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A arte da metamorfose

A vontade de empreender de três amigas gerou no Porto um conceito de negócio onde a mudança é a nota dominante. No MUUDA, só não muda a vontade de mostrar a cultura “made in Portugal”
30.11.2006


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Cátia Mateus A cidade do Porto conheceu este ano uma outra forma de vender «design», mostrar a arte lusa e dar a conhecer os saberes e sabores nacionais. Gilda Mendes, Joana Carravilla e Ana Rita Cameira investiram 20 mil euros na realização de um sonho que começou a ganhar forma quando trabalharam juntas no projecto Sabores de Portugal, da Associação Nacional de Jovens Empresários. Já nessa altura sabiam que o futuro passaria por um negócio próprio, mas o conceito teimava em surgir. Foram tantas as mudanças que na altura de dar o passo em frente e passar da ideia à prática, a empresa ganhou o nome de MUUDA, numa homenagem clara à capacidade de metamorfose do espaço e do conceito.


O MUUDA — Artes, Sabores & Design é um espaço diferente. Nunca nada está no mesmo sítio. Tudo muda no MUUDA, menos a vontade das três empresárias em dar a conhecer os grandes trunfos da cultura e do «design» português. E porque este é um negócio diferente, até no momento da sua criação as três empreendedoras não cumpriram as regras. O MUUDA é um exemplo feliz de um projecto que cresceu a partir do fim. Quando encontraram o espaço — num edifício antigo na zona de Cedofeita —, ainda não sabiam muito bem qual a real dimensão do negócio. “O espaço do MUUDA surgiu em Novembro e soubemos imediatamente que não o podíamos perder”, explica Joana Carravilla. Foi a partir daí que tudo se estruturou.

As empreendedoras reuniram as suas ideias e vontades e deram forma a um espaço onde convivem em harmonia artes, sabores e «design» e pairam ideias para um número infinito de iniciativas só possíveis pelas potencialidades de mutação que o espaço confere. Ao longo dos seus cerca de 200m2 de área — que os arquitectos Nuno Sottomayor e José Barbedo ajudaram a reconstruir — o MUUDA exibe três áreas distintas e complementares: o «design» nacional e estrangeiro, a moda e a cultura gastronómica.

E porque o espaço em si é um hino à metamorfose, o MUUDA vai-se transformando ao longo do dia. De manhã é a vertente comercial que dita as regras impondo-se uma viagem às diferentes formas, texturas e materiais expostos. Ao almoço, sem nunca perder esta coabitação com as propostas de roupa e acessórios de criadores portugueses como Katty Xiomara, Luís Buchinho, Storytailors (entre outros) e peças de «designers» nacionais e estrangeiros — que a equipa vai descobrindo através de incursões constantes ao mercado e propostas que já vão chegando à loja —, o MUUDA convida a uma refeição na imponente mesa de sete metros e meio de comprimento. Há espaço para todos e o importante é degustar os manjares da Santa Gula.

Durante a tarde, a relação entre a parte comercial e a degustação de sabores é ainda mais intimista. O MUUDA convida para um chá e «scones», ao sabor de uma leitura. Neste espaço é ainda possível organizar toda uma série de eventos. “Até cá vamos ter um casamento”, adianta Joana Carravilla explicando que é possível organizar jantares e festas no MUUDA desde que previamente marcadas.

Em funcionamento desde o início deste ano, o MUUDA é um conceito em permanente expansão. “De início a ideia era ter apenas um MUUDA 100% português, com produtos nacionais, mas temos recebido propostas tão boas de «designers» estrangeiros que é impossível recusar”, explica Gilda Mendes. As empresárias garantem que apesar de ser um negócio pouco comum já que não é puramente comercial, o projecto tem todos os meses um saldo positivo. Um balanço que já faz a equipa ambicionar outros voos, embora sempre ponderados.

O desafio do momento é fazer do MUUDA um espaço de estar e não um local de passagem, apenas com vertente comercial. Para isso, as três sócias estão a dinamizar uma outra faceta deste conceito que assenta na organização de «workshops» e cursos diversos que decorrem ao fim-de-semana. O trio de empresárias já fez passar pelo MUUDA cursos de maquilhagem, cozinha oriental, arranjos florais e outros. Previstos estão agora o curso de decoração de Natal, uma segunda edição do curso de maquilhagem e mais para a frente um de vinhos.

Segundo Gilda Mendes, “uma das apostas futuras do MUUDA será a dinamização da vertente cultural do espaço”. A empresária adianta que a meta é explorar mais as potencialidades do MUUDA enquanto galeria de arte aberta a exposições diversas, lançamentos de livros e mostras artísticas. No local há já uma zona dedicada à leitura onde é possível folhear um dos muitos livros seleccionados pela Livraria Leitura para os clientes do espaço.

A expansão para outras zonas do país não é algo marginal às ambições desta tríade de jovens empresárias. A replicação do conceito pela via do «franchising» pode ser uma hipótese, até porque como orgulhosamente referem “no MUUDA tudo é possível”. Mas para já os objectivos das empreendedoras centram-se em explorar todas as possibilidades que o conceito oferece. Não negam que já foram procuradas por várias pessoas interessadas em levar o MUUDA para outras cidades, mas confessam não ter pressa e preferir dar todos os passos com muita cautela.

Para já, o MUUDA dá emprego permanente a quatro pessoas. Qualquer uma das três mentoras deste projecto mantém a sua actividade profissional paralela. Todas reconhecem que até aqui tem sido possível gerir o projecto desta forma, mas não negam que “o facto de não estarmos sempre presentes dá-nos uma insegurança grande”. Talvez por isso, a grande dificuldade tenha sido encontrar os colaboradores certos. Gilda Mendes adianta que nesta matéria o MUUDA está, actualmente, no seu ponto ideal. Isto porque, como esclarece, “neste projecto é muito importante que quem está na loja receba os clientes e possa explicar-lhe todo o conceito e a história dos produtos que aqui encontra”.

Trata-se de um espaço de cumplicidades que apela aos sentidos e estimula à descoberta da cultura e do que de melhor se faz em matéria de «design». Um estímulo à metamorfose pela simples razão de redescobrir num mesmo local, mas de outro ângulo, tudo o que já julgava ter visto mil vezes.

BI Empresarial

Nome: MUUDA - Arte, Sabores & Design
Fundadores: Gilda Mendes, Joana Carravilla e Ana Rita Cameira
Data de criação: Novembro de 2005, mas apenas em Março deste ano entrou em actividade
Sede: Porto
Área de actividade: Comércio e exposição de produtos de «design» nacional e estrangeiro, arte e restauração
Investimento inicial: Cerca de 20 mil euros
Facturação anual: (ainda não disponível)
Empregos criados: Quatro, a título permanente
Principais dificuldades: Encontrar os colaboradores certos para o conceito
Princípio de gestão de que não abdica: “O importante é colocar o enfoque na solução das dificuldades e não nos problemas"
Dicas: “Determinação, nunca desistir sem tentar e assumir uma postura de resolver os problemas à medida que vão surgindo"
Perspectivas futuras: Continuar a fortalecer o projecto MUUDA e expandir o conceito para outras cidades do país
Sitio na Internet: www.muuda.com





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