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Vencer o desemprego aos 50

Vencer o desemprego aos 50

O desemprego é uma situação dramática que tende a ganhar um impacto ainda maior entre os trabalhadores mais velhos que, além da idade, têm de competir com profissionais mais jovens que constituem mão-de-obra mais barata e que possuem, frequentemente maiores qualificações. Mas estar desempregado aos 50 anos não é o fim do mundo. Há pontos que jogam a seu favor na corrida por um novo emprego.
19.05.2011 | Por Cátia Mateus


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No ano passado, a empresa de outplacement Transitar conseguiu recolocar no mercado 76% dos profissionais séniores que recorreram aos seus serviços, num universo de 200 pessoas. Um número que espelha, por um lado, uma crescente preocupação das empresas em promover um apoio na reintegração dos trabalhadores que dispensa, e que por outro demonstra que há esperança para quem enfrenta o desemprego aos 50 anos.

“Melhores do que os profissionais júniores no controlo das emoções e do stress, mais eficazes em momentos de pressão, mais experientes, com maior capacidade de análise e tomada de decisões em situações de crise”, os profissionais seniores apresentam para Yves Turquin, diretor-geral da Transitar, claras vantagens em relação aos recém-licenciados. Para o especialista, ainda que Portugal esteja longe de outros países como os Estados Unidos no que diz respeito à valorização do potencial destes profissionais, o país tem dado grandes passos na constatação de que “aos 50 anos um trabalhador tem muito potencial para colocar ao serviço da empresa”.

Na verdade, para os especialistas, além da experiência e do conhecimento acumulados ao longo dos anos, estes profissionais têm muito mais pontos fortes. “Aos 50 anos, já com um historial de descontos para trás, um profissional aceitará com maior facilidade integrar uma empresa num modelo mais flexível de colaboração do que um jovem profissional que procura, por exemplo, uma integração nos quadros”, argumenta Yves Turquin.

O especialista reconhece que, fruto da atual conjuntura económica, “mantém-se em Portugal a dificuldade de recrutar seniores, mas também lidamos agora com a dificuldade de colocar recém-licenciados, por isso o problema não está apenas da idade”. O fundamental é, para Yves Turquin, que os profissionais na faixa etária dos 50 anos não sintam que a sua carreira terminou. É verdade que o mercado de trabalho não enfrenta os seus melhores dias e que “há uma grande concorrência por parte de jovens que possuem formação superior e constituem mão-de-obra mais barata”, mas assegura Turquin “não é o fim do mundo ter mais de 50 anos e estar desempregado ou querer dar outro rumo à sua carreira porque o emprego atual não o satisfaz”.

Ainda é possível conseguir um emprego e há estratégias que o podem ajudar (ver caixa). “O que pode faltar em juventude ou mesmo em currículo académico sobra em experiência profissional, muitas vezes até em várias áreas, e em maturidade que são mais-valias inegáveis para qualquer empresa”, explica o diretor-geral da Transitar.

Como resultado das suas longas carreiras, os trabalhadores veteranos possuem alguns trunfos a seu favor que, com a estratégia adequada, poderão facilitar uma rápida reintegração laboral seja por contra de outrém ou por sua própria conta e risco. Investir nas novas tecnologias, marcando presença nas redes sociais que são cada vez mais plataformas de recrutamento, pode ser um primeiro passo para abrir algumas portas. Depois, deve aproveitar as entrevistas ao máximo, procurando demonstrar toda a experiência que possui e evidenciar o facto de aos 50 anos não se ter acomodado ao desemprego e ainda ter muito para dar.

Dicas para um novo emprego

Procurar emprego pode tornar-se uma tarefa ingrata e uma fonte de stress, sobretudo nos tempos que correm. Mas há estratégias que podem encurtar-lhe o caminho para o sucesso e tornar mais eficaz a sua procura por um novo emprego. Mesmo quando já está na fasquia dos 50 anos.

• Relance a sua carreira!
A opção mais segura aos 50 pode ser investir na área onde sempre trabalhou, pela longa experiência e conhecimento prático que tem acumulado e pode levar uma empresa a investir num candidato mais velho em detrimento de um profissional mais jovem. Mas isso não significa que não invista na reciclagem de conhecimentos que já tem. Aposte na formação e reforce os conhecimentos que já detém.

• Atualize o seu currículo
Com uma carreira longa, é importante que consiga fazer passar a melhor mensagem do seu percurso no currículo. Saliente no seu CV as experiências profissionais mais relevantes. O currículo deve ser curto e conciso por isso, dê destaque às experiências com maiores probabilidades de contribuir para que alcance um novo emprego.

• Invista nas novas tecnologias
Não fique fora das redes sociais. Esta é hoje uma ferramenta ímpar de networking que lhe possibilita manter contacto com grande número de pessoas e empresas e pode abrir muitas portas a um novo emprego. São cada vez mais os profissionais recrutados através das redes sociais e a divulgação de novas oportunidades através destas plataformas é cada vez maior.

• A hipótese do regresso à escola
Nunca é tarde para aprender e os 50 são uma idade tão boa como qualquer outra para atualizar conhecimentos ou para adquirir formação noutra área que possa abrir mais portas.

• Crie o seu próprio emprego
Com a experiência e o conhecimento que um candidato de 50 anos tem, criar o seu próprio posto de trabalho pode ser uma excelente alternativa. Se conhece o mercado e a forma como trabalhar, porque não dar o passo em frente?

• Tenha sensibilidade para o marketing
Um bom emprego é disputado por centenas de candidatos. A forma mais eficaz de os vencer é ter uma apresentação que corresponda ao que a empresa procura. Personalize a sua abordagem. Um currículo em video, por exemplo, pode valer milhões dependendo da função para a qual concorre.



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