposta no Erasmus deverá ter um espírito aventureiro e estar aberto a conhecer novas culturas e pessoas;

- Como é o estudante quem trata de todo o processo é fundamental ter atenção aos pormenores. Quem já passou pela experiência aconselha a encontrar alojamento apenas quando lá estiver.
Arrendar casa à distância pode trazer surpresas desagradáveis;

- E porque está por sua conta e risco saber "cumprir as lides domésticas" parece ser fundamental.





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