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"O mais importante é a auto-motivação"

26.01.2007


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Marisa Antunes

Como aumentar o desempenho dos trabalhadores e reter os talentos que trazem resultados significativos para a competitividade da empresa? O guru da gestão, o espanhol José María Gasalla propõe um surpreendente, simples mas eficiente método: o modelo da gestão pela confiança. Consultor de grandes organizações como a Coca-Cola, IBM ou a Iberia, este especialista deu recentemente uma conferência no nosso país, organizada pela Izi Palestras, que o vai trazer de volta em Fevereiro e Março para outros workshops. Licenciado em Engenharia Aeronáutica, doutorado em Ciências Económicas e Empresariais pela Universidade Autónoma de Madrid e em Psicologia Social pela Universidade Complutense também de Madrid e ainda mestre em Planeamento e Estratégia Empresarial, José María levou toda a sua vida a estudar e depois a ensinar e a orientar as empresas para se tornarem vencedoras.


O tema destas palestras é: motive a sua motivação. Quer explicar melhor?
Eu costumo dizer que o importante não é a motivação mas sim a automotivação. Cada um de nós tem a energia dentro de si e é preciso descobrir por que razão ela está parada. Eu trabalho com muitas empresas e o que eu costumo transmitir é que é fundamental não desmotivar as pessoas. Se a empresa toma decisões que não são justas para as pessoas, leva a que os profissionais que trabalhavam com prazer, desistam de continuar a pôr energia naquele trabalho. Por exemplo, quando a empresa diz uma coisa mas faz uma coisa diferente. A falta de coerência. A falta de cumprimento. Se se diz a um funcionário que no próximo ano vai ser promovido e chegado a esse ano pedem-lhe para esperar. Da segunda vez, o trabalhador já não vai acreditar. A falta de credibilidade. Se o patrão não está convencido de que consegue cumprir é preferível não dizer nada. Há muitos executivos que gostam de falar muito. E o mundo de hoje é um mundo dinâmico, agressivo face à concorrência global, por isso, deve-se criar um espaço dentro da empresa onde haja regras claras para todos e onde não se oculte informação e os empregados possam participar.

De que forma?
Participar nas decisões. No planeamento dos processos, participar no trabalho. Não somente obedecer a ordens. É a mesma coisa com a família de hoje que é totalmente diferente de há 30 anos. Já não basta dizer: nós somos os pais, temos a hierarquia e a hierarquia é suficiente, o meu filho vai ser aquilo que eu quero que seja. Há empresas que pensam que tudo está exactamente como há 30 anos, mas os jovens profissionais exigem coisas que não se exigiam há três décadas. Em Espanha, por exemplo, os jovens querem trabalhar mas querem ganhar dois mil euros, sair às seis da tarde para estar com a família, querem que a empresa os escute, que seja inovadora, que participe em acções de responsabilidade social, etc.

Satisfazer estas exigências é meio caminho andado para o compromisso que a empresa pretende?
Há cerca de ano e meio começou uma guerra brutal em Espanha para caçar talentos. Há empresas onde eu trabalho como consultor que me pedem para encontrar estas pessoas através de apresentações em faculdades. Mas as empresas procuram mais do que a motivação. Procuram compromisso. Mas é difícil nos dias de hoje porque os jovens não se querem comprometer. É o que acontece com o matrimónio. Eu digo às empresas que para que isso aconteça, elas devem aplicar um modelo com o qual eu trabalho que é a gestão por confiança. Este é um dos caminhos mais importantes.

E como se traduz esse modelo?
Neste modelo da gestão por confiança eu falo nos 7 C. O primeiro C é de clareza, a empresa deve dizer a verdade. O segundo C é o cumprimento das promessas. O terceiro é a coerência. O quarto C é a competência profissional. Se se coloca alguém no topo para chefiar ele deve ser um bom profissional. O outro C é a cumplicidade, que significa sentir que estamos no mesmo barco. Outro C é a consciência. Em muitas coisas que fazemos durante o dia estamos a pensar em outra coisa, não estamos a ser conscientes, e muitos dos problemas que existem nas empresas são problemas de comunicação, de não consciência. Por último, as empresas têm de perceber que estão a trabalhar com pessoas, não com recursos humanos. Eu tenho um livro que se chama a ‘A nova direcção de pessoas' e nesse livro falo do péssimo que é continuarmos a utilizar a expressão ‘recursos humanos'. As pessoas são mais do que um recurso. Os trabalhadores têm recursos e conhecimento, mas também têm sentimentos, valores e princípios. Quando se recruta alguém é preciso ver se a pessoa tem um alinhamento de valores com os valores da empresa. Se assumem um compromisso. Esse é o modelo da gestão por confiança. Um contraponto em relação aos outros métodos de gestão. Durante as últimas décadas existiram muitos modelos de gestão a ser aplicados nas empresas: a gestão por objectivos, a gestão por competências, a gestão emocional, a qualidade total, etc., etc. Eu trabalhei com muitos destes modelos, mas no final chego à conclusão que temos de voltar ao básico e para mim o básico é a confiança entre as pessoas. Não é preciso complicar, sofisticar as coisas.





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