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“Há 42 milhões de euros para aplicar em projetos com potencial”

“Há 42 milhões de euros para aplicar em projetos com potencial”

A dois dias do arranque da 5ª edição da Semana Nacional de Business Angels, Francisco Banha, Presidente da Direção da Federação Nacional das Associações de Business Angels e do Business Angels Clube traça o panorama do empreendedorismo nacional e mostra que no país há dinheiro para investir em projetos com potencial e que podem criar emprego e fazer a diferença em tempos de adversidade.
03.11.2011 | Por Cátia Mateus


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Como avalia o estado do Empreendedorismo a nível nacional?
Precisamos de ver bem a importância que o empreendedorismo tem quando passamos da teoria para a prática. Quando o professor Catroga elaborou o programa do Governo do PSD, colocou nele uma frase que partilhámos e dizia, basicamente que, “o PSD já interiorizou que o empreendedorismo será para o século XXI tão ou mais importante que a revolução industrial foi para o século XX”. Ora, quando vimos o programa do Governo e o do Ministério da Educação, cerca de 13 páginas e cujo título é “Criar o Futuro”, percebemos que a palavra empreendedorismo surge uma só vez. Isto é tão ou mais expressivo quando pela primeira vez temos um Secretário de Estado do Empreendedorismo. Há aqui uma evidente contradição.

Ainda não passámos à prática?
O tema do empreendedorismo é falado do ponto de vista teórico, mas na prática não está ainda interiorizado às decisões. E tem de estar, porque tudo isto tem um reflexo muito importante, sobretudo na atual conjuntura. Ainda recentemente o Expresso deu a conhecer o pensamento da Secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira, que começa por referir que 75 mil investigadores em Portugal ainda têm possibilidades de ter emprego. Eu pergunto, emprego onde? E porque é que há-de ser emprego? Porque é que estas pessoas, com imenso valor e competência, não podem criar o seu negócio para que outros possam trabalhar para eles? Porque é que não é este o espírito? Há hoje um paradigma completamente diferente que outros países já assimilaram e Portugal ainda não. Mais importante que o emprego é dar valor ao impacto que estes investigadores têm nas organizações e que podem ter na revitalização económica do país. Temos em Portugal excelentes casos de inovação, alguns que tiveram já a coragem de se empresarializar com bons resultados no mercado nacional e internacional.

É um problema do sistema de ensino que não leva os jovens a ponderar o auto-emprego?
Eu percebo que o Ministro da Educação dê uma importância significativa às competências chave relacionadas com matemática, português, uma língua estrangeira, mas ainda recentemente em Barcelona numa reunião da Comissão Europeia foram identificadas oito competências para a aprendizagem ao longo da vida. O empreendedorismo é uma delas. Está demonstrado que aqueles que são sensibilizados para o empreendedorismo em idade escolar é têm quatro a cinco mais probabilidades de criar empresas e tem uma maior taxa de emprego. Esta questão é crítica. O facto é que, quando por exemplo, o sistema de financiamento das nossas universidades está relacionado com o número de alunos que as universidades vão ter, há qualquer coisa que não vai bem. Nós não precisamos apenas de produzir licenciados. Precisamos que eles estejam relacionados com as necessidades do mercado e das empresas. O financiamento deveria, por exemplo, estar também ligado ao número de empresas que os professores ajudaram os alunos a colocar no mercado.

Este enfoque no empreendedorismo é a solução para a crise do país?
Não há receitas milagrosas. O país tem vários problemas para gerir no presente, mas não se pode desligar de investir no futuro. Não me parece correto ao nível da educação dos nossos jovens que esteja ausente o tema do empreendedorismo. O atual modelo é muito interessante, mas só para a Sra. Merkel que precisa de jovens licenciados portugueses que são altamente qualificados e tem os seus programas adequados para vir aqui contratar os nossos jovens e ir embora. O país tem de criar condições para reter os seus licenciados. Nós somos e temos bons alunos, mas temos de criar urgentemente um modelo que passe pela criação de valor na nossa sociedade, internamente. Se temos um Instituto Pedro Nunes que foi considerado em 2010 a melhor incubadora do mundo na sua área, é porque temos cá boas condições. É por isso que não me parece correto que não sejam criadas políticas de comunicação que alavanquem o espírito de empreendedorismo que até pode estar latente em muitos portugueses que se acomodam e não dão o passo em frente por acharem que não terão apoios. Enquanto não se tiver presente os instrumentos que estão ao dispor dos licenciados, e não só, para criarem os seus projetos, vai ser muito complicado realizar aquilo que chamamos de salto na cadeia de valor. E esta cadeia não pode ser só feita de acordo com a aquilo que é vulgar ouvirmos nos discursos que é: os empresários têm de admitir licenciados e investigadores. Não. Os empresários, se os doutores aparecerem com boas ideias e propostas de valor, eles próprios vão querer os doutorados. Não é por decreto.

