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Angola a caminho da qualificação

Angola a caminho da qualificação

Em Angola há oportunidades em quase todos os sectores de atividade. Do empreendedorismo à formação, o território está pronto para receber todos os que queiram investir e ajudar a dinamizar e consolidar a sua economia.
16.12.2011 | Por Cátia Mateus


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O Fundo Monetário Internacional (FMI) já adiantou nas suas previsões para 2012 a perspetiva de que a economia angolana possa crescer na ordem dos 10,38%. Um valor que o próprio Governo encara com maior otimismo, estimado uma evolução positiva na ordem dos 12,8%. Com efeito, Angola é uma terra de oportunidades em muitos sectores. Mas agarrar estas oportunidades exige uma boa dose de persistência e determinação. Nesta corrida estão favorecidos os profissionais mais qualificados que, cada vez mais rumam aquele mercado, para colmatar as lacunas que ainda existem em matéria de formação. Uma área que figura, de resto, no top 10 das prioridades do país e das oportunidades a agarrar para quem lá queira investir. Segundo o Observatório da Emigração, nos últimos seis anos mais de 70 mil portugueses abandonaram o país para trabalhar no estrangeiro e Angola tem sido um dos destinos com crescente adesão. O Consulado Português em Angola tem registados cerca de 91 mil portugueses, mas admite que os profissionais lusos presentes no território possam superar este número. E se antes o perfil do emigrante português se destacava pela pouca qualificação, hoje são executivos de topo e profissionais altamente qualificados os que mais apostam neste país seja para trabalhar por conta de outrem, para criar ou internacionalizar os projetos empresariais ou para ajudar na qualificação dos profissionais angolanos, cujas lacunas demorarão ainda muito tempo a suprir. As novas infraestruturas angolanas estão a facilitar os negócios e a captar para o território mão-de-obra cada vez mais qualificada e empresas que dão cartas a nível global. É o caso de empresas como a KPMG que se estreou em outubro em território angolano, detendo em Luanda um escritório onde já trabalham 70 colaboradores. O recrutamento para este escritório é assegurado por Portugal e liderado por José Portugal, partner da KPMG com responsabilidades pela área de recursos humanos. Grande parte dos quadros que recruta para aquele mercado são angolanos que vieram tirar os seus cursos nas universidades portuguesas e que a KPMG ajuda a regressar ao seu país, estabelecendo para isso uma estreita cooperação com as universidades nacionais. “O nosso objetivo estratégico é dotar Luanda de uma estrutura própria composta por nacionais”, explica José Portugal adiantando que “o mercado de trabalho angolano é muito dinâmico, o que pode ser um entrave de adaptação para os portugueses. Lá há atualmente muitas oportunidades e as pessoas mudam de emprego com muita facilidade e frequência”. José Portugal acredita que demorará ainda algum tempo até que este mercado estabilize, mas a KPMG está já a preparar essa nova fase apostando na dinamização das ações de formação internas. “Os angolanos têm muita vontade de aprender e valorizam muito a formação que é um fator de atração também nas empresas”, explica o partner da KPMG. Na verdade, a formação é uma das áreas que está a gerar maior investimento e crescimento no território. As empresas especializadas na área já perceberam que para crescer o país precisa de qualificar os quadros e que está disposto a fazê-lo. Por isso investem cada vez mais em criar estruturas no país, pensadas para as suas necessidades (ver caixa). Mas investir neste território continua a ser complicado. Além dos vistos, a burocracia é muita e os contratos levam tempo a ser firmados. Ainda assim, são cada vez mais as empresas que se rendem ao crescimento estrondoso deste mercado e arriscam uma internacionalização ou até a criação de novos negócios pensados em exclusivo para o exigente mercado angolano. Com a produção petrolífera a crescer a recuperação da produção industrial em marcha, há oportunidades em quase todos os sectores neste mercado. Da construção à fiscalidade, passando pela saúde, ensino, formação, banca, comunicação e marketing, engenharia e turismo, é possível consolidar carreiras e empresas em todas as áreas no território angolano desde que não se perca as forças perante a imensa e labiríntica carga burocrática. Angola é inquestionavelmente um país de oportunidades a todos os níveis, mas está longe de oferecer os salários que oferecia há alguns anos. No território continua a ser possível trabalhar com boas condições e com ofertas extra salariais aliciantes, mas há alguns anos um profissional qualificado português podia auferir cerca de cinco a sete mil euros mensais, hoje o salário médio não excede os três a quatro mil euros. Ainda assim, a empregabilidade e a dinâmica da economia estão garantidas durante muitos anos. A urgência da qualificação A formação é um dos sectores mais dinâmicos e com maior potencial de crescimento no mercado angolano. O país importa neste momento recursos humanos qualificados de outros países para colmatar as suas lacunas de formação, mas muitas empresas já estão a demonstrar que é possível resolver isto internamente. Foi o que fez a Finaccount que acaba de investir perto de 800 mil euros na construção de um centro de formação em Luanda. A empresa que atua na área da consultoria e formação profissional está no mercado angolano desde 2009 e tem como prioridade especializar os quadros locais nas mais diversas áreas, desde a contabilidade e finanças, aos recursos humanos, fiscalidade, secretariado, línguas, informática e até empreendedorismo. Segundo Mafalda Carlos, administradora da Finaccount Angola, “a meta desta estrutura é otimizar o desempenho das organizações e para isso disponibiliza também formações na área do coaching, claramente orientadas para o mercado empresarial”. A Vantagem+ é outra das empresas de formação que não quis perder as oportunidades que Angola tem para dar. A empresa iniciou o seu processo de internacionalização há oito anos, com Angola um país que para Paulo Gandrita, diretor geral da Vantagem+, “necessita ainda de uma valorização de todo o seu capital humano já que existe ainda uma carência formativa em todas as áreas”. Naquele território a empresa tem mais de duas mil ofertas formativas e a sua estratégia de expansão aponta para uma clara aproximação ao mercado e às empresas, ajudando a expansão do país em matéria de necessidades de qualificação. Angola à espera da inovação A crescer em todos os sectores, Angola está também de olhos postos no empreendedorismo e na inovação. À medida que fortalece o seu sistema universitário, aspira a padrões de negócio e competitividade que vão além dos negócios tradicionais e abraçam os desafios da tecnologia. Um espelho desta vontade é a mais recente parceria estabelecida entre a Universidade Agostinho Neto e a Inovisa - uma associação sem fins lucrativos para a Inovação e Desenvolvimento Empresarial do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa - com o intuito de criar em Angola, já no próximo ano, o primeiro Pólo de Tecnologias e Empresas do país. Trata-se de uma estrutura com capacidade para incubar nos seus quatro mil metros quadrados, mais de 100 novos negócios em fase de arranque. Tal como em muitos outros países, também aos empresários angolanos não faltam garra, ideias e potencial empreendedor. Mas o país necessita de plataformas que ajudem os novos empresários e investigadores a cimentar uma maior ligação entre o meio académico e a sua produção e as necessidades reais da economia. Esta é de resto uma das missões deste polo tecnológico luso-angolano.


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