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Histórias de sucesso



01.01.2000



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Jornalista para viajar

Com um pai e um irmão pilotos, Alexandre Brito detesta voar, mas adora viajar. Por isso, o jornalismo pareceu-lhe uma boa alternativa para realizar esse seu "fascínio". Jornalista da SIC Online, Alexandre contou-nos a sua história de sucesso.

Como surgiu o interesse pelo jornalismo?
Eu não tenho uma ideia fixa de quando foi. Sei que no secundário escolhi a área de Humanidades porque queria seguir qualquer coisa relacionada com a escrita. Também teve influência o facto de o meu pai ser piloto. Sempre viajei muito com ele, mas não queria ser piloto porque não gosto de voar e tinha a ideia de que o jornalismo era uma outra profissão onde se viajava muito e se descobriam coisas novas. Talvez, por isso, tenha optado por jornalismo.

Agarrou esta profissão e apostou nela?
Eu acho que é muito complicado, hoje em dia, para uma pessoa que sai da faculdade conseguir entrar num sítio qualquer para trabalhar e darem-lhe logo o valor. Eu achei que quando acabei a faculdade, e mesmo antes, que ainda não era altura para começar a procurar emprego porque era muito novo e não tinha a experiência que queria. E achei também que queria sair do país.
Então, no último ano da faculdade, decidi concorrer a duas universidades nos EUA e acabei por entrar na Universidade de Boston. Achei que era a melhor coisa que podia fazer naquela altura para conseguir depois emprego. Todos nós sabemos que quando uma pessoa vem de fora tem outra experiência e isso no currículo conta. Esta foi a maneira que eu encontrei para voltar com uma mais-valia que a grande maioria, talvez, não tenha a facilidade de o fazer. Eu tinha a facilidade de os meus pais me ajudarem e das viagens.

Como é que descreve essa experiência?
Em Boston, como o curso era de Jornalismo, eles obrigavam-nos a passar lá uma temporada do Verão antes de começar mesmo o curso para termos aulas de cultura americana, escrita jornalística, etc. Eu fui para lá logo no Verão e comecei as aulas em Setembro. Supostamente ia ficar lá três semestres, mas no último semestre fui acabar o curso para Londres. A Universidade tinha um curso especial que se podia fazer, em Londres, e que tinha uma parte obrigatória de trabalhar enquanto estávamos lá. Eu decidi ir para Londres e quando cheguei lá disse que queria ir para a CNN. Tentei e consegui.

E como foi o trabalho na CNN?
A CNN de Londres é mais pequena do que a dos EUA. Mas a grande diferença, em relação aqui, era a nível das capacidades que eles têm para fazer coisas. Isto é, vamos imaginar que cá, quando um jornalista sai em reportagem sai o jornalista e o câmara. Na CNN, normalmente, sai o jornalista, sai o câmara, sai um operador de som e sai um operador de luz para fazer uma entrevista. Ao todo são quatro pessoas e isso, parecendo que não, melhora em muito algumas coisas. Eles têm sempre muito cuidado com a imagem e cá isso não existe tanto, pelo menos naqueles trabalhos do dia-a-dia.
Por outro lado, tem também de se contar com a dimensão da CNN. Eu lembro-me de uma vez que estivemos a fazer um trabalho sobre as lotarias e totolotos a nível europeu e eu telefonei de lá para a nossa Santa Casa. Identifiquei-me como "Alexandre Brito, jornalista da CNN", e parecia que eles não queriam acreditar porque era um português na CNN. Essa dimensão é engraçada. Ainda por cima, eu estava no início e aquilo para mim era um mundo maravilhoso. Eu gostava de tudo e fazia tudo. Tinha um turno em que tinha de ir para lá às cinco da manhã e eu adorava ter esse turno porque via aquilo tudo a começar.

Qual foi até agora o seu maior desafio? A experiência na CNN?
Eu acho que há sempre desafios e eu acho que tenho passado por alguns. Desde que, quando fui para os Estados Unidos, para Londres, quando vim para Portugal e estive no CNL e agora na SIC Online. Não sei qual deles foi o maior.
Adorei, quando foi aquele caso da baby-sitter que estava a ser condenada e que foi o maior caso de Tribunal nos EUA, na altura, falado em todo o mundo. Como o estudo lá é muito prático, nós tínhamos um trabalho para fazer e, eu com uma colega minha, decidimos fazer a reportagem a partir da decisão do Tribunal. Lembro-me de estar lá quatro dias seguidos à espera que a decisão saísse, com o resto dos jornalistas todos cá fora para, no último dia à noite, conseguir o "vivo" dos advogados.
Quando voltei para Portugal, estive um tempo a trabalhar na Neurónio e depois, fui para o CNL que foi outro grande desafio porque eram, quase tudo, pessoas novas. Todas as pessoas que estavam lá aprenderam a fazer televisão e a "desenrascarem-se" o que é uma das coisas importantes para a nossa profissão - aprender a "desenrascar" e dar a volta às coisas. Depois, este projecto da SIC Online que é completamente diferente e que, de certo modo está semelhante ao mundo da CNN. Eu acho que, em Portugal, a SIC é o mais idêntico à CNN.

Acha que a aposta do futuro é no jornalismo online?
Eu acho que ainda não tenho uma ideia muito clara sobre o que é o jornalismo online. Na minha opinião, hoje em dia, não se consegue separar o jornalismo de televisão, de rádio ou imprensa porque jornalismo é jornalismo. Acontece, muitas vezes, uma pessoa que esteja em rádio e depois vá fazer online ter um período de adaptação, mas depois consegue fazer jornalismo online - desde que saiba fazer jornalismo, obviamente.
Eu acho que tem algumas particularidades que são engraçadas. Nós aqui, na SIC Online, temos um pouco de tudo das várias áreas de jornalismo. Temos que ser imediatos; utilizamos voz, como se fosse rádio; utilizamos imagem, porque trabalhamos numa televisão (a SIC Online existe porque a SIC existe); tem a parte escrita - a parte do jornal normal; tem a parte de investigação que uma revista ou semanário pode ter e tem aquela parte, que nenhum meio tem, da interactividade que é o fabuloso do online. E essa é a grande vantagem da Internet.

E quais são as suas perspectivas para o futuro?
Neste momento, ficar na Sic Online porque é um projecto que ainda está no início e melhorar o que estamos a fazer até agora.

Se não fosse jornalista seria...
Jornalista, sem dúvida. Acho que não escolhia outra profissão porque eu adoro isto e para se ser jornalista tem de se adorar.
Se tivesse mesmo de seguir outra profissão, acho que seria piloto, mas detesto voar! Só pelo fascínio de voar.


TP




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