Mas o risco não limita a iniciativa? Que instrumentos existem?
Temos um fundo de co-investimento para Business Angels no valor de 42 milhões de euros (alocado a 54 grupos de Business Angels) que tem de ser aplicado até julho de 2013, temos um conjunto de outros fundos de capital de risco (147.583.500 euros) para apoiar a área do Venture que tem de ser aplicado até à mesma data (ver quadro), temos parques tecnológicos e incubadoras em Portugal com excelentes condições para apoiar os empreendedores e temos bons exemplos de empresas que conseguiram empresarializar as suas ideias. É fundamental comunicar isto e passar a mensagem aos nossos empreendedores que os Business Angels têm dinheiro que querem investir e que é possível criar projetos de sucesso em Portugal. Um excelente exemplo de demonstração é o caso concreto da criação do fundo corporativo da Critical Ventures. Em 11 anos, a Critical não só se transformou numa empresa de vanguarda do ponto de vista tecnológico, como criou um fundo corporativo de 7 milhões de euros para alavancar outros projetos quer sejam gerados internamente, quer sejam provenientes do mercado, nomeadamente, das incubadoras ou investigadores. Há muitas pessoas que não sabem destes mecanismos e das que sabem, muitas acreditam são só para as pessoas que estão dentro do sistema, que é algo inacessível, só para quem tem contactos. Isso não é assim.

Mas não basta ter uma ideia para ter acesso a estes fundos...
Não, obviamente. Estamos a falar de empreendedorismo qualificado, do empreendedorismo de oportunidade e não do empreendedorismo de necessidade. Para esse existem outros programas igualmente interessantes como o microcrédito, ou mais recentemente, as plataformas de crowdfunding. Para o empreendedorismo qualificado são necessários outros requisitos e o que eu considero agora mais importante, é divulgar a existência destes apoios porque neste momento Portugal tem estes programas e se os tem é para utilizar a favor do seu crescimento.

Não será só a falta de informação a limitar os portugueses...
Uma das coisas que mais limita o aparecimento de novos projetos é a dificuldade dos empreendedores em saírem da sua zona de conforto. Os exemplos de demonstração não têm sido muitos. Há casos de sucesso, mas não temos um número interessante e motivador que crie aquela vontade de seguir exemplos e é aqui que tenho sido um dos grandes críticos da indústria de capital de risco nacional. Nos últimos quatro anos o número de projetos apoiados na área do seed capital foi apenas um. Se queremos falar de empresas que possam marcar a diferença cá e lá fora, temos de apoiá-las desde a raiz. Não me parece que a indústria de capital de risco nacional tenha atuado de forma tão ativa no sentido de identificar os potenciais empreendedores com boas ideias e que tenha tido a coragem para as apoiar.

E que balanço faz da atividade dos Business Angels no país?
Os business angels enquanto atividade tiveram o seu boom nos últimos quatro anos, altura em que foram criados dez Clubes de Business Angels e também o seu ordenamento jurídico nacional que não existia. Criou-se também um fundo de co-investimento em business angels. Ou seja, nos últimos anos surgiram os alicerces do movimento que são sólidos, responsáveis e cobrem um país inteiro. Nos últimos seis meses foram investidos três milhões de euros em 13 projetos e há mais seis em fase de avaliação. Em plena época de crise é um bom indício.

Que tipo de projetos apoiam?
Não há restrições. Os 13 projetos que foram apoiados nos últimos meses são de áreas diversas desde a saúde, à publicidade, energias renováveis e internet. Penso que tem mais a ver com a oportunidade que detetamos e com o facto de termos, ou não os meios para a colocar em prática. As oportunidades podem aparecer até nos setores mais tradicionais.

O Governo anunciou a intenção de reorganizar o setor do capital de risco. Parece-lhe oportuno?
Quando falamos de capital de risco público convém perceber que há duas áreas: uma relacionada com o private equity (negócios em estado de maturidade e reestruturação) e o venture capital (criação de novos negócios). Se na área do private equity não me faz qualquer confusão, antes pelo contrário, que exista uma concentração, no venture capital comete-se um grave erro. Deveremos manter três ou quatro estruturas de investimento, 100% independentes, que fossem proativas e cujas equipas de gestão (compostas por pessoas com grande experiência profissional e que não tivessem de responder perante o ministro A ou secretário de estado B) fossem avaliadas pelo trabalho desenvolvido, permitindo aos empreendedores poderem consultar vários comités de viabilidade em busca do financiamento para o seu projeto. Os fundos de capital de risco ao dispor dos privados não estão tão vocacionados para o venture. Por isso defendo que a criação destes comités poderia ser uma alternativa para os que estão a criar novos negócios, ao invés de criar um funil de onde pouco vai sair.

Que desafios que se colocam ao capital de risco nacional?
Na área do private equity o pais tem uma indústria de capital de risco muito experiente e que tem feito operações acertadas. Basta aos empresários perceberem que há operadores qualificados que os podem ajudar nos movimentos de concentração e internacionalização. No venture penso que tem de haver uma atitude proativa, uma grande profissionalização e um corpo de gestores que atuem nesta área para acreditarem e potenciarem os projetos e o potencial dos jovens que queiram lançar empresas. Apesar de já existirem cerca de 267 investidores envolvidos em 54 empresas, temos de continuar a criar condições para o aparecimento de um verdadeiro mercado de business angels. É preciso captar mais investidores e uma forma de o fazer é ter um quadro fiscal atrativo. Tínhamos pensado que a proposta do Orçamento de Estado traria um estímulo fiscal à atividade, mas não. Espero que a situação se altere e que possamos alcançar medidas de reforço semelhantes às dos business angels do Reino Unido que determinam que a dedução em sede fiscal do valor do investimento seja de 30% e que o limite da dedução seja duplicado para investimentos até 1,14 milhões de euros. É também importante implementar, na área do private equity, um fundo de capital de risco para a internacionalização, no valor de 250 milhões de euros, que está criado em Diário da República desde junho de 2010 e nunca passou à prática.



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