Carreiras

Ana Rita Ramos



01.01.2000



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Uma jovem directora ambiciosa

"Para quem tem ambição" é o lema da "Você s.a." e à frente deste novo projecto encontramos Ana Rita Ramos. Aos 27 anos, é directora desta revista mensal e aposta em desafios. Gerir o dia-a-dia, lutar e não desistir são os seus maiores princípios. Conheça o seu percurso profissional e saiba mais da sua pessoa.

O que é a "Você s.a." para a Ana Rita?
Se calhar foi uma evolução natural na minha carreira. Logicamente que para mim é um desafio enorme, misturado com um certo medo por fazer uma coisa de tanta responsabilidade. Mas sinto que estou a fazer algo que eu já dominava na "Exame", embora a uma menor escala.

Considera-se uma pessoa ambiciosa e, por isso, uma possível leitora da "Você s.a."?
Sou uma pessoa ambiciosa, não por cargos ou poder, mas sim por fazer as coisas bem feitas. A ambição em Portugal é vista como uma coisa má e feia. Eu acho o contrário. As pessoas devem ser ambiciosas em tudo na sua vida. A minha ambição é ser feliz quer profissionalmente, como pessoalmente; é sentir que posso ser útil aos leitores. Não há sensação melhor do que saber que uma pessoa leu a nossa crónica e aquilo melhorou de algum modo a sua vida ou deu prazer a alguém que leu.
Esta sensação não há dinheiro que pague e, nesse sentido, acho que escolhi a melhor profissão do mundo. Continuo encantada e apaixonada pelo jornalismo e sou muito ambiciosa a este nível.

E como é que surgiu o interesse pelo jornalismo?
Durante o liceu, quase como todas as outras pessoas, não sabia exactamente o que fazer. Sempre adorei escrever e tinha uma ideia um bocado romântica do jornalismo. Depois, entrei para Comunicação Social no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) e ainda me faltam duas cadeiras para concluí-lo. O curso foi a maior desilusão da minha vida porque sempre achei que a vida académica e o mundo universitário me iriam dar alguma coisa muito especial, e foi uma ideia completamente defraudada.
Entretanto, a partir do 2º ano de faculdade, exactamente por não estar a gostar do curso, comecei a trabalhar. Às vezes como freelancer ou a arranjar alguns estágios, na sua grande maioria, sem grande interesse.

Quando é que aparece o primeiro e verdadeiro contacto com o mundo jornalístico?
Surge com a Rádio Comercial. Tive oportunidade de colaborar num programa de entretenimento da rádio. Era daqueles programas incríveis que passava às oito da manhã do domingo e que ninguém ouve. Foi um desastre autêntico, apesar de ainda ter lá estado um ano e ter-me dado experiência a nível de contactos e entrevistas.
O facto de estar dentro da rádio permitiu-me, depois, arranjar um estágio na redacção. Entrei para a Rádio Comercial, em Agosto de 1995, para fazer um estágio de três meses que acabou por se estender até aos seis. Apanhei as eleições legislativas e foi óptimo porque os jornalistas seniores saíam para campanha, percorrendo o país. Eles precisavam mesmo de gente para fazer o trabalho diário da redacção. Os últimos três meses do estágio foram essenciais porque, geralmente, no estágio não se faz muita coisa e eu tive mesmo de pôr a mão na massa - o que deu para ganhar alguma desenvoltura.

Teve uma experiência em rádio, mas acabou por optar pela imprensa. Porquê?
O estágio na Rádio Comercial também deu para perceber de imediato que, apesar de ser muito útil para mim, não era aquilo que eu queria fazer da vida; nem rádio nem televisão. Eu acho que há vários tipos de jornalistas. Há o repórter em cima do acontecimento que gosta dos directos, que gosta do stress e do ir para a rua recolher a notícia do que está a acontecer. E depois há o outro lado, que é o jornalista mais próximo do escritor que gosta de investigar uma história, de pegar num determinado assunto e vasculhar. Eu acho que me aproximo mais deste segundo bloco de jornalistas. Não me dei nada bem com aquele stress horrível e principalmente não me dei nada bem, na rádio, com o facto de nós sermos apenas um simples veículo de informação e não criarmos nada.

Como foi o seu percurso na revista "Exame"?
A ideia de trabalhar para uma revista de economia assustou-me um pouco de início porque, tal como qualquer jornalista que sai da faculdade, preferia trabalhar no âmbito da cultura ou da sociedade. Pensei: "Que horror, acho que vou odiar". Isto não tem nada a ver comigo. Mas era a oportunidade de entrar para o mundo da imprensa e por isso aceitei. Quando entrei como estagiária, apanhei a reestruturação da "Exame" que deixava de ser uma revista elitista e voltava-se mais para o leitor.
Comecei por escrever artigos na área de gestão das carreiras e o lado humano dos negócios. Estes temas eram vistos pelos meus colegas como aquilo que não interessa para nada. E como não queriam fazer, era melhor para mim. Os artigos começaram a ter feedback do público e criou-se, então, uma secção nesta área que ficou, mais tarde, a meu cargo. Isto até surgir a oportunidade de dirigir a "Você s.a.". No fundo, esta revista foi autonomizar aquilo que eu já fazia antes.

Como vê o jornalismo actual?
É um jornalismo mercantilista e mercenário, neste momento. É escandaloso os telejornais abrirem com a operação plástica de Lili Caneças. Mas também há muitos exemplos de luta e eterno combate contra este tipo de jornalismo. Também acho que muitas das coisas más que se fazem resultam da inexistência de meios e condições para trabalhar. Vemos que estagiários são mandados para a "Boca do Lobo" fazer reportagens em directo e assim só podem fazer asneiras porque não têm formação para aquilo.


TP






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