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«O segredo está em não desistir»

20.06.2003


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Maribela Freitas

DESDE tenra idade que Manuel Oliveira se interessa por questões relacionadas com a ciência e a ficção científica. Licenciado em engenharia informática, actualmente aos 30 anos de idade e a completar o doutoramento em Inglaterra na área da realidade virtual, está a contribuir para que aquilo que há alguns anos era apenas ficção, seja realidade no futuro.


E é por isso que aconselha a quem quer prosseguir os seus sonhos de carreira a investigar nesta área a "não desistir, bater às portas e se surgir, aproveitar a oportunidade de estudar fora de Portugal. É que não basta ter ideias, há que ter também o ambiente próprio onde estas possam crescer".

As ideias parecem ser o ponto fulcral na vida de Manuel Oliveira, pois é em torno delas que a sua curta carreira se tem desenvolvido. Tem lutado para desenvolver os projectos em que acredita e se empenha e nunca vira as costas a novos desafios.

O primeiro começou durante a licenciatura em engenharia informática de computadores, no Instituto Superior Técnico, quando optou por estudar e trabalhar ao mesmo tempo. Durante a licenciatura, trabalhou na empresa Alfamicro, na área de consultoria de projectos europeus, no âmbito das tecnologias de informação.

"O Instituto Superior Técnico é uma boa escola, mas não nos dá uma preparação para aquilo que vamos encontrar no mundo real de trabalho. Do meu trabalho na Alfamicro, o que levei de melhor para a minha vida foi a capacidade de produzir documentação, de analisar problemas e produzir soluções. E isso não se aprende na universidade", explica Manuel Oliveira.

Conta ainda que do tempo em que trabalhou nesta empresa, teve a sorte de trabalhar em projectos e áreas de negócio muito diferentes, mas que, confessa "estavam sempre mais à frente do que aquilo que se aprendia nas aulas".

Daí que advogue que no domínio da informática, os cursos deveriam ser revistos e actualizados de três em três anos, com o risco de ficarem desactualizados. Foi nesta empresa, que pertence ao seu pai, que desenvolveu o projecto PC-Net, no âmbito da vídeo conferência e que considera como o seu bebé.

Era uma altura em que a vídeo conferência estava a nascer e a ideia era utilizar esta tecnologia como uma ferramenta de trabalho nas empresas. Este projecto foi considerado o primeiro a nível europeu na área de ambientes virtuais de trabalho e o relatório final foi publicado pela Comissão Europeia como um caso de sucesso.

Com toda esta actividade laboral, Manuel Oliveira não terminou a licenciatura nos cinco anos previstos, mas não se arrepende. "Foi o facto de estar a trabalhar e a estudar que me levou a criar a minha própria empresa. Comecei a ter uma participação grande nos projectos relacionados com a área da comunicação na Alfamicro e daí ter nascido a Omegamedia", salienta Manuel Oliveira.

Acrescenta ainda que nesta aventura no mundo dos negócios utilizou a Alfamicro como parceira e a empresa chegou a ter cinco pessoas a trabalhar em projectos na área da comunicação e consultoria no âmbito das novas tecnologias. A empresa ainda existe mas Manuel Oliveira delegou no pai, Álvaro Oliveira, a responsabilidade, pois desde 1998 que se está a dedicar a tempo inteiro ao doutoramento.

Como sempre gostou de ler fantasia e ficção científica e por todo o trabalho que já tinha desenvolvido, Manuel Oliveira começou a interessar-se por ambientes virtuais. Como projecto de final de curso implantou um sistema de realidade virtual e teve 20 valores no trabalho, o primeiro dado nesta escola em igual situação. Estavam "abertas" as portas para continuar a investigação e enveredar pelo doutoramento.

Em 1998 foi aceite na University College London, para fazer o doutoramento e neste momento, já acabou a investigação e encontra-se a escrever a sua tese. Durante os anos em que tem estado a investigar a realidade virtual, fez ainda alguns trabalhos de consultoria e de investigação.

Apesar de ter alguns convites para permanecer em Inglaterra, Manuel Oliveira quer regressar a Portugal. "O meu objectivo é voltar, mas ainda vou ficar mais um tempo fora, a cimentar a minha rede de contactos e a aproveitar mais um pouco de todo este ambiente de investigação", salienta o investigador.






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