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A era do líder sóbrio e espiritual
Liderar uma empresa pode ser mais que um trabalho: pode ser uma missão.
Um estilo de liderança mais voltado para a espiritualidade e o
humanismo começa a tornar-se tendência nas empresas. Cada
vez mais gestores e até organizações como um todo
consideram qualidades como maturidade, realismo e sabedoria tão
importantes para os seus líderes quanto a ambição
e vontade de produzir. Algumas organizações concluíram
que não se pode ser inovador e eficiente quando se é escravo
das próprias emoções, e que espíritos criativos
devem ser domados com as rédeas da sabedoria e disciplina.
A inquietude e a paixão característica da juventude dos
líderes da primeira década da Nova Economia ainda constituem
a linha de liderança perseguida pelas grandes empresas. Mas em
tempos de incertezas económicas e de fundos financeiros escassos,
ninguém deve subestimar a importância de se combinar a paixão
com a paciência e o auto-conhecimento.
"É preciso saber guiar-se antes de guiar os outros",
afirma Anselm Grün. Frei beneditino alemão responsável
pela supervisão de vinte companhias desta ordem, Grün acrescenta
que "apenas o indivíduo capaz de encontrar a paz dentro
de si e em Deus, pode gerar uma atmosfera de paz ao seu redor, promovendo
o bem-estar e o prazer no trabalho". Os livros daquele religioso
são um êxito entre os CEO's alemães, um público
cada vez mais consciente do poder destes ensinamentos para uma gestão
equilibrada das empresas.
Esta nova forma de gestão busca lições em ensinamentos
religiosos, mas não está ligada a religiões ou actividades
dessa ordem. O conceito de espiritualidade é aplicado de forma
a que as pessoas descubram em si mesmas a felicidade de ser e produzir,
encontrando no prazer e realização uma razão maior
para o trabalho do que a sobrevivência.
Ao aliar valores clássicos - como a disciplina e persistência
- aos valores espirituais, os novos líderes constróem um
estilo de liderança mais pessoal e humano, que promove o bem-estar
e que tem por consequência maior produtividade de seus funcionários.
Uma fonte de inspiração para os novos líderes são
os livros e seminários para executivos do clérigo norte-americano
Matthew Fox, criador e director da "University of Creation Spirituality".
Em seu livro " The Reinvention of Work - A New Vision of Livelihood
for Our Time", aquele autor afirma que a reconstrução
da qualidade de vida no local de trabalho também contribuirá
para uma nova distribuição da quantidade de trabalho por
empregado: "quando os funcionários integram a espiritualidade
aos seus valores, à sua criatividade e ao seu trabalho, sobrecarregar
os empregados com tarefas e exceder-se na quantidade de horas de trabalho
não farão mais sentido, cedendo lugar a uma divisão
de tarefas mais equilibrada."
Cristina Parga